Segundo Maria Inês Andrade, nas vésperas da celebração dos 50 anos da independência nacional, o país deve recordar o contributo fotográfico dado por Alcântara Pires Dos Santos Andrade. São registos que fazem a história de São Tomé e Príncipe. «Deu o seu contributo com registos fotográficos da marcante data e muito mais», refere Maria Inês Andrade.
O homem que fotografou São Tomé e Príncipe e grande parte dos santomenses, mereceu o reconhecimento da ministra da educação, cultura e ensino superior. «Foi-lhe atribuído o mérito profissional pela ministra da educação, Cultura e Ensino Superior», Maria Inês Andrade.
Alcântara Pires dos Santos Andrade nasceu aos 28 de Novembro de 1930, teve 24 filhos e foi casado com Flaviana Castelo David.

Órfão de mãe aos seis anos de idade iniciou-se na fotografia ainda menino, como principiante de um fotógrafo português. Apesar das dificuldades e de ter apenas o 4.º ano de escolaridade formal, desenvolveu uma capacidade notável e construiu uma carreira sólida, marcada por profissionalismo, paixão e dedicação.
Cumpriu o serviço militar entre 1950-1952, tendo sido primeiro-cabo. Foi o primeiro fotógrafo pioneiro e mestre da arte fotográfica em São Tomé e Príncipe. Dedicou 37 anos de serviço público à documentação da identidade e memória coletiva da nação.

Alcântara dominava com perfeição tanto a arte de captar imagens como o trabalho técnico em laboratório. Revelava e reproduzia fotografias com precisão artesanal em câmaras escuras, numa época em que cada imagem exigia paciência, técnica e olhar sensível. Serviu como fotógrafo oficial do Estado, registando momentos marcantes da vida nacional — do quotidiano às cerimónias mais solenes, incluindo a proclamação da independência nacional em 12 de julho de 1975.
Abriu a sua primeira casa fotográfica em Chacara, anos depois adquiriu o edifício na Praça Yon Gato.
Durante décadas, o estúdio Foto Alcântara, situado na Praça Yon Gato, foi referência incontornável. Local em que todos os cidadãos se dirigiam para tirar fotografias tipo passe, registar casamentos, batizados, eventos desportivos e retratos familiares. A sua câmara captou não apenas rostos, mas histórias, afetos e transformações sociais.
A par da prática profissional, foi também um formador de excelência, transmitindo o seu conhecimento a novos talentos. Dentre os que formaram, destacam-se nomes como Ramos Costa, Gerónimo Sousa e seus próprios filhos (João Andrade, Lourenço Andrade e Amâncio Andrade, entre outros).
Homem de múltiplas habilidades era também empreendedor, apreciador da culinária e uma figura afável e respeitada no País. Viajou por diversos países lusófonos, sempre levando consigo a paixão pela fotografia. Algumas das suas obras estão hoje preservadas no Museu Nacional de São Tomé e Príncipe, testemunhando o seu contributo inestimável à história visual do país.
Carinhosamente chamado de “Chefe” pelos filhos e discípulos, era conhecido pela sua capacidade profissional de restaurar imagens danificadas com perícia incomum — quase mágica. Faleceu a 30 de março de 1993, aos 63 anos, deixando um legado memorável.
Alcântara Andrade foi mais do que um fotógrafo: foi um guardião da memória visual são-tomense, um educador de gerações e um símbolo da identidade nacional. Através da sua lente, eternizou momentos que hoje habitam álbuns, arquivos e corações. O seu legado permanece vivo e é digno de reconhecimento histórico e cultural duradouro.

Essas fotografias históricas fazem hoje parte do acervo do Museu Nacional de São Tomé e Príncipe, eternizando o seu contributo à memória coletiva da nação.
Téla Nón
SEMPRE AMIGO
8 de Julho de 2025 at 9:34
ALCANTÂRA!!!Figura marcante,merecedor de um lugar de destaque no album da nossa HISTÒRIA NACIONAL RECENTE.
