Jukisia Salvador
Mestre em Economia e Gestão Aplicadas, Especialização em Agronegócio pela Universidade de Évora
SOBRE…….O CAFÉ BIOLOGICO EM SÃO TOMÉ E PRÍNCPE….
Foi desenvolvida uma investigação no âmbito do Mestrado em Economia e Gestão Aplicadas, Especialização em Agronegócio, da Universidade de Évora, em parceria com a cooperativa CECAFEB STP, criada em 2010 como resultado da estruturação e agrupamento de 6 associações de pequenos produtores.
O estudo, sob orientação da Profª Doutora Maria Raquel Lucas procurou conhecer a cadeia de valor do café biológico de STP e o nível de aceitação e potencial de mercado interno para este produto, assim como, propor melhorias que contribuam para aumentar a sua participação neste mercado.
Os resultados da investigação foram suportados em metodologia científica de natureza mista (qualitativa e quantitativa), ajustada aos objetivos preconizados e desenvolvida em duas etapas, uma exploratória e, outra conclusiva-descritiva, assente na observação e na recolha de dados por entrevista e sondagem. Esses resultados, para além de permitirem identificar os elos da cadeia de valor do café biológico e o potencial de mercado e nível de aceitação deste produto, evidenciam falta de conhecimento do mercado sobre o café biológico, sobre a marca “Monte” e sobre a CECAFEB STP, embora esta tenha uma imagem positiva e confiável junto dos estabelecimentos com que se relaciona.
A cadeia de valor do café biológico envolve cinco segmentos principais, os produtores ou cafeicultores que asseguram a plantação e a produção até à fase do café cereja, a CECAFEB STP que realiza a lavagem e secagem, torra, a moenda, o embalamento e a venda a retalho, as entidades certificadoras internacionais (Ecocert e Flocert) que atestam a autenticidade do café verde e torrado como biológico e que pode ser comercializado como comércio justo e atribuem e emitem os respetivos selos de certificação, os distribuidores que englobam distintos estabelecimentos do canal Horeca (hotéis e afins, restaurantes, bares e cantinas), supermercados, a sociedade internacional Malongo e, o consumidor final.
Apesar da grande dimensão do mercado internacional do café e da sua importância para a economia de mais de cinquenta países produtores, ocupando o segundo lugar de entre os principais produtos com valor comercial, logo a seguir ao petróleo, a exportação do café da cooperativa ocorre de forma pontual e esporádica. Atualmente com 510 cooperantes cafeicultores com certificação em modo de produção biológica e em comercio justo, a cooperativa produz cerca de 30 toneladas de café por ano em diferentes regiões do País.
Qual o atual e potencial mercado do café biológico da CECAFEB STP?
O mercado atual da cooperativa representa aproximadamente um terço das vendas totais no mercado nacional. A cooperativa, que é proprietária da segunda marca de café mais transacionada em STP (Monte), satisfaz os critérios considerados importantes no consumo de café, relacionados à qualidade e sabor, à boa relação qualidade/preço, à certificação como biológico e à embalagem atrativa.

Não havendo dimensão e escala de produção para competir em quantidade, a alternativa é a melhoria do seu posicionamento no mercado pela via da qualidade, da origem e características do café e dos processos e selos de certificação correspondentes aos modos de produção e de comércio justo. A certificação do café como produto biológico, justificada pela garantia da conformidade e qualidade do produto, pelo aumento do valor da marca ao preservar o ambiente e, por satisfazer a procura dos consumidores com preferências por este modo de produção, é um atributo valorizado na compra e consumo do café.
A segmentação do mercado pode ser outra opção estratégica da cooperativa, de modo a adequar a oferta a diferentes grupos de consumidores que devem ser conhecidos, quantificados e conquistados. A base para a segmentação pode assentar na natureza das variáveis, gerais e específicas, do produto (café biológico gourmet, expresso ou simplesmente café), do processo de comercialização (canais de distribuição diretos e indiretos e comércio justo) e dos consumidores. Os segmentos de comércio justo e café expresso dominam por serem amplamente aceites pelos consumidores.

Embora historicamente STP esteja ligado à produção de café, o são-tomense não é um consumidor assíduo, sendo o aumento da ingestão deste produto, no mercado local, atribuído à sua procura pelos turistas. Para além de degustar produtos da terra de qualidade, como o café biológico, os turistas apreciam o facto de haver no país uma cooperativa de produtores de café biológico com certificação internacional e da mesma estar associada a um museu do café, em Monte Café, local de visita praticamente obrigatória para todos.
Há, portanto, potencial de mercado interno para o café biológico de STP e um caminho de pesquisa, inovação e empreendedorismo a trilhar para o conseguir com o posicionamento desejado e merecido!
SEMPRE AMIGO
20 de Janeiro de 2020 at 16:29
Meus caros irmãos! Este artigo de opiniãooferece-me a oportunidade de voltar a insistir sobre o que tive e tenho vindo a insistir:SÃO TOMÉ E PRINCIPE poderia transformar-se “num canteiro equatorial de PRODUTOS BIOLÓGICOS”.Históricamente ,anos depois do “achamento”das ilhas no Golfo da Guiné,as mesmas ,com a sua produção de especiarias,faziam uma forte concorrência ás especiarias do Oriente.Como é sabido está hoje na moda o consumo de produtos biológicos.SÃO TOMÉ E PRINCIPE(a nova BIOLÃNDIA),caso esse objectivo fosse fixado , resultado de uma CONSENSUALIDADE obtida de encontros em conjunto com as forças políticas e a sociedade civil, poderia voltar a ser as ilhas(BIOLÂNDIA)de PRODUÇÃO BILÓGICA(cacau-biológico,café-bilógico,especiarias-biológico….etc-biológico) do GOLFO DA GUINÉ Os actuais produtores agrícolas e os possuidores tradicionais das glebas familiares ,devidamente orientados, tecnica e materialmente apoiados, teriam finalmente a oportunidade de exercer livremente a sua CIDADANIA Seria,ao mesmo tempo, o mais importante passo a dar na luta secular pela libertação do HOMEM santumense,quer dizer na luta contra a pobreza.