Diversos

Discurso do Presidente dos Estados Unidos Barack Obama no Parlamento do Ghana a quando da sua primeira visita a um país da África sub-sahariana

barack.jpgUm discurso interessante para o mundo e para o continente africano em particular- ACCRA, Ghana, July 12, 2009/— Discurso do Presidente Barack Obama ao Parlamento do Ghana Centro Internacional de Conferências de Acra, GhanaO PRESIDENTE: (Som de trombeta.) Gosto muito. Obrigada. Obrigada. Acho
que o Congresso precisa de uma trombeta. (Riso.) Muito bom som. Faz
lembrar o Louis Armstrong. (Riso.)
Boa tarde a todos. É para mim uma enorme honra encontrar-me em Acra e
dirigir-me aos representantes do povo do Gana. (Aplauso.) Estou
profundamente grato pelas boas-vindas que recebi, assim como a
Michelle, a Malia e a Sasha Obama. A história do Gana é rica, as
ligações entre os nossos países são fortes e estou orgulhoso do facto
de esta ser a minha primeira visita a África subsaariana como
Presidente dos Estados Unidos da América. (Aplauso.)

Desejo agradecer à Exma. Presidente do Parlamento e a todos os membros
da Assembleia de Representantes o facto de nos receberem hoje. Desejo
agradecer ao Presidente Mills pela sua excepcional liderança. Aos
Presidentes anteriores — Jerry Rawlings, ex-Presidente Kufuor –
Vice-Presidente, Presidente do Supremo Tribunal de Justiça – obrigado
a todos pela vossa extraordinária hospitalidade e pelas admiráveis
instituições que criaram no Gana.

Dirijo-me a vós no fim de uma longa viagem. Comecei na Rússia, numa
Cimeira entre duas grandes potências mundiais. Viajei para Itália,
para um encontro entre as economias mais fortes do mundo. E vim aqui
ao Gana por uma simples razão: o século XXI será influenciado não só
pelos acontecimentos em Roma, Moscovo ou em Washington, mas também pelo que acontece em Acra. (Aplauso.)

Esta é a pura verdade numa era em que as fronteiras entre os povos não
resistem à força do que nos liga. A vossa prosperidade pode aumentar a
prosperidade da América. A vossa saúde e a vossa segurança podem
contribuir para a saúde e segurança mundiais. E a força da vossa
democracia pode contribuir para o avanço dos direitos humanos em todo
o mundo.

Portanto, não vejo os países e os povos de África como um mundo à
parte. Vejo África como uma parte fundamental do nosso mundo
interligado — (aplauso) — como parceira da América em prol do futuro
que queremos para todos os nossos filhos. Essa parceria deve ter como
base a responsabilidade e o respeito mútuos. E é sobre isso que quero
falar-vos hoje.

Devemos partir do simples princípio de que o futuro de África depende
dos africanos.

Digo isto com plena consciência do trágico passado que por vezes tem
ensombrado esta região do mundo. O facto é que corre sangue africano
dentro de mim e a história da minha família — (aplauso) – família
reflecte, quer as tragédias, quer os triunfos, da história mais ampla
de África.

Alguns de vós sabem que o meu avô era cozinheiro de ingleses no Quénia
e, embora fosse um ancião respeitado na sua aldeia, os patrões
chamaram-lhe rapaz durante quase toda a sua vida. Ele estava na
periferia das lutas pela libertação do Quénia mas, mesmo assim,
naquela época repressiva, esteve preso durante um curto período de
tempo.

No seu tempo, o colonialismo não se resumia à criação de
fronteiras anti-naturais ou de regras de comércio injustas – era algo
vivido pessoalmente, dia após dia, ano após ano.

O meu pai cresceu a pastorear cabras numa pequena aldeia, a uma
distância impraticável das universidades americanas que viria a
frequentar. Tornou-se adulto num momento de extraordinária promessa
para África, quando as lutas da geração do seu próprio pai davam
origem a novas nações, um processo que começou aqui mesmo, no Gana.

