Política

STP abriu consulado no território do Saara Ocidental para reforçar cooperação com Marrocos

Visitas sequenciais da nova maioria que é poder em São Tomé e Príncipe ao Reino do Marrocos, prenunciavam um reforço das relações bilaterais.

Casablanca e Rabat são capitais africanas onde mais vezes esteve a Ministra dos Negócios Estrangeiros Elsa Pinto, após a investidura do governo em Dezembro do ano 2018.
Em Outubro de 2019, o Presidente da Assembleia Nacional Delfim Neves acompanhado por uma grande comitiva parlamentar, visitou e permaneceu mais de uma semana em Marrocos.

Assim que o Presidente da Assembleia Nacional regressou ao país, o Primeiro Ministro Jorge Bom Jesus fez as malas e seguiu viagem no mês de Novembro para Marrocos.
O Procurador Geral da República de São Tomé e Príncipe, Kelve Nobre de Carvalho, também visitou Marrocos em outubro de 2019, tendo assinado acordos de cooperação com a justiça marroquina.

Factos que ilustram a intensa actividade diplomática, política, judicial, que São Tomé e Príncipe desenvolveu com o Reino de Marrocos, durante o ano 2019. Já no início do ano 2020, a Assembleia Nacional através do seu Presidente Delfim Neves, realizou uma cerimónia de importância histórica, que foi a homenagem feita ao Reino de Marrocos, na presença do embaixador do reino de norte de África, pela sua contribuição na luta pela independência de São Tomé e Príncipe.

Já no dia 22 de Janeiro, Elsa Pinto, a Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação regressou a Casablanca, para depois se reunir noutras cidades marroquinaas com as autoridades daquele país.

Desta vez a visita de Elsa Pinto, percorreu as áreas desérticas até chegar a Laayoune. É a capital do território do Saara Ocidental, sob administração do Reino de Marrocos.
Nos primeiros 15 anos após a independência nacional, a política externa de São Tomé e Príncipe, defendia a autodeterminação do povo da República Saarawi Democrática, o território que tem Laayoune como a sua capital.

Após a mudança do regime em 1991, o novo Presidente da República e líder da política externa do país, com base nas competências constitucionais da altura, deu início a mudança da política externa em relação a problemática do Saara Ocidental.

O então Presidente Miguel Trovoada, estimulou diplomacia de proximidade com o Reino de Marrocos. Mas, a inauguração do primeiro consulado de São Tomé e Príncipe no Reino de Marrocos, com localização na capital do Saara Ocidental, parece ser a última “machadada” que o governo dá no sentido do reconhecimento da soberania do Reino Marroquino sobre o Saara Ocidental.

«Eu estava a espera desta pergunta….. É preciso ter em atenção a história contemporânea de São Tomé e Principe. Argélia, Marrocos e vários países contribuíram desde princípio com São Tomé e Príncipe na luta pela independência nacional,….. e sempre tivemos óptimas relações com o Marrocos…… Também quando foi da entrada de Marrocos para a União Africana, apesar de termos uma posição clara em relação ao diferendo, achamos que o Marrocos merecia ter assento na União Africana….», respondeu a Ministra Elsa Pinto, à questão colocada pelo Téla Nón.

A Ministra considera que o consulado inaugurado na capital do território designado de Saara Ocidental, responde aos interesses vitais de São Tomé e Príncipe no sentido de satisfazer as necessidades dos cidadãos nacionais que residem temporariamente em Marrocos.

Elsa Pinto, falava assim das necessidades do dia a dia dos 210 estudantes são-tomenses que estão espalhados por diversas cidades marroquinas. O consulado em Laayoune, vai prestar serviços administrativos aos cidadãos nacionais que estudam em Marrocos.

«Apesar do consulado estar em Laayoune que é uma cidade em franco crescimento, temos a oportunidade de responder as dificuldades que os nossos concidadãos vivem em Marrocos. Face aos imperativos circunstanciais temos que dar respostas as necessidades dos são-tomenses», pontuou a ministra.

Elsa Pinto, reconheceu que o diferendo entre a Frente Polisário, principal movimento independentista do Saara Ocidental e o Reino de Marrocos ainda não está resolvido. A Ministra dos Negócios Estrangeiros de São Tomé e Príncipe atira a bola para as Nações Unidas.

«O diferendo não está ultrapassado, está ainda em sede das Nações Unidas. E nós estamos a espera que todos os países possam estar unanimes no cumprimento das resoluções. Caberá as Nações Unidas fazer o contrapeso, e dizer se o diferendo está ou não está ultrapassado….. Mas neste momento São Tomé e Príncipe tem resolvido o problema que é o de dar resposta imediata aos problemas dos são-tomenses», detalhou Elsa Pinto.

O avanço de São Tomé e Príncipe no aprofundamento das relações bilaterais com o Reino de Marrocos não tem como ser travado.

