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Treino ruandês no parlamento provoca incidentes

Jorge Amado, líder da bancada parlamentar do MLSTP e Danilson Cotu líder da bancada parlamentar do PCD, ambos na oposição, chocaram na tarde de quinta – feira, com o exercício militar orientado por oficiais ruandeses, na Assembleia Nacional.

Por volta da 15 : 30 de quinta – feira, os dois deputados, foram impedidos de entrar no edifício da Assembleia Nacional, sem antes serem revistados. Tanto eles como as suas respectivas viaturas.

Danilson Cotu não aceitou a revista e teve que ficar na rua. Jorge Amado, que chegou mais tarde, também foi impedido de entrar no recinto parlamentar. «Fui barrado na porta de entrada. Os portões estavam acorrentados. Apareceu um militar a paisana, que me disse que eu não poderia entrar sem ser devidamente revistado, tanto eu como a minha viatura. Eu recusei, e disse-lhe que sou representante do povo e como representante do povo estou entrando para a minha casa, e que não posso ser revistado ao entrar para minha própria casa. Além disso não reconheço neles nenhuma legitimidade, uma vez que a Assembleia Nacional, tem um corpo de seguranças que está aqui para fiscalizar, proteger e defender a Assembleia Nacional. E não indivíduos fardados com um uniforme que não é usual na nossa força armada», explicou o líder da bancada parlamentar do MLSTP..

A discussão entre Jorge Amado, e os homens orientados pelos militares ruandeses, demorou mais de 15 minutos. «Depois de terem ido consultar o instrutor ruandês…iam ao ruandês voltavam para mim várias vezes…., talvez receberam alguma ordem via telefone, e pude passar do portão para o interior da Assembleia Nacional», precisou.

Segundo o deputado Jorge Amado, enquanto caminhava protestava. «Dizia que eles eram filhos do povo e que não deveriam estar ao serviço de uma tropa estrangeira».

No meio do percurso para entrar na casa parlamentar, foi novamente abordado «Apareceu duas carrinhas cheio de militares armados e  eu só ouvia ..Cerco…cerco…. e eu respondi…vieram para me matar . Se é para isso podem disparar já, que eu não tenho medo», frisou.

O líder da bancada parlamentar do MLSTP, considera que a acção militar na casa parlamentar, representou uma ameaça a integridade física dos deputados. A comunidade internacional é chamada a agir. «Temos que alertar a comunidade internacional para que intervenha para por cobro a esta situação, para mais tarde não dizerem que não sabiam o que estava a acontecer em São Tome e Príncipe», pontuou o líder da bancada do maior partido da oposição.

Danilson Cotu, líder da bancada parlamentar do PCD, recordou que os militares ruandeses desembarcaram em São Tomé e Príncipe no dia 6 de Maio, com base numa anuência concedida pela maioria parlamentar da ADI, para que estivessem no país durante 60 dias.

No entanto o prazo de permanência expirou desde 6 de Julho passado.  «Isso é uma ameaça gravíssima nossa democracia…estamos uma vez mais a chamar atenção ao senhor Presidente da República para que tome medidas em relação a isso, porque vamos ter que responsabiliza-lo pela nossa segurança e pela vida da democracia no nosso país», afirmou o líder da bancada parlamentar do PCD.

Danilson Cotu e Jorge Amado, lideram as duas bancadas parlamentares da oposição que têm contestado a presença de tropas ruandesas no território nacional. Na quinta – feira, os dois líderes parlamentares, estiveram frente a frente com os oficiais militares ruandeses, já entrincheirados no edifício do parlamento. «Vamos continuar a tudo fazer para que essas tropas saiam do país e que o nosso país vote a ter o clima de segurança e de tranquilidade que sempre foi o apanágio do povo de São Tomé e Príncipe», concluiu Danilson Cotu.

Abel Veiga

    5 comentários

5 comentários

  1. Pumbú

    2 de Setembro de 2017 as 18:30

    Isto está cheirando mal!!! Muito mal. Kókó do bicho!!!

    • Ralph

      4 de Setembro de 2017 as 1:05

      Concordo que isto parece cheirar mal, testemunhado de longe. Tem-se de perguntar porquê qualquer governo precisa de ter convocado e instalado o exército de qualquer outro país na sua própria terra por qualquer razão outra de guerra ou autodefesa.

  2. rapaz de Riboque

    2 de Setembro de 2017 as 19:32

    mais um triste episódio somos um povo pacifico e ordeiro , não merecíamos estar a viver nesta situação. Meus senhores políticos pergunto foi para isso que obtivemos a nossa independência ? de certeza que quando o nosso povo festejaram a independência foi com a esperança de tornar-mos um povo livre e viver na democracia o que infelizmente não tem acontecido conquistamos sim pobreza, miséria corrupção , e agora estamos a caminho de uma ditadora, nós não merecemos isto meus senhores que estão no poder, queremos viver em paz com aquilo que o Universo no da por favor meus senhores não nos entreguem aos estrangeiros então neste caso tivessem nos deixado como estávamos colonizados .

  3. Alberto d' Oliveira

    4 de Setembro de 2017 as 6:53

    Queremos comer a nossa fruta-pão com azeite cru sem peixe e viver a nossa identidade. Patrice Trovoada não conhece a identidade do povo sao-tomense, nem a cultura deste povo. A sua família vive no estrangeiro, ele próprio não reside no país. O pai deste indivíduo deveria dar-lhe Conselho, me ter tropa estrangeira no território são -tomense, tratando -se de um país de paz e soberano? Aqui vive homem e mulher de paz, gente serena e pacífica . Não compare esse povo como o de Gabão, Ruanda, RDC etc… Queremos nossa água e saneamento do meio ambiente, dinheiro cujo financiador foi a União Europeia, no montante de €21,5 milhões ou seja €21.500.000,00 . Deixa-nos em paz, oh credo, credo!

  4. Santa Mucambá

    4 de Setembro de 2017 as 8:37

    No fim de semana perto do Liceu Manuela Margarrido Piedade Cima ia dando maca, ora vejamos:
    1. A dita tropa ruandesa mais alguns elementos de segurança santomense abordaram a viatura oficial do ex-presidente Pinto da Costa.
    2. O Pinto da Costa nem esteve no momento. Os elementos ruandeses insistiram que tinha que revistar a viatura não obstante o condutor o ex-presidente devidamente uniformizado com as vestes do UDPE ter dito que a viatura era de PC.A situação estava extremar-se de ambas as partes e a população a ver esse triste episódio de muito que provalmente iremos ter.
    3.Finalmente os elementos da viatura do Pinto da Costa entraram na viatura e seguiram o seu caminho.
    O povo dito pequenonum grito de raiva disseram aos intrusos vão para a vossa terra deixa STP em paz.Não queremos guerra na nossa terra.Há muita gente que não fala que querem as urnas para decidirem o próximo futuro do pais.
    4. Queriam provavelmente humilhar o Pinto da Costa só que ele não se encontrava na viatura.

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