Política

Luz começa a fazer-se sobre os 30 milhões

Foi o jornal Téla Nón que no ano 2016 trouxe ao público o caso do crédito financeiro de 30 milhões de dólares assinado pelo ex-Ministro das Finanças Américo Ramos com a empresa China International Fund, com sede em Hong Kong.

O famoso acordo assinado numa folha de papel A4 em Julho do ano 2015, ligou o Estado Santomense à China International Fund, cujo Patrão, um cidadão chinês conhecido como Sam Pá, tinha sido detido por crime de branqueamento de capitais.

Do valor do crédito, 30 milhões de dólares para construir uma cidade administrativa em São Tomé, apenas 10 milhões de dólares foram depositados na conta do Estado santomense em Portugal exactamente no mês de Julho do ano 2015.

O depósito dos 10 milhões de dólares na conta do Estado santomense na Caixa Geral de Depósitos em Portugal não foi feito pela empresa que assinou acordo com o ex-Ministro das Finanças, a China International Fund. Os 10 milhões que caíram, foram depositados por uma outra empresa, designada China Sonangol.

Um acordo guardado a sete chaves pelo Governo na altura, e que veio a praça pública, através do artigo publicado pelo Téla Nón no ano 2016.

No ano 2019, após a tomada de posse do novo governo, o caso dos 30 milhões é novamente motivo de notícia, com o desencadear da queixa crime movida pelo Governo através da Polícia Judiciária, contra o ex-Ministro das Finanças, Américo Ramos, subscritor do acordo dos 30 milhões de dólares.

O processo judicial para esclarecer o paradeiro do dinheiro que a China International Fund, concedeu a São Tomé e Príncipe, foi considerado por uma parte dos santomenses como sendo perseguição política, movida pelo governo contra os cidadãos Américo Ramos e Patrice Trovoada, o ex-Primeiro Ministro que mandatou o seu ministro assinar o acordo de crédito financeiro.

O Téla Nón coloca a disposição do leitor um dossiê que detalha todo o processo do acordo de crédito de 30 milhões de dólares, até o depósito de apenas 10 milhões de dólares. Clique –Dossier-dos-30-milhões-de-dólares-

Ainda no ano 2019, o Ministério Público de São Tomé e Príncipe apressou-se em anunciar numa nota divulgada na imprensa estatal, que o caso dos 30 milhões de dólares, que envolvia o ex-Ministro das Finanças Américo Ramos e o ex-Primeiro Ministro Patrice Trovoada, foi arquivado por falta de provas suficientes.

No entanto, exactamente após a justiça santomense ter decretado o arquivamento do caso dos 30 milhões de dólares, cujo paradeiro dos 20 milhões nunca foi esclarecido, surgiu uma luz para ajudar a clarificar o negócio que tinha sido feito em “sigilo” entre o anterior governo e a empresa China International Fund.

A luz surgiu de Angola. País vizinho e amigo de São Tomé e Príncipe onde se despoletou o caso de alta corrupção financeira designado “Luanda Likes”.  Um escândalo financeiro que aos poucos foi levantando o véu que cobria o império da corrupção e de lavagem de dinheiro criado pela empresa China International Fund.

A investigação de corrupção em Angola, permitiu provar que a empresa China International Fund, fundada no ano 2003 em Luanda, assim como a China Sonangol criada no ano 2004, nasceram para serem centros de lavagem, por algumas figuras angolanas, do dinheiro que pertencia ao Estado angolano.

Notícias da imprensa angolana, nomeadamente da Televisão Pública de Angola, dão conta que o Governo angolano arrestou em Fevereiro passado, todos os bens da empresa China International Fund. A empresa que tinha sede em Honk Kong e filiais em outras capitais asiáticas e americanas, assim como os seus accionistas são acusados pela Justiça angolana de prática de vários crimes, nomeadamente, de associação criminosa, branqueamento de capitais, e crime de burla por defraudação.

