Cultura

Morna de Cabo Verde mais perto de ser Patrimônio Imaterial da Humanidade da Unesco

Inscrição do género musical foi aceite pela agência da ONU; decisão final será ratificada, em dezembro, pela Unesco, durante reunião na Colômbia.

A morna de Cabo Verde deu mais um passo no processo de inscrição para o Patrimônio Imaterial da Humanidade da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco.

Nesta quinta-feira, o Comitê de Avaliação do Patrimônio Cultural aceitou a inscrição do gênero musical, mas a decisão final será ratificada, em dezembro, pela Unesco, durante reunião na Colômbia.

Importância

Falando à ONU News, da cidade da Praia, Sandra Mascarenhas, diretora do Patrimônio do Instituto do Patrimônio Cultural, explicou o impacto da decisão para o povo em Cabo Verde e nas diásporas cabo-verdianas pelo mundo.

“A inscrição da morna na lista representativa da Unesco representa para os cabo-verdianos o reconhecimento daquela que consideram ser a sua música maior, um reconhecimento identitário por excelência. À semelhança do que aconteceu com o fado, eleva a morna a uma categoria que transcende o próprio país. Para a diáspora, que sempre se vê e se revê na morna, será um reconhecimento daquilo que os identifica como cabo-verdianos. É a autoestima de toda uma nação que é elevada.”

Tradicionalmente, a morna é tocada com instrumentos acústicos, sobretudo violão, e conta temas como amor à terra, partida para o estrangeiro e saudade.

Cultura

O ministro da Cultura e das indústrias Criativas de Cabo Verde, Abraão Vicente, disse que anunciar a aprovação do dossiê técnico era sorte, honra e privilégio.

Em uma entrevista à ONU News na apresentação da candidatura, em março de 2018, o ministro contou que “a morna é o género musical que configura de uma forma mais completa aquilo que são a alma e o percurso do povo cabo-verdiano.”

“A morna nasce, não só num momento histórico na ilha da Boavista, mas como resultado do nosso percurso como povo, que passou pela descoberta, pela chegada dos portugueses, pelo triângulo de tráfico de escravos, a descoberta da própria África, em que Cabo Verde foi sempre um trampolim, o período colonial e o período da luta pela independência. A morna acompanhou todos os movimentos literários e intelectuais de Cabo Verde, mas também acompanhou os movimentos de resistência, de imigração e de emigração.”

Identidade
O ministro disse ainda que as ilhas têm mais géneros musicais, como o funaná e a coladera, mas que nenhum outro tem uma presença tão forte no país, da Boavista a Santiago.

“A morna é o género musical que está presente em todas as ilhas. Acompanha-nos na morte e no nascimento. Na festa de sete, recebemos as crianças com morna. Nos funerais, enterramos os nossos mortos com morna. A ligação emocional que temos com o país é feita através da música. Cabo Verde é um país musical.”

Neste momento, o país já prepara outra candidatura. Cabo Verde quer que o campo do Tarrafal seja considerado Património Material da Humanidade pela Unesco.

PARCERIA – Téla Nón / Rádio ONU 

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