(Aplauso.) Os africanos estavam a educar-se e a afirmar-se de novas
maneiras e a História avançava. Mas, apesar do progresso realizado – e tem havido um progresso
considerável em muitas regiões de África – também sabemos que grande
parte dessa promessa ainda não se tornou realidade.

Países como o
Quénia que, quando eu nasci, tinham uma economia per capita mais
importante do que a da Coreia do Sul, foram já largamente
ultrapassados.

A doença e os conflitos dizimaram regiões do continente
africano. Em muitos locais, a esperança sentida pela geração do meu pai deu
lugar ao cinismo e, mesmo, ao desespero. É fácil apontar o dedo e
atribuir a culpa por estes problemas aos outros. Sim, um mapa colonial
que fazia pouco sentido contribuiu para gerar conflitos. O Ocidente
tem muitas vezes tratado África com paternalismo, ou como fonte de
recursos, e não como parceiro. Mas o Ocidente não é responsável pela
destruição da economia do Zimbabué na última década, nem pelas guerras
em que crianças são utilizadas como combatentes.

Durante a vida do meu
pai, foram em parte o tribalismo, o favoritismo e o nepotismo num
Quénia independente que durante muito tempo destruíram a sua carreira,
e sabemos que este tipo de corrupção é ainda hoje um facto corrente da
vida diária de demasiadas pessoas.

Claro, também sabemos que há outros factores. Aqui, no Gana, vemos uma
face de África demasiadas vezes ignorada por um mundo que apenas vê a
tragédia ou a necessidade de caridade. O povo do Gana tem trabalhado
arduamente para estabelecer a democracia em bases sólidas e procedeu a
várias transferências pacíficas de poder mesmo depois de eleições
muito disputadas. (Aplauso.) E deixem-me dizer que a minoria merece
tanto crédito por esse facto como a maioria. (Aplauso.) E, com uma
governação melhorada e uma sociedade civil emergente, a economia do
Gana demonstrou índices de crescimento notáveis. (Aplauso.)
Este progresso pode não ter a espectacularidade das lutas de
libertação do séc. XX, mas uma coisa é certa: em última análise, terá
resultados mais significativos, pois se é importante deixar de ser
controlado por outras nações, é mais importante ainda construirmos a
nossa nação.

Assim, acredito que este momento é tão promissor para o Gana – e para
África – como foi aquele momento em que o meu pai atingiu a maioridade
e em que nasciam novas nações. Este é um novo momento de grande
promessa. Só que, entretanto, aprendemos que não serão grandes vultos
como Nkrumah e Kenyatta que determinarão o futuro de África. Na
verdade, esse futuro será determinado por vós – homens e mulheres no
Parlamento do Gana — (aplauso) — e as pessoas que representais. Serão
os jovens – a transbordar de talento, energia e esperança – que
poderão reclamar o futuro que tantos outros, em gerações anteriores,
nunca chegaram a realizar.

Mas para que essa promessa se cumpra precisamos, em primeiro lugar,
de reconhecer a verdade fundamental que no Gana se tornou uma
realidade visível: o desenvolvimento depende da boa governação.
(Aplauso.) É esse o ingrediente que falta, há demasiado tempo, em
tantos locais. É essa a mudança que pode despoletar o potencial de
África. E essa é uma responsabilidade que apenas os africanos poderão
assumir.

No que respeita à América e aos países ocidentais, o nosso
envolvimento deve ser medido por mais do que apenas os dólares que
gastamos. Comprometi aumentos substanciais em ajuda a países
estrangeiros, o que vai de encontro aos interesses de África e aos
interesses da América. Mas o verdadeiro sinal de sucesso não é se
somos uma eterna fonte de ajuda que permite a mera sobrevivência das
pessoas – é se somos realmente parceiros no desenvolvimento de
capacidades que possibilitem a implementação de uma mudança
transformadora. (Aplauso.)

Esta responsabilidade mútua deve constituir a fundação da nossa
parceria. Hoje centrar-me-ei em quatro temas que são cruciais para o
futuro de África e de todas as regiões do mundo em vias de
desenvolvimento: democracia, oportunidade, saúde e a resolução
pacífica de conflitos.