A empresa que depositou os 10 milhões de dólares a favor do anterior governo de Patrice Trovoada, a China Sonangol, também está sob a alçada da justiça angolana. A imprensa angolana explica que no ano 2004 quando foi criada, o capital social da empresa China Sonangol, foi dividido entre a petrolífera angolana que ficou com 30% e o grupo privado liderado pelo chinês Sam Pá com os outros 70%.

Rafael Marques, jornalista angolano, explicou para a Televisão Pública de Angola o esquema de corrupção que sustentou a criação da China Sonangol.

« A Sonangol concedeu de suprimento à China Sonangol, mil milhões de dólares. Entregou este dinheiro à empresa China Sonangol e ficou só com 30% da empresa. A china Sonangol não pagou esta dívida à Sonangol…», denunciou o jornalista angolano que se dedica a investigação.

Mas, São Tomé e Príncipe através do seu anterior Governo de Patrice Trovoada conseguiu encaixar pelo menos 10 milhões de dólares da China Sonangol no ano 2015. Dinheiro que segundo o acordo assinado com a China International Fund, o Estado santomense deve começar a reembolsar no ano 2020.

O escândalo de corrupção financeira envolvendo vários bilhões de dólares que deveriam beneficiar o povo angolano, e que foram desviados pelas empresas China International Fund e a China Sonangol, ambas parceiras do anterior governo de Patrice Trovoada, e a investigação judicial em curso em Angola, prometem revelar o paradeiro dos outros 20 milhões de dólares em falta no acordo de crédito que foi assinado pelo ex-ministro das finanças Américo Ramos em Julho do ano 2015.

Note-se que sendo a China International Fund, e a China Sonangol, empresas com capital espalhado pelo mundo, as autoridades judiciais de Angola, estão agora a investigar todos os pontos de ligação internacional.

Pontos, onde o dinheiro do povo angolano foi lavado, em proveito de algumas individualidades angolanas e de figuras de outras nacionalidades que se envolveram em negócios secretos com a China International Fund, e a China Sonangol. A imprensa de Angola diz que a recuperação do capital que foi branqueado por essas duas empresas é uma das prioridades do Estado angolano.

Abel Veiga

    11 comentários

11 comentários

  1. bom só

    2 de Dezembro de 2020 as 9:56

    A ser verdade, vamos em frente! Atenção não aceitamos outro erro como o dos 70 milhões do Fundo do Kuweit que afinal nunca foram movimentados e mandaram homem para a prisão.Estamos atentos! Outra chamada de atenção: não metam com Angola com o amadorismo do costume que usam para as relações internacionais com outros parceiros!!Angola não brinca, se tiverem a mecher no que não devem e a sujar nome deles sem provas reais , os angolanos cortam de vez com São Tomé- vejam como foi com o caso do banco angolano com Portugal, JLo não teve papas na lingua, e Portugal teve de vergar mola se queria manter suas boas relações com eles…depois não vem queixar-basta só cortar no combustivel e aqui ficamos em permanente escuridão!

    • Santomense

      3 de Dezembro de 2020 as 14:45

      Bastava terem apresentado os documento e respondido quando perguntaram.
      Preferiram ir para cadeia a ter que falar, passar a pasta.
      Todavia houve sim desembolsos, que de outra forma não se podia saber, se quem sabia um fugiu e o outro não quis falar.

  2. Andorinha

    2 de Dezembro de 2020 as 11:34

    O Jornal Tela-Non em coordenação com o governo de Jorge bom Jesus voltam a garga pensei que a mentira dos 17milhões vos service de exemplo.
    Mas para quando nos prindar com a investigação dos contornos por exemplo do sub-faturação das obras das pontes de água grande e a radio Nacional que foi disvendado por relatório de Tribunal de Contas ‘também queremos saber os contornos dos dos desvios dos materiais ofertados para hospital os milhões que tem entrado no Ministério da Saúde e sabemos que o hospital continua uma penúria com falta de paracetamol com falta de tudo investigue por toda hora só Patrice Trovoada até ja cansa.

