Cultura

São Tomé e Príncipe: memória da escravatura e do trabalho forçado em debate internacional

Não se trata de reabrir feridas, mas de assumir a responsabilidade de compreender o passado e transformá-lo em conhecimento partilhado. Esse é o propósito do primeiro colóquio internacional dedicado à história contemporânea de São Tomé e Príncipe.

A memória, quando silenciada, perpetua injustiças; quando estudada, debatida e partilhada, torna-se um poderoso instrumento de justiça histórica, de reconciliação e de desenvolvimento sustentável”, sublinhou Isabel de Abreu, ministra da Educação, Cultura, Ciência e Ensino Superior.

Sob o lema “Os sentidos da abolição: história da escravatura e do trabalho forçado em São Tomé e Príncipe”, o encontro reúne investigadores de diversas academias internacionais num espaço de reflexão e diálogo histórico.

Com a abolição da escravatura, o trabalho forçado não terminou em São Tomé e Príncipe. Depois disso, milhares de serviçais contratados foram recrutados e importados, primeiro em Angola e, mais tarde, já no início do século XX, também em Moçambique e Cabo Verde”, recordou Gerhard Seibert, investigador do ISCTE, Portugal.

A iniciativa, apoiada pelo Centro de História da Sociedade e da Cultura da Universidade de Coimbra, assinala um momento inédito no estudo estruturado da história recente do arquipélago.

Este colóquio permite-nos conhecer melhor e recordar aquilo que foi um dos regimes mais iníquos criados pela humanidade. Ao lembrá-lo, tornamo-nos capazes de reconhecer que há caminhos que não devem jamais ser trilhados”, destacou José Pedro Paiva, coordenador do Centro de História da Sociedade e da Cultura da Universidade de Coimbra.

Durante séculos, São Tomé e Príncipe ocupou um lugar central nos sistemas de exploração colonial. Milhares de homens e mulheres, arrancados violentamente das suas terras de origem, aqui sofreram, trabalharam, resistiram e deixaram marcas indeléveis na construção da sociedade santomense. Um legado profundo que este colóquio procura analisar, contextualizar e integrar na construção de uma memória coletiva consciente e crítica.

José Bouças

5 Comments

5 Comments

  1. Lucas

    9 de Fevereiro de 2026 at 12:44

    Está tudo moco

  2. Jorge Trabulo Marques

    9 de Fevereiro de 2026 at 13:01

    Fui testemunha desse período Mas ignorado nos debates sobre esta questão – -Sim, quer na roça e mais tarde, como correspondente da revista angolana Semana Ilustrada, após ter narrado as minha aventura de travessia de canoa, de S. Tomé ao Príncipe, que me haveria de custar Barbara repressão nos calabouços da PIDE-DG –
    . O colonialismo foi severo, não apenas para os trabalhadores nas roças, como também para os empregados de mato – Foi essa dura experiência que enfrentei quando fui estagiar para a Roça Uba Budo em S. Tomé, aos 18 anos, em Nov de 1963

    COLONIALISMO EM SÃO TOMÉ – Alto quadro colonial, queixou-se ao Governador do jornalista – ou eu era expulso da ilha ou ele se demitia – Exigência do Presidente do Instituto de Trabalho, Previdência e Acção Social de STP, apelidado de “ Cavalo Branco” – Mas A REVOLUÇÃO DE 25 DE ABRIL já estava na rua e trocou-lhe as voltas- Um dia os colonos, vindos das roças, invadem o Palácio do Governador, insultam o Governador, atual Palácio do Povo, e, mal me viram ao saírem, correm todos atrás de mim: ao ver a porta aberta de um edifício, pude subir pelas escadas acima e escondi-me num telhado. Se me apanhassem ter-me-iam degolado

    Repartição do Gabinete informa que foi posta à disposição do Governo, pelo seu titular. O lugar de Presidente do Instituto de Trabalho e Acão Social, o que não foi aceite, por continuar a merecer a confiança do Governo.

    Mais se comunica, que, sobre a revista publicada no Nº 362, de 29 de Maio de 1974, a folhas 20 da Revista “Semana Ilustrada”, de Angola, foi, para apuramento das responsabilidades que foram devidas, ordenado inquérito, nos termos do artº 414, do Estatuto do Funcionalismo Ultramarino.
    Repartição do Gabinete, em S. Tomé, aos 5 de Junho de 1974 Pelo Chefe do Gabinete
    Eis outro excerto da cópia do ofício que foi enviado para a Semana Ilustrada

    “Da Repartição de Gabinete do Governo de São Tomé e Príncipe, recebemos o seguinte oficio:
    Incumbe-se Sua Excelência o Encarregado do Governo de solicitar, nos termos do art, 414, do E.F.U., a transcrição seguinte comunicado na Revista da mui digna direcção de V. Exa, como mesmo destaque e na mesma página em que a noticia foi publicada;

    Sob o título: “Nós e o Presidente do Instituto de trabalho” , e assinado por Jorge Trabulo Marques, publica o número 366 da revista “SEMANA ILUSTRADA”, um artigo me que se produzem várias afirmações que põem em causa a actuação do actual Presidente do Instituto do Trabalho e Acção Social desta província”
    Depois do 25 de Abril, passei a poder escrever o que antes me estava vedado, porém, só Deus sabe as represálias de que fui alvo: desde pressões para ser expulso de S. Tomé, a bárbaras agressões de alguns colonos , tendo sido forçado a antecipar a minha travessia de canoa de S. Tomé à Nigéria, em Março de 1975. O meu regresso, só o pude fazer, depois da independência do 12 de Julho 1975, num voo militar, para concluir de escalar o Pico Cão Grande e tentar a travessia oceânica de canoa pela rota da escravatura, que acabaria por se saldar num naufrágio de 38 longos dias e noites. –

    Jorge Trabulo Marques

  3. Digno filho da mamã África

    10 de Fevereiro de 2026 at 9:57

    O colonialismo não acabou, ela só mudou de vestementa. Por que os descendentes dos opressores (homem branco e a mulher branca) de hoje continuam a colher os frutos do privilégio criado pelos seus antepassados escravocratas. E o oprimido do passado (homem negro e a mulher negra) continua sendo oprimido até hoje pelo mesmo sistema escravocrata criado no passado e mantido e atualizado pelos seus descendes brancos e uma pequena elite negra que se chama vulgarmente de (escravos de casa) .
    Como podem ver a regra não mudou ela só fui atualizada.

    E o homem negro e a mulher negra que pensa que a regra mudou está enganado, vive no mundo da lua. É preciso tirar as máscaras da ilusão para ver a realidade tal como ela é sem filtros.

    • Abuco Nazaré

      11 de Fevereiro de 2026 at 9:51

      É uma pena continuares a distinguir as pessoas pela cor da pele.

  4. Lucas

    10 de Fevereiro de 2026 at 17:50

    Trabulo bebado

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