Em primeiro lugar, devemos apoiar governos democráticos fortes e
sustentáveis. (Aplauso.)

Como afirmei no Cairo, cada nação dá vida à democracia de uma forma
específica e de acordo com as suas tradições. Mas a história
oferece-nos um veredicto claro: os governos que respeitam a vontade do
seu povo, que governam pelo consentimento e não pela coerção, são mais
prósperos, mais estáveis e mais bem-sucedidos do que os governos que
não o fazem.

Trata-se de algo que vai para além da simples realização de eleições
– tem a ver com o que se passa no período entre eleições. (Aplauso.) A
repressão pode manifestar-se de diversas formas e em demasiadas
nações, mesmo aquelas que realizam eleições, são afligidas por
problemas que condenam os seus povos à pobreza.

Nenhum país cria
riqueza se os seus líderes exploram a economia para se enriquecerem a
si próprios
(aplauso) – ou se a polícia – se a sua polícia é passível de ser
comprada pelos narcotraficantes. (Aplauso.) Não há empresa que queira
investir num local onde o governo, à partida, retém 20 por cento dos
lucros, — (aplauso) — ou onde o director das Autoridades Portuárias é
corrupto. Ninguém deseja viver numa sociedade em que o Estado de
direito é preterido a favor da brutalidade e do suborno. (Aplauso.)
Isso não é democracia; isso é tirania, mesmo se de vez em quando se
realiza uma ou outra eleição . E chegou o momento de pôr cobro a este
tipo de governação. (Aplauso.)

No séc. XXI a chave do sucesso são as instituições competentes,
fiáveis e transparentes – parlamentos fortes e forças policiais
honestas; juízes e jornalistas independentes; — (aplauso); uma
imprensa independente; um enérgico sector privado; uma sociedade
civil. (Aplauso.) São estes os factores que dão vida à democracia
porque são eles que têm importância na vida diária das pessoas.
Uma e outra vez, o povo do Gana escolheu a lei constitucional em vez
da autocracia e evidenciou um espírito democrático que permite que a
energia do vosso povo se faça sentir. (Aplauso.)

Vemos esse espírito
em líderes que aceitam a derrota com dignidade – o facto de os
opositores ao Presidente Mills estarem a seu lado ontem à noite para
me dar as boas-vindas quando saí do avião foi um gesto muito
representantivo do espírito que se vive no Gana — (aplauso);
vencedores que resistem aos apelos para fazer valer o seu poder contra
a oposição de formas desonestas. Vemos esse espírito em jornalistas
corajosos como Anas Aremeyaw Anas, que arriscou a sua vida para contar
a verdade.

Vemo-lo em agentes da polícia como Patience Quaye, que
ajudou a processar judicialmente o primeiro traficante de pessoas do
Gana. (Aplauso.)

Vemo-lo nos jovens que levantam a voz contra o
favoritismo e participam no processo político.
Por toda a África, temos visto muitos exemplos de pessoas que tomam
as rédeas do seu destino e iniciam o processo de mudança a partir da
base. Vimo-lo no Quénia, onde a sociedade civil e o sector empresarial
se juntaram para ajudar a pôr fim à violência pós-eleitoral.

Vimo-lo na África do Sul, onde mais de três quartos do país votou nas eleições
recentes – as quartas desde o final do Apartheid. Vimo-lo no Zimbabué,
onde a Rede de Apoio às Eleições enfrentou corajosamente uma repressão
brutal na defesa do princípio de que o voto é o sagrado direito de
cada um.
Não tenhamos dúvidas: a História está do lado destes corajosos
africanos e não daqueles que fazem golpes de Estado, ou alteram as
Constituições, para se manterem no poder. (Aplauso.) África não
precisa de indivíduos poderosos mas, sim, de instituições fortes.
(Aplauso.)