Jorge Trabulo Marques
19 de Julho de 2025 at 2:27
Felicito a iniciativa. E vou tomar a liberdade de transcrever o texto no meu blogue, canoasdomar – Era ele e o Marinho Costa, eram quem me revelavam os rolos das minhas fotografias, as peliculas e que mas passavam depois a papel fotográfico. E foram centenas. Quando se mudou para a Rua do Rosário, passou a ser meu vizinho.
Um dia emprestou-me uma máquina fotográfica para fazer umas fotografias, ali junto ao seu laboratório (visto não ter a minha comigo) aos soldados angolanos, depois do 25 de Abril. que foram mobilizados de Angola para S. Tomé, só que, momentos depois, acabei por ficar sem ela: um soldado angolano, pediu para ele próprio fotografar um dos companheiros. E, mal a tem nas mãos, desata a correr com ela em direção à marginal, Naturalmente para se dirigir com o furto para o quartel. Perdi-lhe o rasto, visto ele ter-se metido imediatamente numa viatura militar. Vá lá, que o meu amigo Alcântara, dispunha de mais máquinas. Pois também tinha algumas para vender.
( O Marinho Costa, outro grande fotógrafo das ilhas, veio para Portugal, pouco tempo depois da independência. Instalou-se na Cova da Moura, concelho da Amadora, considerado um dos bairros mais problemáticos da zona periférica da Grande Lisboa, nomeadamente no tráfico de droga. Um dia arrombaram-lhe a porta e roubaram-lhe o dinheiro que tinha numa gaveta.
O meu desabo à sua frente e de alguns clientes, foi nestes termos: “Esse… vai ter morte macaca”. E, veja-se esta estranha coincidência. Sucede que, o individuo que lhe assaltou o laboratório, oito dias depois, caiu de uma escada, em trabalhos de construção civil e morreu. O episódio foi-nos reportortado casualmente num café ao lado.
E, então, o que é que se vai passar daí em diante? – Veio-me a confessar, que ele passou a ter fama de mágico. Por isso, mesmo que deixasse a porta aberta, ninguém ousava lá entrar.
Trabalhei com ele cinco anos, quando a RDP-Rádio Comercial, foi privatizada, aos fins de semana, em registos de casamentos e batizados. O subsídio de desemprego era muito modesto e ele convidou-me então a colaborar
Fizemos milhares de registos fotográficos O seu espólio, se pudesse ser recuperado, poderia também constituir-se como um importante acervo de memórias, nomeadamente da comunidade santomense e cabo-verdiana – Até porque nos deslocávamos a vários sítios para onde éramos solicitados. Nomeadamente, para fotografar casamentos e batizados.
Um dia, um carro chocou contra o dele e, por via de os graves ferimentos que sofreu, pouco tempo depois acabou por falecer. Sem dúvida, outro santomenses, meu bom amigo, a quem devo também a capacidade de poder fazer face às minhas despesas de alimentação e alojamento, com as gratificações que me pagava do trabalho que lhe prestava .
A RDP- Rádio Comercial, onde trabalhei (além dos anos que já havia prestado de trabalho ao Emissor Regional de STP, aí, na qualidade de operador, foi privatizada, e, como não dispunha do cartão da militância de Cavaco Sila, fui também um dos saneados: ou seja, os que eram da sua confiança política, foram transferidos para a Antena 1
Sim, pese o faco de ter sido o repórter que mais reportagens e entrevistas fez naquela época. Ainda hoje conservo um espólio sonoro de mais de 200 cassetes.
Entre muitas outras figuras públicas, dos mais diversos sectores, recordo: a entrevista ao Marechal Costa Gomes, em sua casa, ao 1º Presidente de Portugal, após o 25de Abril, Amália Rodrigues, escritores Vergílio Ferreira, Fernando Namora, Jorge Amado (Brasil), Roberto Carlos e sua mãe, Azeredo Perdigão, Cupertino de Miranda, e tantas outras figuras públicas, além de entrevistas até nas cadeias, de que resultaria um livro, intitulado “Quando Mato Alguém Fico Um Bocado Deprimido, que veio a constituir-se como bestseller, e ainda hoje está disponível na internet
E também entrevistei, o 1º Presidente de STP, Manuel Pito d Costa, na sua primeira visita oficial a Portugal, cujo registo sonoro ainda disponho no meu arquivo – Bem como, da intervenção de Miguel Trovoada, na sua primeira visita oficial ao Príncipe, depois da independência, que pude gravar no meu diário de bordo, num pequeno gravador que pude preservar no interior de um caixote do lixo, que levei comigo na minha tentativa de atravessar o Oceano Atlântico, em canoa . E, como tinha comigo também um pequeno transístor, pude ouvir e gravar o seu discurso naquela ilha, cujo registo ainda conservo.
