Economia

Governo atrasou na importação do “CuSO4” e o cacau de qualidade queimou

São Tomé e Príncipe vai registar grande baixa da produção de cacau de alta qualidade produzida por um grupo de 22 comunidades agrícolas.

São comunidades que pertenciam a duas grandes antigas empresas agrícolas, nomeadamente Água Izé e Uba Budo. As 22 comunidades estão agrupadas na CECAQ 11 (cooperativa de exportação de cacau de qualidade).

Os agricultores da roça Monte Belo, integram a CECAQ 11. Eles denunciaram a drástica redução da produção do cacau de alta qualidade nas 22 comunidades agrícolas. Segundo os agricultores o desastre que está a acontecer nas suas parcelas tem a ver com a falta do sulfato de cobre (CuSO4), no mercado nacional, sobretudo nos três meses da estação seca, a chamada gravana.

O Ministério da Agricultura não importou o sulfato de cobre a tempo do cacauzal ser protegido, contra o míldio. «Em todos os anos fazemos o tratamento preventivo com o sulfato de cobre. Mas neste ano o nosso stock de sulfato esgotou, e houve um atraso na importação do produto. Só recebemos o sulfato no mês de Agosto», afirmou Belmiro de Pina.

No terreiro da Roça Monte Belo, antiga dependência de Água Izé, Belmiro de Pina enquanto Presidente da Comunidade agrícola e gestor da CECAQ 11, explicou para o Téla Nón, porque razão a importação do sulfato de cobre em Agosto último, não conseguiu salvar a produção do cacau de alta qualidade.

«Nós temos que aplicar a primeira dose de sulfato no cacauzal no mês de Maio. A segunda dose é aplicada entre os meses de junho e julho, e a terceira dose é aplicada no início de outubro. Isso não aconteceu. O sulfato chegou aqui em Agosto, quando o míldio já estava a atacar as plantas», detalhou o gestor da comunidade.

Segundo Belmiro de Pina, o CuSO4(sulfato de cobre), funciona como uma vacina para o cacauzal. Quando é aplicado atempadamente, evita que o míldio destrua a produção.

«A produção está a baixar e vai baixar muito mais. Em Outubro do ano passado, colhemos 6 toneladas de cacau. Mas este ano e no mesmo período só conseguimos colher 2600 quilos(duas toneladas e 600 quilos) de cacau. Tudo porque não foi aplicado o sulfato a tempo e hora», pontuou Belmiro de Pina.

O gestor da cooperativa de Monte Belo, anunciou que no ano passado, a sua comunidade produziu 63 toneladas de cacau de alta qualidade. Mas para este ano o cenário é de desastre. O cacau de alta qualidade mudou de cor. As cápsulas estão pretas. A maior parte do cacau está queimado.

Manuel da Silva(na foto), agricultor conhecido em Monte Belo como maior produtor de cacau na comunidade, confirmou o prejuízo que está a ter e que põe em causa o sustento da sua família. «Neste período do ano(Agosto, Setembro e Outubro), mensalmente eu produzo entre 500 à 600 quilos de cacau. Mas neste ano e no mesmo período, só tenho conseguido cerca de 200 quilos por mês», frisou.

Cacau de alta qualidade de São Tomé e Príncipe e produzido pelas comunidades agrícolas, deu prestígio e reconhecimento ao país no mercado internacional. É fonte do melhor chocolate do mundo.

No entanto boa parte da produção para este ano já foi destruída pelo míldio, porque o Governo não colocou o CuSO4(sulfato de cobre) a tempo, nas mãos dos produtores de qualidade.

Abel Veiga

    11 comentários

11 comentários

  1. PUMBU

    1 de Novembro de 2019 as 9:29

    Mas entao pergunto:
    Porque eh que andam a elogiar tanto o ministro da agricultura nas redes sociaias??? Este facto demonstra a miopia na gestao neste sector chave!

  2. Madiba

    1 de Novembro de 2019 as 10:03

    Quando se preocupa demasiado com importação de combustível e arroz; coisas como agricultura, saúde e educação sofre as consequências gravíssimas. Principalmente nos países com deficiência no planeamento, ou se existe não serve simplesmente os interesses da nação. Mas fico com a sensação que isto em Cabo Verde não tem lugar! E Ruanda também. São apenas dois casos africanos de sucesso da governação e sem recursos naturais que se conheça.

  3. Vanplega

    1 de Novembro de 2019 as 19:16

    Uma grande inresponsabilidades.

    Quem vai pagar a factura desse prejuizo. Vai senhor ministro, perder o seu cargo?