A América não procurará impor qualquer sistema de governo a qualquer
outra nação. A verdade essencial da democracia é que cada nação
determina o seu próprio destino. Mas o que a América fará é aumentar a
ajuda a indivíduos responsáveis e instituições responsáveis e o nosso
foco é o apoio à boa governação – aos parlamentos, que fazem frente
aos abusos de poder e asseguram que as vozes da oposição sejam ouvidas
— (aplauso); ao Estado de direito, que assegura uma administração de
justiça igualitária; à participação cívica, de forma a que os jovens
participem; e a soluções concretas que contrariam a corrupção, como a
contabilidade forense e a informatização dos serviços — (aplauso) –, o
reforço de linhas directas (hotlines) e a protecção de delatores, de
modo a promover a transparência e a responsabilização.

E oferecemos este apoio. Incumbi a minha Administração de dar mais
ênfase à corrupção nos nossos relatórios sobre os Direitos Humanos.
Todas as pessoas, em qualquer parte do mundo, devem ter o direito de
abrir um negócio ou de obter uma educação sem ter que subornar
ninguém. (Aplauso.) Temos a responsabilidade de apoiar aqueles que
agem de forma responsável e de isolar os que não actuam dessa forma, e
é exactamente isso que a América fará.

Esta questão conduz-nos directamente à nossa segunda área de
parceria: apoiar o desenvolvimento que abre oportunidades a mais
pessoas.

Não tenho dúvidas de que, com uma melhor governação, África oferece a
promessa de uma base mais alargada de prosperidade. Veja-se o
extraordinário sucesso dos africanos no meu país, a América. Estão a
sair-se muito bem. Têm o talento, têm o espírito empreendedor. A
questão que se coloca é: como podemos assegurar que também tenham
sucesso nos seus países de origem? O continente é rico em recursos
naturais e, desde empresários de telefonia móvel aos pequenos
agricultores, os africanos têm demonstrado a sua capacidade e o seu
empenho em criar as suas próprias oportunidades. Mas há também que
quebrar os velhos hábitos.

A dependência de produtos básicos – ou de
um único artigo de exportação – tende a concentrar a riqueza nas mãos
de uns poucos e deixa os países demasiado vulneráveis aos períodos de
declínio económico.

No Gana, por exemplo, o petróleo traz grandes oportunidades e o povo
do Gana tem sido muito responsável na sua preparação para as novas
receitas. Mas como muitos ganenses bem sabem, o petróleo não pode
simplesmente transformar-se no novo cacau. Da Coreia do Sul a
Singapura, a história mostra que os países se desenvolvem quando
investem no seu povo e na sua infra-estrutura – – (aplauso); quando
promovem múltiplas indústrias de exportação e desenvolvem uma
mão-de-obra especializada e quando criam espaço para pequenas e médias
empresas criadoras de emprego.

À medida que os africanos tentam realizar este potencial, a América
estenderá a mão de uma forma mais responsável. Reduzindo os custos que
acabam nas mãos de consultores e administradores, queremos colocar
mais recursos nas mãos daqueles que precisam deles, formando-os
simultaneamente para serem mais auto-suficientes. (Aplauso.)

É por
essa razão que a nossa iniciativa de mil milhões de dólares para a
segurança alimentar, se centra em novos métodos e novas tecnologias
para agriculturores – e não apenas no envio de produtores americanos
ou de mercadorias para África. A ajuda não é um fim em si mesmo. O
objectivo da ajuda estrangeira deverá ser a criação de condições que
levem a que esta deixe de ser necessária. Quero ver os ganenses
tornar-se não só auto-suficientes em termos de alimentação; quero
ver-vos a exportar produtos alimentares para outros países e a ganhar
dinheiro. Vocês são capazes. (Aplauso.)

Por outro lado, a América também pode ser mais activa na promoção do
comércio e do investimento. As nações ricas devem, de uma forma mais
significativa, abrir as portas aos produtos e serviços provenientes de
África. Esta administração empenhar-se-á nisso. E, onde existe boa
governação, podemos aumentar a prosperidade através de parcerias
públicas e privadas que invistam em melhores estradas e em
electricidade; no desenvolvimento de capacidades que ensinem as
pessoas a iniciar os seus próprios negócios; e em serviços financeiros
que cheguem não só às cidades mas também às zonas pobres e rurais.
Isto vem também ao encontro dos nossos interesses – pois se as pessoas
conseguirem sair da situação de pobreza e criar riqueza em África,
sabem o que acontece? Abrem-se novos mercados para os nossos produtos.
Portanto é bom para ambos.