«O Reino de Marrocos vai ajudar São Tomé e Príncipe na instalação de uma embaixada em Rabat. É o passo mais representativo que pode marcar as relações entre dois países…. Dentro de 15 dias, São Tomé e Príncipe terá aberta a sua embaixada em Rabat no Reino de Marrocos», precisou a Ministra dos Negócios Estrangeiros.

Na defesa e satisfação dos interesses de São Tomé e Príncipe, a Ministra dos Negócios Estrangeiros, contabilizou os ganhos conseguidos nos últimos 12 meses. Anualmente Marrocos garante 1 milhão de euros para financiar o Orçamento Geral do Estado de São Tomé e Príncipe.

Fruto da sua última missão diplomática para inaugurar o consulado em Laayoune, o Governo marroquino decidiu dar melhores condições económicas e sociais aos 210 estudantes são-tomenses que estão distribuídos pelas universidades marroquinas. Marrocos vai pagar renda de apartamento para os estudantes, e garante subsídio de bolsa de estudo no valor de 100 euros mensais a cada estudante são-tomense.

Abel Veiga

    9 comentários

9 comentários

  1. Cobra branca

    30 de Janeiro de 2020 as 8:44

    Saara Ocidental nao é de Marrocos. Foi ocupada ilegalmente no ano 76 por Marrocos. É dos Saharauis. Liberdade para o povo saharaui!!!

  2. José Bastos Fonseca

    30 de Janeiro de 2020 as 11:23

    Um País das bananas que anda consoante o valor dos cheques que os governantes recebem.
    Credibilidade zero!
    Uma espécie de “Maria vai com todas”.
    Também nada se espera desse país que até ministros pedem tudo e “mais alguma coisa” aos empresários estrangeiros.

    São Tomé e Príncipe pode e deve ter relações diplomáticas com o Reino de Marrocos, mesmo não reconhecendo o direito deste sobre Saharaui.

    JBFonseca.

  3. Sem assunto

    30 de Janeiro de 2020 as 11:46

    Impressionante. Assim nunca chegaremos lá. O que pude perceber de tudo isto reside no fato de o país acreditar sair a lucrar com a arrecadação de um valor simbólico de 1 milhão de euros anuais, acompanhado de aumento de estipendio das inocentes crianças, estudantes, bem como de algumas bolsas de estudo para os mesmos, que servem de escudo para este jogo sujo que é a diplomacia Árabe.
    Os países que realmente contribuíram para o reforço da luta pela independência nacional form: Ghana, Guiné Equatorial, Gabão e Argélia . Por favor não tentem inventar a história, querem alinhar com estes árabes alinhem, mas não os dê mérito que não têm. Sara Ocidental não é território Marroquino, quem tem minima noção da geografia e história sabe disto.
    Esta narrativa só cabe na cabeça do Delfim Neves, o iletrado, que vira mexe homenageia os marroquinas, tira lá férias de uma semana disfarçada em agenda de trabalho, nomeia seu assessor especial um cidadão marroquino etc. Está na cara quem realmente governa!

  4. luisó

    30 de Janeiro de 2020 as 15:21

    A quem interessa abrir este consulado? A STP ?
    Não me parece…..

    • José Bastos Fonseca

      3 de Fevereiro de 2020 as 11:52

      Só interessa a quem recebe os cheques marroquinos, como é hábito pelos que governam esse país.
      Isto é uma espécie de Prostituição da Politica Externa do País.

  5. apavorado

    30 de Janeiro de 2020 as 16:03

    Condenam a família Trovoada, ora pai ora filho, mas para o negócio do reconhecimento do Marrocos utilizam o nome do Miguel Trovoada primeiramente que foi ele a abrir relações diplomáticas com Marrocos no fundo incumbindo actuais interesses do governo atual, só faltou o presidente da republica lá ir , toda estrutura do pais já lá foi, obras do passado ou seja o legado da família Trovoada hoje mais uma vez no beneficio desse martirizado povo.

  6. Olivio

    30 de Janeiro de 2020 as 17:41

    Esta situação de reconhecer o reino de Marrocos sobre o Sahara
    Ocidental não é justo viram o caso de Taiwan em relação a China ?

  7. sem assunto

    30 de Janeiro de 2020 as 19:16

    Pois de momento só vos resta tranquilizar a familia porque nada de mal ainda não aconteceu, e quando acontecer avisam, é isto ?
    Idiotas !!

  8. Vanplega

    31 de Janeiro de 2020 as 18:50

    Sao Tome e Principe, nao tem condicoes para sustentar mais uma embaixada.

    Se as que ja temos nao damos conta. Se nao pagamos os estudantes a tempo e horas.
    Se os doentes nao recebem, nao tem onde mortar, gracas aos familiares e amigos aleios para os ajudar

    Como vamos sustentar mais essa paroidia desses politicos?

    Esta tudo bem dentro do pais, senhor 1 Ministro?

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