    Ou vai correr ba agua do bacalhau? Coisa de Sao Tome e Principe

    So visto

  4. ZECA PITEU

    3 de Novembro de 2019 as 5:21

    Ate considero esta noticia algo de certo modo caricato visto que o govérno pode e deve importar produtos fitofarmacos para agricultura mas as “cooperativas” CECAB e CECAQ11 Sao sustentaveis palavras dias pelo diretor executive da CECAB. Se è sustentavel deve elas mesmas importar os produtos e for necessario aos seus cliente visto nao se trata nada de cooperativa mas sim um grupo de sanguessugas armados em espero e estao a Explorar esses coitado analfabetos que mal entendem das contas.
    Isso è um novo modelo de exploracao do homem pelo homem nos tempos modernos uma causa que os santomenses sempre lutaram e eis a genes e da luta pela independencia.
    Ora vejamos è descansado a cada cliente de ditos membros da cooperativa Dbs 1,0 do cacau convertido em seco para pagar os gestures, dbs 1,0 para atividades de manutensao dos seca dores, dbs 1,0 para fundo das associacoes cuja finalidade desconhece o k sabemos è k as motos dos sociotecnicos e carros Sao comprados com fundo das associacoes sem que os mesmos possam saber è so assinar documentos dbs 1,0 para fundo social onde compram medicamentos em caso de doenca ou caixao em caso de morte. Tudo isso sai dos bolsos do agricultor afinal o k a cooperativa de aos agricultureS em beneficio?
    A cooperativa aproveita dos produtos adquiridos pelo estado e subvenciona as cooperatives e estes dizem enganando os agricultores k è a cooperativa k compra e vende mais barato a eles. Porque k isso nao acontece com CEPIBA pk la tem jurista e outras pessoas lucidaS nao caiam nessa roubalheira por essa razao as cooperatives de cacau nao admitem pessoas espertas nas cooperatives de modo Explorerem os coitado. Se estes coitados constituirem um advogado e colocar a “cooperativa” no tribunal muita agua corria debaixo da ponte.
    Porque as cooperatives nao praticam o credito de campanha agricola com o fundo das associacoes k sao suas contribuicoes?

    Se Sao vossas associadoS e fazem barulho k estes nao vendam cacau ao vosso concurrence exp SATOCAO deviam ter confianca neles mas o caso da cooperativa è so CACAU. Vamos ser serios.

    Agricultor abre o olho, tempo de EXPLORACAO ja acabou e nao podemos aceitar este tipo de comportamento nos tempos de HOJE. Chamamos atencao do Governo com essa barbaria.

    AI VAI MINHA TERRA

  5. Manuel do Rosario

    3 de Novembro de 2019 as 7:03

    Pelos aspectos de produção ora apresentados na foto pelos cacaueiros, não aparentam terem produzidos em quantidade, não obstante o mildio que os tenha atacado para se justificar a baixa de produção a escala mencionada. No entanto se é o apanágio pulverizar três vezes ao ano, o pessoal responsável pela importação destes produtos deveria conhecer a ruptura do stock para se antecipar evitando assim o êxodo desta epidemia e que não tem que ser necessariamente atribuir a culpa ao Ministro de Agricultura.

  6. Metido a Besta

    3 de Novembro de 2019 as 14:40

    AS Pessoas tem a tendencia de ouvir e sem analizar a questao partem para critica.

    Que culpa tem o ministro de agricultura se tomou posse como governante de um pais com pouco mais de 2 meses de reserva cambiar para importacao quando a media seria de 6 meses.

    Com apenas 2 meses de reserva cambiar para importacao muita coisa sera suprimida ate que haja a maior capacidade cambiar para financiar a importacao.

    Ninguem consegue fazer omolete sem ovos.

    Nao conheco o ministro mais, ouvi o Senhor J B Jesus bem como o ministro das financas a falarem de reserva cambiar para satisfazer a necessidade de pais esta numa situacao critica.

    Se nao tem capital suficiente para importar bem da primeira necessidade quanto mais sulfato?

    Crescem e aparecem

  7. profeta

    4 de Novembro de 2019 as 8:01

    É nisso que dá, o senhor ministro está preocupado em fazer ” palaiêe ” com os produtos de primeira necessidade até de lenha, que se busca no mato… nisso deu no que deu,… um bando de orgulhosos e incompetentes, que se dizem ajudar o povo, mais que apenas estão interessados em abrir-nos as sepulturas, todos os dias. E os males que enfermam as comunidades rurais continuam sem solução… me dizem como apostar na agricultura com essa onda de ladrões que andam a solta e protegidos por lei. o cidadão de bem é que a obrigação moral de aceitar impávido.
    VIVA S.TOMÉ …

  8. SEMPRE AMIGO

    4 de Novembro de 2019 as 9:09

    CONSTATAÇAO: Governo atrasou na importação do CUSO4 e cacau de qualidade queimou PRIMEIRO PASSO :Senhor ministro, dado a gravidade do sucedido, ja deveria ter vindo ao público explicar que se passou TERCEIRO PASSO::Sancionar severamente o responsável QUARTO PASSO:Tomar as medidas organizativas adequadas, para que casos tao graves nunca mais venha acontecer no seu Ministério.Senhor MINISTRO,as suas funções ainda se escreve com letras maiúscula.Sal ve o seu prestígio.

  9. LIBREVILLE

    4 de Novembro de 2019 as 14:47

    Já esta na Água de bacalhau.

    Bobós de Ministros que só sabem falar palhas, na pratica só desastres…

  10. Clemilson brasileiro

    6 de Novembro de 2019 as 11:31

    Eu como admiração a são tome olho todo dia nesse jornal mais pelo amor de Deus muda essas reportagem fica uns cinco dias e não Muda e na parte internacional só fala mal do presidente Bolsonaro !

  11. Frederico Ferreira M. de Ceita

    6 de Novembro de 2019 as 13:06

    SERÁ QUE O GOVERNO AINDA DETEM O MONOPÓLIO DE PRODUÇÃO DE CACAU EM SÃO TOMÉ E PRINCIPE? ACREDITO QUE NÃO!COMO É POSSIVÉL O GOVERNO IMPORTAR INSECTICIDAS PARA MATAR PRAGAS NOS CACOEIROS SE DEIXOU DE SER O PRODUTOR DE CACAU? EM QUE POSIÇÃO ESTÃO AS COOPERATIVAS E OS PRIVADOS?

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