Um sector que implica um perigo inegável ao mesmo tempo que oferece
uma extraordinária promessa é o da energia. A África produz menos
gases de estufa do que qualquer outra região do mundo mas é o
continente mais ameaçado pelas mudanças climáticas. O aquecimento do
planeta levará ao alastrar de doenças, à diminuição de recursos
hídricos e à fragilização das colheitas, criando condições que
produzem mais fome e mais conflito.

Todos nós – em particular o mundo
desenvolvido – temos a responsabilidade de reduzir o ritmo destas
tendências – quer através de uma diminuição, quer de uma mudança, no
que respeita à utilização de energia. Mas também podemos cooperar com
os africanos com vista a transformar esta crise numa oportunidade.
Juntos podemos colaborar em prol do nosso planeta e da prosperidade,
bem como ajudar países a aumentar o acesso à energia evitando,
saltando sobre a fase mais suja do desenvolvimento.

Pensem nisto: em
toda a África há uma abundância de energia eólica, solar e geotérmica,
bem como de biocombustíveis. Do Vale Rift aos desertos do Norte de
África; da costa ocidental às colheitas da África do Sul – os recursos
naturais ilimitados de África podem gerar energia para o próprio
continente e, ao mesmo tempo, este poderá exportar energia verde
lucrativa para o estrangeiro.

Estes passos implicam mais do que simples números de crescimento num
balanço financeiro. Determinam se um jovem com formação consegue um
emprego que lhe permita sustentar a família; se um agricultor pode
transportar os seus produtos para o mercado; ou se um empresário que
tem uma boa ideia pode formar uma empresa. Têm a ver com a dignidade
do trabalho. Têm a ver com a oportunidade que deve existir para os
africanos do séc. XXI.

Tal como a governação é um elemento vital para a oportunidade, também
é crucial para o terceiro tema de que quero agora falar – o reforço da
saúde pública.

Nestes últimos anos houve um enorme progresso em certas regiões de
África. Tem vindo a crescer o número de pessoas que têm uma vida
produtiva apesar de sofrerem de VIH-SIDA e que obtêm os medicamentos
de que necessitam. Acabei de visitar uma clínica e um hospital
maravilhosos dedicados sobretudo à saúde materna. Mas ainda há
demasiadas pessoas que morrem de doenças que já não deviam matá-las.
Quando há crianças que morrem devido a uma picada de mosquito, e mães
que morrem durante o parto, sabemos que há ainda mais progresso a
realizar.

No entanto, devido aos incentivos – – frequentemente oriundos de
nações doadoras – – Demasiados médicos e enfermeiras de África vão
para o estrangeiro, o que é compreensível, ou trabalham para programas
centrados numa única doença. Este facto cria falhas nos cuidados
primários e na prevenção básica. Por outro lado, as pessoas de África
também têm que dar a sua contribuição.

As pessoas devem fazer opções
responsáveis que evitem a propagação da doença e promovam a saúde
pública nas suas comunidades e nos seus países.
Assim, por toda a África vemos exemplos de pessoas que enfrentam
estes problemas. Na Nigéria, uma iniciativa inter-religiosa de
cristãos e muçulmanos deu um exemplo de cooperação para o combate à
malária.

Aqui no Gana, e por toda a África, vemos surgir ideias
inovadoras com vista a preencher lacunas nos cuidados médicos – – por
exemplo, através de iniciativas E-Saúde que permitem aos médicos das
grandes cidades dar apoio aos médicos que vivem em cidades pequenas.

