Economia

Possível desaparecimento de banana “um verdadeiro desastre” para o mundo, diz FAO

Agência da ONU alerta para impactos sociais e econômicos de uma doença que afeta plantações de bananas e pode se alastrar; Colômbia é o primeiro país a notificar o TR4 na América Latina; coordenador sub-regional da FAO para América Central diz que “notícia não é boa” para o Brasil.

As bananas são as frutas frescas mais comercializadas do mundo e fonte essencial de emprego e renda para milhares de famílias nos países em desenvolvimento.

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, diz que as bananeiras chegam a representar 75% da renda mensal de pequenos agricultores, em alguns casos.

O TR4 danifica as raízes e os caules da planta e, embora não seja prejudicial à saúde humana, pode levar a 100% de perdas da produtividade. Foto: FAO/Fazil Dusunceli

Exportação
Por isso que uma doença que afeta as plantações de banana está preocupando especialistas da FAO e agricultores. Ela está sendo descrita como “a maior ameaça global à produção de banana”.

Milhões de pessoas dependem da banana para sobreviver, que é um alimento essencial, fonte de renda familiar e receitas de exportação.

A doença é causada pelo Tropical Race 4, TR4, que é o tipo mais recente do fungo Fusarium oxysporum f. sp. Cubense. Ela afeta a produção de diversas variedades de plátanos e bananas. O TR4 danifica as raízes e os caules da planta e pode levar a 100% de perdas da produtividade.

Em agosto, a doença foi detectada na Colômbia. O país declarou emergência nacional e o Instituto Colombiano Agropecuário, ICA, colocou 175 hectares de fazendas de banana em quarentena.

Riscos
Falando à ONU News da Cidade do Panamá, o coordenador sub-regional da FAO para a América Central, Adoniram Sanches, explicou que é importante frisar que o TR4 não tem consequência nenhuma para o consumo humano.

Mas segundo ele, a doença pode se disseminar facilmente e muito rápido, permanecendo no solo por até 20 anos. “Pensar numa dieta, por exemplo, aqui na região onde eu trabalho, centro-americana, de oito países, sem a banana seria um verdadeiro desastre, porque as famílias dependem muito desse consumo. Então, seria um impacto muito grande num país que já tem uma luta constante contra a insegurança alimentar e a fome.

O segundo impacto é econômico. Se você toma o caso do Equador, onde aproximadamente a exportação soma mais de US$ 3 bilhões, e são mais de 2,5 milhões de trabalhadores no setor, 17% da população economicamente ativa do Equador vive da banana, vive da produção do plátano. Na América Central também, a exportação da banana é importante. Então, o impacto econômico também seria bastante desastroso para a economia destes países.”

Em vários países da Ásia e da África, o TR4 já provocou perdas significativas na produção de bananas. Foto: Kate Bacungco/Banco Mundial
Em vários países da Ásia e da África, o TR4 já provocou perdas significativas na produção de bananas.

Contaminação
Sanches aponta que, devido ao medo da contaminação, o TR4 afeta até mesmo a exportação de países que não apresentam a doença, mas que estão próximo de Estados com casos do fungo. Ele alerta que se a doença se espalhar, terá impactos arrasadores para os agricultores e suas famílias em toda a região.

“No Brasil, a notícia não é boa porque o que caracteriza esse fungo é como ele se transmite. Ele vai pelo vento, pela água, umidade da chuva. Então, a pergunta é como ele chegou à Colômbia, aqui do outro lado do continente desde a Indonésia e Tailândia. Ele vai também por equipamentos agrícolas. Então, em países de economia aberta como os nossos países, inclusive o Brasil, onde se troca muitos equipamentos agrícolas nos aviões, de lá para cá, está muito exposto. Hoje, com essa situação no norte da Colômbia, que é muito perto da fronteira com a Venezuela, com o Brasil, todo o cuidado está sendo tomado. Nós como brasileiros, vemos o que tem de banana nas esquinas, banana no supermercado, pensar este mundo sem banana para nós seria muito difícil. O impacto seria bastante grande.”

Projeto
O especialista da FAO lembrou que a agência tem escritórios em mais de 160 países e atua para evitar que o problema se espalhe. Sanches destacou que é importante não gerar um “alarme desnecessário” e que existem medidas de defesa sanitária disponíveis que podem conter a disseminação da doença.

A FAO já lançou um projeto de emergência para ajudar os países da América Latina e do Caribe. A iniciativa também visa apoiar uma maior colaboração e troca de experiências entre os países da região.

Entre as ações promovidas, estão a implementação de medidas preventivas e fitossanitárias apropriadas, estabelecimento do ambiente regulatório adequado, conscientização dos agricultores, colaboração entre as várias partes interessadas, envolvimento com o setor privado e pequenos agricultores, apoio ao aumento da biodiversidade, aperfeiçoamento do uso efetivo dos recursos genéticos, desenvolvimento de programas de gerenciamento e a melhora do monitoramento e das ações iniciais contra doenças.

Em nível internacional, a agência da ONU está estabelecendo uma rede global em relação ao TR4 no âmbito do Fórum Mundial das Bananas.

A rede ajudará a coordenar ações e a disseminar consultoria técnica de órgãos especializados.

A banana é indicada para dietas por ser rica em potássio e fibras. De acordo com a FAO, se consumidas regularmente, elas ajudam a regular a pressão arterial e controlar o coração.

Pessoas que comem alta quantidade de potássio têm 27% menos risco de desenvolver doenças do coração.

PARCERIA – Téla Nón / Rádio ONU

    2 comentários

2 comentários

  1. Crisotemos Café

    15 de Outubro de 2019 as 15:40

    Se isto chegar cá, estamos lixados. E agora que nem matabala existe em quantidade? Muita fofome. Bem que há arroz de 13 patacas

  2. Ralph

    23 de Outubro de 2019 as 5:57

    É muito difícil imaginar um mundo sem a banana. Por isso, espero que os cientistas e os agricultores consigam superar a doença, assegurando que o mundo continuará a ter uma fonte muito importante de alimentação e rendimento.

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