Nova lei da União Europeia entra em vigor em dezembro e pressiona exportações de países produtores de cacau; Costa do Marfim já perdeu 79% de suas florestas desde 2000.
A poucos meses da entrada em vigor da nova lei antidesmatamento da União Europeia, a cadeia global do cacau enfrenta um desafio crítico para o comércio internacional: a dificuldade de rastrear a origem dos grãos produzidos na Costa do Marfim, a maior produtora mundial da commodity.
Uma análise, divulgada na última terça-feira (12) pela organização britânica Trase, e repercutida pela Agência Reuters, mostra que apenas 48% das exportações marfinenses de cacau em 2024 podem ser rastreadas até as cooperativas agrícolas responsáveis pelo cultivo dos grãos.
O restante passa por cadeias indiretas, com múltiplos intermediários, dificultando a verificação de origem e o monitoramento ambiental.
A preocupação aumenta porque, a partir de dezembro, a nova legislação europeia, conhecida como EUDR (Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento), exigirá que empresas comprovem que commodities importadas, como cacau, soja, café e carne bovina, não foram produzidas em áreas desmatadas.

“A predominância de fornecimentos indiretos de cacau e a consequente falta de visibilidade sobre sua origem tornam muito difícil para as empresas enfrentarem problemas como desmatamento ou trabalho infantil”, afirmou a Trase, em entrevista para a Reuters.
A Costa do Marfim responde por pouco mais de um terço da produção global da commodity, e a União Europeia compra cerca de 66% de seus grãos.
FONTE : Globo.com