Política

Pinto da Costa defende reforço da cooperação bilateral com Portugal

“São Tomé e Príncipe procurará, nesse triénio, estimular uma cooperação bilateral ainda mais activa em áreas específicas como a saúde; a educação e a cultura; a justiça; a agricultura e a defesa nacional”, declaração de Pinto da Costa no banquete oferecido pelo seu homólogo português, Cavaco Silva. 

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Sua Excelência

Aníbal Cavaco Silva, Presidente da República Portuguesa e Senhora de Cavaco Silva

Ilustres convidados

Minhas senhoras e meus senhores

Quero começar por agradecer as palavras de Vossa Excelência, Senhor Presidente que muito me sensibilizaram e sublinhar a enorme satisfação que sinto por visitar de novo Portugal.

Mais uma vez registo encarecidamente a hospitalidade calorosa e fraterna com que fui recebido juntamente com a delegação que me acompanha. Hospitalidade que espero em breve retribuir a Vossa Excelência em solo Santomense.

Senhor Presidente

Caro Amigo

Regresso a Portugal, em visita de Estado, mais de 30 anos depois. Muito tempo passou e muita coisa mudou no mundo desde então.

Não é certamente o local apropriado nem o momento mais adequado para falar dessas mudanças.

Nesta ocasião, permitam-me antes que realce, em primeiro lugar, que, apesar do tempo que tudo transforma, até nós próprios, existe algo que permanece inalterável.

Falo da amizade que nos une Senhor Presidente e que muito me honra.

E a amizade não é só, ou apenas, um dos sentimentos mais sólidos nas relações entre pessoas ela é o verdadeiro cimento que, no devir da história permite, entre tantas vicissitudes e conjunturas, fortalecer cada vez mais os laços de união entre povos e nações como é o caso de São Tomé e Príncipe e de Portugal.

Esta amizade de que vos falo é um sentimento forjado na história que partilhamos, nos valores civilizacionais que nos unem e nesse património inestimável que é uma língua comum.

Portugal tem sido, ao longo dos anos, um parceiro fundamental no caminho para o desenvolvimento de São Tomé e Príncipe.

A cooperação Portuguesa pode caracterizar-se hoje por estar sempre presente, nos mais variados domínios, 365 dias por ano e esse é um facto que traduz a excelência das relações entre os dois países.

Portugal é também país de acolhimento de uma das maiores comunidades da diáspora santomense que, solidamente, está cada vez mais integrada na sociedade portuguesa.

As relações entre os nossos dois países são pois, estou firmemente convicto, um bom exemplo de, como é possível, traduzir em acções concretas a amizade e os laços históricos que unem os seus povos.

Entre os dois países existe ainda uma cada vez maior convergência de pontos de vista, sobre as grandes questões a nível internacional, o que tem permitido, uma concertação activa de posições, quer a nível bilateral, quer a nível da CPLP, como aconteceu muito recentemente na firme condenação ao golpe de estado na Guiné-Bissau e nas iniciativas desenvolvidas em comum a esse propósito.

Esta convergência, baseada em princípios e valores como os da liberdade e da democracia, tem permitido uma crescente afirmação do espaço Lusófono no seio da comunidade Internacional com ganhos evidentes para cada um dos países que integram a CPLP.

A última cimeira, realizada em Maputo, dedicada ao tema da “segurança alimentar” foi mais uma demonstração de como, paulatinamente, a Comunidade de Países de Língua Portuguesa se assume, cada vez mais, como um espaço de cooperação e diálogo multilateral ao serviço da resolução dos problemas concretos dos seus cidadãos.

Senhor Presidente

Ilustres convidados

Estou consciente das dificuldades que Portugal vem atravessando perante a crise económica internacional e as suas consequências para a zona Euro.

Para além da solidariedade que quero manifestar aos Portugueses em geral, em meu nome e do povo Santomense, quero deixar uma palavra de confiança sobre a sua capacidade para ultrapassar as dificuldades presentes.

Estou certo que os sacrifícios de hoje serão recompensados no futuro e é com regozijo que tenho acompanhado os progressos alcançados no equilíbrio das finanças públicas num caminho que me permite estar convicto que Portugal tem condições para  ultrapassar esta crise iniciando um novo ciclo de desenvolvimento económico.

São circunstâncias que me permitem afirmar ser motivo de profundo reconhecimento, o esforço feito pelo Estado Português para manter os níveis de financiamento à cooperação com São Tomé e Príncipe, nomeadamente no âmbito do programa indicativo de cooperação para o triénio 2012-2015.

São Tomé e Príncipe procurará, nesse triénio, estimular uma cooperação bilateral ainda mais activa em áreas específicas como a saúde; a educação e a cultura; a justiça; a agricultura e a defesa nacional.

Nestas, como em novas áreas como o empreendedorismo e a inovação, importa estabelecer uma comunicação muito fluida e pragmática entre as entidades, quer públicas, quer privadas,  de modo a tornar possível a execução de acções de cooperação profícuas, cuja implementação,  muitas vezes, está mais dependente da capacidade de organizar, de fazer, de pensar soluções para desenvolver projectos nos vários sectores de actividade em São Tomé e Príncipe, do que na dependência de recursos financeiros.