A América apoiará estes esforços através de uma estratégia de saúde
abrangente e global, porque no séc. XXI somos chamados a actuar de
acordo com a nossa consciência e também com os interesses que temos em
comum pois quando uma criança morre em Acra de uma doença que se pode
evitar, esse facto diminui-nos em todo o mundo. E quando a doença não
é controlada em qualquer local do planeta, sabemos que pode
propagar-se através de oceanos e continentes.

É este o motivo pelo qual a minha Administração consignou 63 mil de
milhões de dólares para responder a estes desafios — $63 mil milhões.
(Aplauso.) Tendo como base os esforços significativos do Presidente
Bush, continuaremos a luta contra o VIH/SIDA. A nossa meta é por fim à
morte devido à malária e à tuberculose, assim como nos esforçaremos
para erradicar a poliomielite. (Aplauso.) Lutaremos – – lutaremos
contra as doenças tropicais negligenciadas. E não combateremos doenças
isoladamente – investiremos em sistemas de saúde pública que promovam
o bem-estar e focaremos a nossa atenção na saúde de mães e crianças.
(Aplauso.)

Ao trabalharmos em parceria em prol de um futuro mais saudável
devemos também pôr fim à destruição que resulta não da doença, mas da
acção dos seres humanos – – e, deste modo, o último tema de que passo
a falar é o conflito.

Deixem-me ser claro: África não se resume à simples caricatura de um
continente perpetuamente em guerra. Mas, se formos honestos
reconhecemos que para demasiados africanos o conflito faz parte da
vida, tão constante como o sol. Há guerras em torno de terras e
guerras por recursos. E ainda é muito fácil para aqueles que não têm
consciência manipular comunidades inteiras e levá-las a combater entre
tribos e crenças religiosas diferentes.

Estes conflitos são uma pedra à volta do pescoço de África. Todos nós
temos várias identidades – tribais, étnicas, religiosas e de
nacionalidade. Mas definirmo-nos por oposição a outra pessoa que
pertence a uma tribo diferente, ou que presta culto a um profeta
diferente, é algo que não tem lugar no séc. XXI. (Aplauso.)

A diversidade de África deveria ser uma fonte de riqueza e não um motivo
para divisões. Somos todos filhos de Deus. Todos nós partilhamos
aspirações comuns – viver em paz e em segurança; ter acesso à educação
e à oportunidade; amar as nossas famílias, as nossas comunidades e a
nossa fé.

É isto que constitui a nossa humanidade comum.
Por isso mesmo devemos levantar-nos contra a desumanidade praticada
entre nós. Nunca é justificado – – nunca é justificável alvejar
inocentes em nome de uma ideologia. (Aplauso.)

Obrigar crianças a
matar em guerras é a sentença de morte de qualquer sociedade. É um
sinal irrevogável da criminalidade e da cobardia condenar as mulheres
à violentação sistémica e implacável. É nosso dever prestar testemunho
ao valor de todas as crianças em Darfur e à dignidade de todas as
mulheres no Congo. Nenhuma fé, nenhuma cultura deve perdoar as
brutalidades exercidas contra elas. Todos nós devemos lutar pela paz e
pela segurança necessárias ao progresso.

Os africanos estão a lutar por este futuro. Também aqui, no Gana,
vemos como ajudam a apontar para a direcção do caminho em frente. Os
ganenses devem estar orgulhosos das suas contribuições para a
manutenção da paz, do Congo à Libéria e ao Líbano — (aplauso) –, e
pelos esforços feitos no sentido de combater o flagelo do
narcotráfico. (Aplauso.)

Congratulamo-nos com os passos que estão a
ser dados por organizações como a União Africana e a CEDEAO que visam
uma melhor resolução dos conflitos, a manutenção da paz e o apoio aos
necessitados. E encorajamos a visão de uma arquitectura de segurança
regional forte, apoiada por forças transnacionais eficazes.
A América tem a responsabilidade de colaborar convosco como parceira
no sentido de fazer progredir esta visão, não só com palavras, mas com
um apoio que reforce as capacidades de África.

Quando se pratica o
genocídio em Darfur, ou existem terroristas na Somália, estes não são
problemas apenas africanos – são desafios à segurança global que
exigem uma resposta a nível global.