Mas recordo, especialmente, a minha entrevista ao PM Adelino Palma Carlos, familiar do advogado, Manuel João da Palma Carlos que foi a S. Tomé para presidir a uma reparação das vitimas do Massacre do Batepá, que me concedeu uma interessante entrevista em S. Tomé para a revista angolana Semana Ilustrada – Antifascista militante e vítima da repressão fascista, um dos advogados que mais presos políticos defenderam nos Tribunais
Em S. Tomé, foi também, o Marinho Costa, que me acompanhou nalgumas entrevistas que fiz para a revista angolana Semana Ilustrada, de que eu era correspondente
Lamentavelmente, o meu vasto espólio fotográfico que registei em S. Tomé, designadamente desde 1970, até à minha partida de canoa para a tentativa de travessia oceânica, espacialmente nas manifestações pró-independência e nas entrevistas a sobreviventes do Massacre do Batepá, ainda não me foi entregue pelo comerciante português, sr. Jorge Coimbra.
Receando que o pudesse estragar ou perder na tentativa dessa minha travessia, oceânica, com vista a evocar a rota da escavadura, entre outros objetivos, que resultaria numa dramática odisseia de 38 longos dias, decidi deixá-lo em casa da minha companheira., a Margarida, natural de S. Tomé. E ficou bem guardado.
Em Lisboa, ao encontrar-me com o comerciante Jorge Coimbra, em Lisboa, pedi-lhe o favor de o ir levantar a casa da Margarida, tal como documenta a carta que ela me escreveu, depois, sim, mas até hoje ainda não teve a dignidade de mo entregar pelo que, em termos fotográficos, disponho apenas das que foram publicadas naquela revista e de um álbum, que o Sr. Afonso Henrique, teve a gentileza de lá o ir levantar.
Já me apercebi, que, o seu comportamento de manifesta desonestidade, fez uso das minhas fotografias, Visto já ter deparado com algumas das minhas fotos, precisamente iguais ás que publiquei na Revista Semana Ilustrada, num espólio de uma faculdade de Lisboa. Deve ter andado a usá-las, como se fossem de sua autoria.
Gosto muito da fotografia, e , desde vários anos, que faço até reportagens fotográficas, como fotojornalista, em campos de futebol da 1ª divisão, em Portugal, além de muitos outros trabalhos.
Colaborei na publicação de dois livros, no meu concelho, um dos quais o 1ª Guia do Museu do Vale do Côa. Uma arqueóloga, desiste museu, , a Sra. Carla Magalhães, pediu-me para lhe ceder material fotográficos alusivo às gravuras rupestres do Vale do Côa, bem como dos 9 concelhos que fotografei. Foram quase 40 Kilos. Já alá vão. Quase 20 anos, e ainda não teve a gentileza de mos devolver depois da digitalização.
Todo esse meu trabalho, foi feito, não por razões de compensações materiais, que não tive, mas por amor à fotografia e para contribuir para a divulgação e salvaguarda daquele importante património arqueológico, que, felizmente, viria a ser classificado Património da Humanoide Nomeadamente no jornal regional, ÉCÔA, cujos textos também muitas horas me haveriam de ocupar.
