“Vestígios do Tempo – Inovação dos Trajes Tradicionais” foi o lema do desfile de moda que as mulheres santomenses promoveram em alusão ao seu dia internacional, 8 de março.
Na ilha de São Tomé os trajes tradicionais das mulheres são variados. Cada peça define para a sociedade o estatuto da mulher. Na idade adolescente a indumentária é mais simples. Quando é casada o novo traje assim denunciava. Se ficasse viúva, a forma de vestir declarava para a sociedade o novo estatuto da mulher.


Já na ilha do Príncipe as mulheres usavam apenas um traje. Saia, quimono, e o lenço. Por ocasião do 8 de março o traje tradicional subiu ao palco do Museu Nacional, para anunciar que continua vivo.
Isabel de Abreu, a ministra da educação, cultura e ciência vestida a rigor santomense declarou que o traje tradicional faz parte do ecossistema cultural do país. «Através do qual veicula a identidade, a pertença, reflectindo a história, a evolução cultural e as nossas práticas encentrais».
A ministra considera que é altura de as mulheres apropriarem «daquilo que nos difere dos demais permitindo-nos comunicar através das nossas vestimentas».

A indumentária tradicional do país não deixa os homens de fora. O Presidente da República Carlos Vila Nova acompanhado pela primeira Dama Fátima Vila Nova vestida a “San Guê”, recordou o tempo de infância em que vestia o Bibe.
«Alguns se lembraram ainda do famoso Bibe. Eu ainda usei o bibe na idade infantil», afirmou o Chefe de Estado.

Carlos Vila Nova apelou a inspiração das mulheres no sentido de resgatar o legado cultural e identitário actualmente extinto. «Que tal aprofundarmos o nosso conhecimento sobre estas e outras formas de trajar dos tempos idos, e introduzir réplicas em tons de modernidade», frisou.
O tempo é de resgate da identidade nacional santomense. A juventude cada vez mais perdida não conhece a sua raiz identitária. Por isso, o Presidente da República lançou desafios ao Ministério da Educação e Cultura.
«Para que possa ver a possibilidade de efectuar eventos regulares sobre esta matéria. Seja por via de exposições, concursos, introdução do dia do traje nacional, ou ainda, estudos em forma de teses para enriquecer ainda mais o histórico do património cultural santomense», pontuou Carlos Vila Nova.



Há bastante tempo que Antonieta Almeida, estilista santomense começou a dar o toque de modernidade ao traje tradicional santomense. Organizadora do desfile de moda originária de São Tomé e Príncipe, a estilista confirmou que através das linhas de costura uniu com sucesso os pontos da tradição à inovação.
«O meu objectivo é a evolução dos trajes típicos nacionais. Sou estilista e nesta profissão a criactividade e inovação fazem o dia-a-dia. Por isso tenho conseguido levar os traços do nosso traje ao panorama internacional», precisou Antonieta Almeida.
O desfile da nova marca “AA” inspirada nos trajes tradicionais de São Tomé e Príncipe arrancou aplausos da plateia. Segundo a estilista, atualmente as mulheres santomenses que participam nos Fóruns Internacionais utilizam essencialmente o traje inovado através da raiz santomense.
«Tem havido muita procura do nosso estilo tanto a nível nacional como internacional. As blusas e saias foram inovadas, mas conservam a marca nacional», assegurou.


As raízes tradicionais inspiram os artistas a conquistar o mundo. É com os pés ou as mãos firmes nos seus valores identitários que o ou a santomense pode inovar e mostrar a diferença no panorama internacional.
Abel Veiga