E é por esse motivo que estamos prontos a colaborar por meio da
diplomacia e de assistência técnica, e de apoio logístico, e
apoiaremos os esforços para punir os criminosos de guerra. E serei
claro: o nosso Comando para África tem como foco não o estabelecimento
de uma base de operações no continente, mas sim o combate a estes
desafios comuns com vista a aumentar a segurança da América, da África
e do mundo. (Aplauso.)

Em Moscovo falei sobre a necessidade de um sistema internacional que
respeite os direitos universais dos seres humanos e se oponha às
violações desses direitos. Tal sistema deverá ter como base o
compromisso em apoiar os que resolvem pacificamente os conflitos,
sancionar e impedir aqueles que não o fazem, e ajudar aqueles que
sofreram.

Mas, em última análise, serão as democracias sólidas, como o
Botswana e o Gana, que reduzirão as causas de conflitos e farão
avançar as fronteiras da paz e da prosperidade.
Como afirmei há pouco, o futuro de África depende dos africanos. Os
povos de África estão prontos a reivindicar esse futuro. E no meu
país, os afro-americanos – entre estes muitos imigrantes recentes –
têm tido sucesso em todos os sectores da sociedade. Fizemo-lo apesar
de um difícil passado e fomos buscar forças à nossa herança africana.
Sei que com instituições sólidas e uma grande determinação os
africanos podem viver os seus sonhos em Nairóbi e Lagos, Kigali,
Kinshasa, Harare e aqui mesmo em Acra. (Aplauso.)
Sabem, há cinquenta e dois anos os olhos do mundo concentravam-se no
Gana e um jovem pregador chamado Martin Luther King viajou até aqui, a
Acra, para ver a Union Jack descer e a bandeira do Gana ser hasteada.
Isto ocorreu antes da marcha até Washington e antes do sucesso do
movimento de direitos civis no meu país. Perguntaram ao Dr. King como
se sentira ao ver nascer uma nova nação. E ele disse: Renova a minha
convicção no irrevogável triunfo da justiça.
Agora esse triunfo tem que ser alcançado mais uma vez e tem que ser
ganho por vós. (Aplauso.) Dirijo-me em particular aos jovens em toda a
África e aqui no Gana. Em países como o Gana os jovens reprensentam
mais de metade da população.

E eis o que devem ter em mente: o mundo será aquilo que dele fizerem.
Têm o poder de responsabilizar os vossos líderes e de formar
instituições que sirvam o povo. Podem servir as vossas comunidades e
canalizar a vossa energia e educação para criar nova riqueza e
construir novas ligações ao mundo. Podem ganhar a luta contra a
doença, e pôr fim aos conflitos, e accionar a mudança a partir das
bases. Podem fazer tudo isso. Sim, podem — (aplauso) — porque, neste
momento, a história está a avançar.

Mas tudo isso só poderá ser feito se todos assumirem a
responsabilidade pelo vosso futuro. Não será uma tarefa fácil. Exigirá
tempo e esforço. Haverá sofrimento e contrariedades. Mas posso
prometer-vos o seguinte: a América estará do vosso lado em cada etapa
– – como um parceiro, como um amigo. (Aplauso.)

No entanto, a
oportunidade não virá de nenhum outro lugar – terá que originar das
decisões que todos vós tomarem, daquilo que realizarem e da esperança
que existe nos vossos corações.
Gana, a liberdade é a vossa herança. Agora, cabe-vos a
responsabilidade de construir algo alicerçado nessa liberdade. E se o
fizerem, no futuro olharemos para locais como este e diremos que este
foi o momento em que a promessa foi cumprida – este foi o momento em
que a prosperidade foi forjada, que o sofrimento foi superado e em que
foi iniciada uma nova era de progresso. Este pode ser o tempo em que
somos, uma vez mais, testemunhas do triunfo da justiça. Sim podemos.
Muito obrigado. Deus vos abençoe. Obrigado. (Aplauso.) Obrigado.

FIM            1:10 P.M. GMT

SOURCE
A CASA BRANCA

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