O Governo de São Tomé e Príncipe considera pouco claras as justificações apresentadas pelas autoridades norte‑americanas para a exigência de uma caução de cerca de 14 mil euros aos cidadãos santomenses que pretendam obter visto de entrada nos Estados Unidos.
“As justificações não são claras, mas sendo uma decisão de um Estado soberano, temos de respeitá‑la”, afirmou Ilza Amado Vaz.
Segundo a ministra dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidades, a medida foi comunicada ao Executivo santomense no ano passado. Para já, o Governo prefere não se pronunciar sobre eventuais medidas de retaliação.
“Não constitui preocupação, dado que a emigração para os Estados Unidos não é significativa. Esta medida não afeta as visitas oficiais, mas os cidadãos santomenses que decidirem deslocar‑se terão de pagar a caução, conforme a decisão tomada”, acrescentou.
A chefe da diplomacia esclareceu ainda que os detentores de passaportes diplomáticos e de serviço não estão sujeitos a esta caução.
Venezuela: São Tomé e Príncipe defende soberania dos Estados
No mesmo contexto, São Tomé e Príncipe pronunciou‑se sobre a situação na Venezuela, defendendo o respeito pela soberania dos Estados e apelando à regularização do quadro político, na sequência da detenção do Presidente e da Primeira‑Dama venezuelanos e da sua condução para os Estados Unidos.
“São Tomé e Príncipe, enquanto pequeno Estado insular, rege‑se pelas normas que regulam as relações diplomáticas, a soberania e a integridade dos Estados. Manifestamos também solidariedade para com o povo venezuelano, esperando que a situação se regularize para o bem da Venezuela”, destacou Ilza Amado Vaz.
As declarações da ministra foram prestadas à margem da cerimónia de apresentação de cumprimentos de Ano Novo ao Presidente da República.
José Bouças
Nini
9 de Janeiro de 2026 at 10:29
Ilza Amado Vaz, Ministra dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidades, poderia esclarecer melhor esta afirmação?
“Para já, o Governo prefere não se pronunciar sobre eventuais medidas de retaliação.”
O que se entende exatamente por “retaliação”? Que tipo de medidas poderiam, de forma realista, ser consideradas contra os Estados Unidos da América? Tendo em conta a dimensão, capacidades, e a influência desse país, não será mais prudente a ministra adotar uma postura mais cautelosa e diplomática de expressão?
A Ilza tem graça.