Foi lançado “O Branco e a Preta”, o mais recente romance do escritor Pedro Siqueira. A obra mergulha nas feridas abertas do passado colonial são-tomense, convidando à reflexão sobre a herança da escravidão e as suas repercussões na sociedade atual.
“O Branco e a Preta” é mais do que um romance — é uma viagem intensa à São Tomé de 1952, um dos períodos mais sombrios da história do país, marcado por repressão, racismo e profundas desigualdades coloniais.
“Quase que inexistentes livros de ficção que falasse dessa história, por isso decidi escrever esse livro que viesse duma forma ou de outra colmatar este défice”, explicou o autor da obra.

Através de uma história de amor proibido, a obra conduz o leitor a uma reflexão sobre as feridas históricas, identitárias e humanas que ainda hoje moldam a sociedade são-tomense.
“Massacre de Batepá, tudo aquilo que aconteceu, então é um livro também que pode ser levado para as escolas para que os jovens possam realmente conhecer de São Tomé e Príncipe e todo esse processo colonial à volta”, considerou a participante no lançamento, Fernanda Costa Alegre.

Este é o quarto romance do escritor e advogado Pedro Sequeira de Carvalho, lançado no espaço CACAU, em São Tomé.
“Foi lançada em primeiro primeira mão na 25ª Feira do livro de Lisboa e também houve um outro lançamento em Portugal fora do quadro da feira do livro e agora este é o terceiro lançamento cá em São Tomé”, disse o autor da obra.
Entre os convidados, o escritor moçambicano Amosse Mucaleve destacou a importância da obra para o entendimento do contexto histórico de São Tomé e Príncipe.
“Este livre também recupera a memória que institucionalmente pouco se fala. É este o papel da literatura de resistir a todas formulas de escapar, de apagar a memória de um país”, destacou.
O lançamento oficial do livro “O Branco e a Preta” terminou com uma dramatização impactante sobre o Massacre de Batepá, protagonizada pelo grupo cultural Demos.
Odjay Ceita