Senhor Presidente

Distintos convidados

São Tomé e Príncipe orgulha-se de ter sido, em África um país pioneiro na transição pacífica para a democracia, regime que se encontra consolidado e enraizado na sociedade Santomense.

Tem uma localização geográfica privilegiada numa zona estratégica cuja importância é cada vez maior e com um mercado ao seu alcance de mais de 300 milhões de pessoas.

Tem uma coesão social digna de registo, apesar da situação de pobreza em que vive ainda grande parte da população.

Tem baixos índices de criminalidade violenta.

São pressupostos que me permitem afirmar que São Tomé e Príncipe é hoje em dia uma aposta de futuro e um país de oportunidades.

É um país aberto ao exterior e que aposta em parcerias estratégicas como instrumento para conquistar um desenvolvimento sustentável e dessa forma vencer a pobreza, o que constitui o seu maior desígnio nacional.

Recordo a esse propósito o que afirmou Nelson Mandela, cujo aniversário foi mundialmente celebrado há poucos dias: “Vencer a pobreza não é um gesto de caridade. É um acto de justiça. É a protecção de um direito fundamental, o direito à dignidade e a uma vida decente.”

Esse é um objectivo que a todos mobiliza e que, estou firmemente convicto, com estabilidade, transparência e, sobretudo, muito trabalho, será possível alcançar juntamente com parceiros estratégicos como Portugal.

Permitam-me, por isso que, conclua propondo, que se juntem a mim, num brinde à saúde do Senhor Presidente Cavaco Silva, da sua esposa e família, bem como a um futuro de prosperidade para os nossos países e à amizade entre os nossos povos.

    5 comentários

5 comentários

  1. Arlindo Pereira

    27 de Julho de 2012 as 18:01

    Como conheço um pouco da economia portuguesa,aconselho que portugal aposte nas economias mais debil, ou seja ter uma relação economica com paises com economias menos avançadas, na medida em que com outras economias nao têm grandes hipoteses, o produto portugues muitos sao poucos competitivos.por outro lado, é preciso deslocalizarem as suas pequenas industrias nesses paises de forma a produzir mais barato possivel.na europa a mao de obra é cara e muitas vezes menos qualificadas que nos paises menos avançados.
    se portugal se orientar a sua economia para sobretudo cplp, tera 90% de hipotese de manter no euro.

    • Ernestino Santos

      30 de Julho de 2012 as 12:01

      Acho bem a intensificação do intercâmbio da economia Portuguesa em investir em STP , na área de Saúde como seria a Construção de um novo hospital com equipamentos da nova geração o que reduzia os custo com evacuação dos doentes, assim com construção de uma Universidade polivalente , com vertente pesquisa científicas, aproveitando o golfo da Guiné em que estamos localizados, na área de energia construção de uma Barragem idroelétrica a base para desenvolvimento de qualquer país, construção de novas vias rodoviárias e manutenção das antigas.
      Para que isto se transforma na realidade, temos que mudar de mentalidade, tanto do lado São Tomé e Príncipe e principalmente do lado do povo Português tem que fazer funcionar a Justiça e os Funcionários e Agentes do Estados têm que cumprir as Leis da RP e as obrigações que tem de proteger os cidadãos e os seus bens patrimoniais, e não apenas tentar proteger a corporação em que estão inciridos.
      A economia Portuguesa tem evoluído na exportação, mas verifica-se a dificuldade quando é exigido o número elevado do produto a países de maior dimensão populacional de consumo, por isso em São Tomé e Príncipe é muito viável para investir-se desde que haja interesse sério, e não pesar em Lucro a curto prazo e não apostar nas infraestruturas velhas como tem sido desperdício do dinheiro na remodelação do hospital Dr. António Agostinho Neto.
      Melhor a Justiça , melhor a Educação as novas Infraestruturas é construir o futuro para nova geração porque vem o Petróleo em 2015, todos ficaram a ganhar.
      30/7/2012

  2. luisó

    28 de Julho de 2012 as 18:55

    Ainda hoje vi na RTP ÁFRICA uma entrevista do PR STP a solicitar todos os empresários portugueses a investir em STP em todas as vertentes porque o País precisa de todos os investimentos e em todas as áreas.
    Depois leio estas coisas que se passam cá e pergunto:
    Quem vai investir num “País” como este?
    Acha sr. PR que os empresários de qualquer lado vão investir num País sem rumo, com os juízes sem autoridade, policia que vira de rumo conforme pagam mais, deputados que que pegam em policias e arrombam as portas de tribunais quase a fazer justiça por si, sem estradas como a das Neves, sem energia, uma população sem formação profissional e empresarial, sem aeroporto, sem porto, sem leis…etc.
    Eu não…

  3. ANCA

    29 de Julho de 2012 as 1:36

    Muito bem

    Reforço da parceria estratégica de cooperação publico/privada, para juntos modernizar-mos, fazer-mos crescer e desenvolver sustentávelmente o País, á nível social, cultural, desportivo, político, na defesa, á nivel ambiental, económico e financeiro, com benefícios mutuos.

    Bem haja

    Pratiquemos o bem

    Pois o bem

    Fica-nos bem

    Deus abençõe São Tomé e Príncipe

    • ANCA

      29 de Julho de 2012 as 1:39

      É tempo de agir, tempo de pôr em pratica acções conjuntas para benefícios mutuos, hoje e agora.

      Muito bem

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