Bom, mas o principal intuito deste meu comentário, é felicitar a incitativa de homenagear. o mais importante fotógrafo de S. Tomé e Príncipe. E não esquecer o Marinho Costa. É que, a partir de uma certa atura, quem ia fazer todo o tipo de trabalhos, fora do laboratório, era mais o Marinho Costa de que o Alcântara Pires dos Santos Andrade, visto ele se ocupar mais nas revelações e cópias fotográficas, que lhe tomavam também muito do seu tempo,
Não pude estar no dia da Independência, no 12 de Julho, visto ter sido forçado a partir de canoa, em meados de Março de 1975, rumo à Nigéria, para me libertar das ferozes perseguições e espancamentos, que me moveram alguns colonos por via das minhas reportagens na revista Semana Ilustrada. Ao ponto de furarem à navalhada, por duas vezes, os pneus da minha modesta viatura, além de terem colocado uma forca pendurada à porta de casa, depois de a ter arrombado e me esfaqueado até o colchão.
Tendo sido o 1º jornalista a divulgar as imagens do Massacre do Batepá, que me foram dadas pelo chefe de Redação do Jornal A VOZ DE SÃO TOMÉ e., que se encontravam arquivadas naquele jornal.
Um dia chegou junto de mim, com um molho de fotografias, na esplanada do bar da Pensão Henriques: com esta proposta: Jorge!.. Queres publicar estas fotos na tua revista?! Senão tenho que as deitar fora. , AVOS DE SÃO TOMÉ não vai publicar nada – Sim, era o jornal do regime e havia caducado após a revolução do 25 de Abril,
Eu aceitei as fotografias, pedi ao Marinho para me fazer umas copias para enviar para Luanda para ilustrar alguns dos meus trabalhos. Tendo depois entregue esse espólio na Associação Cívica – Pró-MLSTP, na qual também participei como ativista, não apenas como repórter, mas como ativo dinamizador, fotografando e estimulando os jovens nos mais diversos lugares, além das manifestações.
Jorge Trabulo Marques
19 de Julho de 2025 at 2:56
Felicito a iniciativa. E vou tomar a liberdade de transcrever o texto no meu blogue, canoasdomar – Era ele e o Marinho Costa, eram quem me revelavam os rolos das minhas fotografias, as peliculas e mas passavam depois a papel fotográfico. E foram centenas. Quando se mudou para a Rua do Rosário, passou a ser meu vizinho.
Um dia emprestou-me uma máquina fotográfica para fazer umas fotografias, ali junto ao seu laboratório, nas instalações da rua que pate do Mercado municipal em direção ao aeroporto (visto não ter a minha comigo) aos soldados angolanos, depois do 25 de Abril. que foram mobilizados de Angola para S. Tomé, só que, momentos depois, acabei por ficar sem máquina: um soldado angolano, pediu para ele próprio fotografar um dos companheiros. E, mal a teve nas mãos, desata logo a correr com ela em direção à marginal, Naturalmente para se dirigir com o furto para o quartel.
Perdi-lhe o rasto, visto ele ter-se metido imediatamente numa viatura militar. Vá lá, que o meu amigo Alcântara, dispunha de mais máquinas. Pois também tinha algumas para vender. E acabou por ser compreensivo com esse meu azar
O Marinho Costa, outro grande fotógrafo das ilhas, veio para Portugal, pouco tempo depois da independência. Instalou-se na Cova da Moura, concelho da Amadora, considerado um dos bairros mais problemáticos da zona periférica da Grande Lisboa, nomeadamente no tráfico de droga. Um dia arrombaram-lhe a porta e roubaram-lhe o dinheiro que tinha numa gaveta.
O meu desabo à sua frente e de alguns clientes, foi nestes termos: “Esse macaco, vai ter morte macaca”. E, veja-se esta estranha coincidência. Sucede que, o individuo que lhe assaltou o laboratório, oito dias depois, caiu de uma escada, em trabalhos de construção civil e morreu. O episódio foi-nos reportortado, casualmente, num café ao lado.
E, então, o que é que se vai passar daí em diante? – Veio-me a confessar, que passou a ter fama de mágico. Por essa razão, mesmo que deixasse a porta aberta, ninguém ousava lá entrar.