    • Seabra

      2 de Dezembro de 2020 as 22:38

      Andorinha, ou seja Patrice Trovoada, hoje você é citado nas redes sociais pelos seus atos de VAGABUNDO, de CORRUPTO, de LARÁPIO ETC que cometeu durante os seus longos anos no PODER.
      Tem contas a dar a este povo e a este país STP.
      Se você que resolver esta questão, regresse para STP e ponha tudo em ordem pelos atos criminosos que lhe são atribuídos.
      Uma pergunta PT : Porque razão é que você foge de STP quando deixa de estar no PODER? PORQUÊ?

  3. Ralph

    3 de Dezembro de 2020 as 5:28

    Esta história triste mostra o valor de uma imprensa livre que pode investigar casos como este. São apenas os jornalistas corajosos que vão atrás destes criminosos para expor as atividades corruptas a nefárias empreendidas na sua perseguição de dinheiro ilícito. Atividades que exploram países e povos pobres para enriquecer os perpetradores.

  4. Victorino Andre

    3 de Dezembro de 2020 as 10:24

    Deus guarda nos desses dirigentes mafiosos que andam a caça de negócio de bandidagem bando de ladrões.
    O país so cresce com PIB trabalho onesto de todos cidadao so assim vamos la

  5. Santo

    3 de Dezembro de 2020 as 13:09

    Quer dizer que devido investigações de Angola, a situação vai agravar o problema de Américo caso ele não colaborou com a justiça santomense sobre esses detalhes.

  6. Antonio Fernandes

    3 de Dezembro de 2020 as 16:49

    Qual é o problema de obter dinheiro de empresa chinesa ou outra qualquer para desenvolver infraestrurturas no país. Se o dinheiro foi transferido de forma legal de um Banco para outro, e veio cair no Banco Central de S.Tomé e Príncipe e entrou na contabilidade do país, qual é o vosso problema.
    Quando um país recebe dinheiro ele vai ter que ver se o dinheiro tomou banho limpou corpo e está limpo? Veja o que acontece com os países europeus. Quantos bilhões entraram para Suíça e enriqueceram os suíços e os europeus de forma geral.
    Quantos milhões entram em Portugal, França, Inglaterra Estados Unidos, provenientes de outros países e está lá para obras naqueles países. Quantos milhões de dólares o filho do presidente de Guiné Equatorial não meteu nos Estados Unidos para a compra de casas, viaturas etc. Já viram o Governo americano ou europeu chorar por isso? Se o dinheiro entrou e foi utilizado para o bem do país, não há problemas. O que não se pode admitir é que o dinheiro vá parar a bolso de alguém. Pelo que vi, o dinheiro entrou no Banco e veio para o banco Central de S.Tomé e Príncipe. O Patrício e o Américo não comeram o dinheiro. Então que venha muito mais dinheiro da china e de outros país que isto faz muito bem.
    O Governo atual chora porque não sabe como buscar dinheiro. Só está na boleia do que o Patrício deixou.
    Vão todos catar a água

    • Zagaia

      3 de Dezembro de 2020 as 22:18

      Sr.António Fernandes, o problema é paga lo ao china sonangol, agora é que vão todos para a cadeia. GOVERNO de Angola não é governo de faz de conta como STP.

  7. Toni

    3 de Dezembro de 2020 as 17:30

    Muito bom Telamon, bom trabalho jornalístico, o qual deverá ser seguido e investigado pelas autoridades judiciais.

    Também, Telanon, devia investigar as fortunas dos governantes desde a Independência, dado que entraram milhões de milhões e vemos o estado paupérrimo do país.

    Verificar como é que todos esses governantes ganharam o que possuem, pensem nisso, é uma sugestão para o Telanon.

    Obrigado

  8. Milu

    4 de Dezembro de 2020 as 7:27

    Muito bem Abel. Se fazermos as contas sobre os bens que políticos desta maioria têm.Nem trabalhando 24 horas por dia com esse salário que conhecemos conseguirão justificar tal riqueza. Uma coisa é certa O patrício não é santo nem é sério. Os que estão no poder são também bandidos. A mim não me enganam. Pergunto houve alguma obra na marginal?
    Os balaustos e paredes na zona de s. Pedro continuam partidos. Ó Jorge deixa de hipocrisia.
    Eu nem vejo telejornal para não me aborrecer com tantas mentiras.

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