Trabalhei com ele cinco anos, quando a RDP-Rádio Comercial, foi privatizada, aos fins de semana, em registos de casamentos e batizados. O subsídio de desemprego era muito modesto e ele convidou-me então a colaborar
Fizemos milhares de registos fotográficos O seu espólio, se pudesse ser recuperado, poderia também constituir-se como um importante acervo de memórias, nomeadamente da comunidade santomense e cabo-verdiana Nas festas que ambos fotografávamos em suas casas, além das imagens nas igrejas e noutros locais– Até porque nos deslocávamos a vários sítios para onde éramos solicitados. Nomeadamente, para fotografar casamentos e batizados. Vimos barracas, onde o interior era bem mais atrativo de que o exteior.
Um dia, um carro chocou contra a viatura dele e, por via de os graves ferimentos que sofreu, pouco tempo depois acabou por falecer. Sem dúvida, outro santomenses, meu bom amigo, a quem devo também a capacidade de poder fazer face às minhas despesas de alimentação e alojamento, com as gratificações que me pagava do meu trabalho
A RDP- Rádio Comercial, onde trabalhei (além dos anos que já havia prestado ao Emissor Regional de STP, aí, na qualidade de operador, foi privatizada, e, como não dispunha do cartão da militância de Cavaco Silva, fui também um dos saneados: enquanto os que eram da sua confiança política, foram transferidos para a Antena 1
Sim, pese o faco de ter sido o repórter que mais reportagens e entrevistas fez naquela época. Ainda hoje conservo um espólio sonoro de mais de 200 cassetes.
Entre muitas outras figuras públicas, dos mais diversos sectores, recordo: a entrevista ao Marechal Costa Gomes, em sua casa, ao 1º Presidente de Portugal, após o 25 de Abril, Amália Rodrigues, escritores Vergílio Ferreira, Fernando Namora, Jorge Amado (Brasil), Roberto Carlos e sua mãe, Azeredo Perdigão, Cupertino de Miranda, Jorge de Melo, e tantas outras figuras públicas, além de entrevistas até nas cadeias, de que resultaria um livro, intitulado “Quando Mato Alguém Fico Um Bocado Deprimido, que veio a constituir-se como bestseller, e que ainda hoje está disponível na internet
E também entrevistei, o 1º Presidente de STP, Manuel Pinto da Costa, na sua primeira visita oficial a Portugal, cujo registo sonoro ainda disponho no meu arquivo – Bem como, da intervenção de Miguel Trovoada, na sua primeira visita oficial ao Príncipe, depois da independência, que pude gravar no meu diário de bordo, num pequeno gravador que logrei preservar no interior de um caixote do lixo, que levei comigo na minha tentativa de atravessar o Oceano Atlântico, em canoa . E, como tinha comigo também um pequeno transístor, pude ouvir e gravar o seu discurso naquela ilha, cujo registo ainda conservo.
Mas recordo, especialmente, a minha entrevista ao PM Adelino Palma Carlos, familiar do advogado, Manuel João da Palma Carlos que foi a S. Tomé para presidir a uma reparação das vitimas do Massacre do Batepá, que me concedeu uma interessante entrevista em S. Tomé para a revista angolana Semana Ilustrada – Antifascista militante e vítima da repressão fascista, um dos advogados que mais presos políticos defenderam nos Tribunais
Em S. Tomé, foi também, o Marinho Costa, que me acompanhou nalgumas entrevistas que fiz para a revista angolana Semana Ilustrada, de que eu era correspondente
Lamentavelmente, o meu vasto espólio fotográfico que registei em S. Tomé, designadamente desde 1970, até à minha partida de canoa para a tentativa de travessia oceânica, espacialmente nas manifestações pró-independência e nas entrevistas a sobreviventes do Massacre do Batepá, ainda não me foi entregue pelo comerciante português, sr. Jorge Coimbra.
Receando que o pudesse estragar ou perder na tentativa dessa minha travessia, oceânica, com vista a evocar a rota da escavadura, entre outros objetivos, que resultaria numa dramática odisseia de 38 longos dias, decidi deixá-lo em casa da minha companheira., a Margarida, natural de S. Tomé. E ficou bem guardado.
Em Lisboa, ao encontrar-me com o comerciante Jorge Coimbra, em Lisboa, pedi-lhe o favor de o ir levantar a casa da Margarida, tal como documenta a carta que ela me escreveu. Mas, até hoje, e já lá vão uns bons anos, ainda não teve a dignidade de mo entregar pelo que, em termos fotográficos, disponho apenas das que foram publicadas naquela revista e de um álbum, que o Sr. Afonso Henrique, teve a gentileza de lá o ir levantar e de mo entregar.
Já me apercebi, que, o seu comportamento de manifesta desonestidade, fez uso das minhas fotografias, Visto já ter deparado com algumas das minhas fotos, precisamente iguais ás que publiquei na Revista Semana Ilustrada, num espólio de uma faculdade de Lisboa. Deve ter andado a usá-las, como se fossem de sua autoria.
Gosto muito da fotografia, e , desde há vários anos, que faço até reportagens fotográficas, como fotojornalista, em campos de futebol da 1ª divisão, em Portugal, além de muitos outros trabalhos.
Colaborei na publicação de dois livros, no meu concelho, um dos quais o 1ª Guia do Museu do Vale do Côa. Uma arqueóloga, desiste museu, , a Sra. Carla Magalhães, pediu-me para lhe ceder material fotográficos alusivo às gravuras rupestres do Vale do Côa, bem como dos 9 concelhos que fotografei. Foram quase 40 Kilos. Já alá vão, quase 20 anos, e ainda não teve a gentileza de mos devolver depois da digitalização.
Todo esse meu trabalho, foi feito, não por razões de compensações materiais, que não tive, mas por amor à fotografia e para contribuir para a divulgação e salvaguarda daquele importante património arqueológico, que, felizmente, viria a ser classificado Património da Humanoide Nomeadamente no jornal regional, ÉCÔA, cujos textos, escritos nas velhas máquinas de escrever, me haveriam de ocupar muitas horas .
Bom, mas o principal intuito deste meu comentário, é felicitar a incitativa de homenagear. o mais importante fotógrafo de S. Tomé e Príncipe. E não esquecer o Marinho Costa. É que, a partir de uma certa atura, quem ia fazer todo o tipo de trabalhos, fora do laboratório, era mais o Marinho Costa de que o Alcântara Pires dos Santos Andrade, visto ele se ocupar mais nas revelações e cópias fotográficas, que lhe tomavam também muito do seu tempo,
Não pude estar no dia da Independência, no 12 de Julho, visto ter sido forçado a partir de canoa, em meados de Março de 1975, rumo à Nigéria, para me libertar das ferozes perseguições e espancamentos, que me moveram alguns colonos por via das minhas reportagens na revista Semana Ilustrada. Ao ponto de furarem à navalhada, por duas vezes, os pneus da minha modesta viatura, além de terem colocado uma forca pendurada à porta de casa, depois de a ter arrombado e me esfaqueado até o colchão.
Tendo sido o 1º jornalista a divulgar as imagens do Massacre do Batepá, que me foram dadas pelo chefe de Redação do Jornal A VOZ DE SÃO TOMÉ e., que se encontravam arquivadas naquele jornal.
Um dia chegou junto de mim, com um molho de fotografias, na esplanada do bar da Pensão Henriques: com esta proposta: Jorge!.. Queres publicar estas fotos na tua revista?! Senão tenho que as deitar fora. , AVOZ DE SÃO TOMÉ não vai publicar nada – Sim, era o jornal do regime e havia caducado após a revolução do 25 de Abril,
Eu aceitei as fotografias, pedi ao Marinho para me fazer umas copias para AS enviar para Luanda para ilustrar alguns dos meus trabalhos. Tendo depois entregue esse espólio na Associação Cívica – Pró-MLSTP, na qual também participei como ativista, não apenas como repórter, mas como ativo dinamizador, fotografando e estimulando os jovens nos mais diversos lugares, além das manifestações.
Que Deus tenham na paz dos justos, estes meus bons amigos, o Alcântara e o Marinho. Gratos pela dispensada – Jorge Trabulo Marques