Política

Governo dá passo firme para a integração de São Tomé e Príncipe no continente africano

São Tomé e Príncipe vive um autoisolamento em relação ao continente africano. Localizado no meio do golfo da Guiné, a 300 quilómetros do Gabão, o arquipélago parece estar de costas voltadas para o continente mãe.

Ao contrário do passado em que as trocas comerciais com os vizinhos, Gabão, Togo e os Camarões produziam divisas para a balança de pagamentos, nos últimos 30 anos nada mais aconteceu.

No passado, quando São Tomé e Príncipe tinha os navios Pagué e Elizabete, a rotura dos bens da primeira necessidade no mercado nacional era suprimida em 48 horas. Os tais navios transportavam mercadorias de Lomé-Togo, de Douala- Camarões, ou de Libreville-Gabão.

Nos últimos 30 anos o país deixou de ter ligações marítimas com o continente africano. Depende exclusivamente do mercado europeu. O atraso dos navios oriundos da Europa, gera penúria no mercado nacional por tempo alargado. Ora não há açúcar, ora não há fósforo, etc etc. Produtos que poderiam ser transportados em 24 horas dos mercados dos países vizinhos de África.

No entanto, na última semana, o Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação Gareth Guadalupe, assinou com o seu homólogo do Togo Robert Dussey um acordo de isenção recíproca de vistos para todo o tipo de passaportes.

O aeroporto de Lomé-Togo, é uma plataforma aérea na região africana. A companhia aérea ASKY Airways, que opera em São Tomé, tem bases no Togo e faz a ponte entre 25 países do continente africano. O mundo também está ao alcance dos passageiros que utilizam a rota africana. Pois a parceria entre a Asky e a outra companhia aérea africana de maior pujança, a Ethiopian Airlines permite ao cidadão africano chegar ao médio oriente, a Ásia, a Europa, e a América.

Foto : Cerimónia de assinatura de acordo em Lomé-Togo

A isenção de vistos em todos os passaportes entre São Tomé e Príncipe e o Togo, dá assim asas para muitos voos.

«Uma vez que muitos dos nossos comerciantes vão ao Togo adquirir produtos diversos. Este acordo de isenção de vistos vem facilitar a mobilidade dos são-tomenses, e promover também São Tomé e Príncipe como destino turístico», revelou o ministro dos negócios estrangeiros de São Tomé e Príncipe.

O acordo permite isenção de vistos por um período de 90 dias. «Os cidadãos da República Togolesa e da República Democrática de São Tomé e Príncipe, titulares de passaportes diplomáticos, de serviço ou comuns válidos, poderão, após o cumprimento de todas as formalidades de ratificação, entrar no território do outro, sair dele ou nele transitar sem visto por um período de permanência não superior a noventa dias a partir da data de entrada», explicou Gareth Guadalupe.

Governo santomense dá passo firme para a integração comercial do arquipélago no vasto continente africano, rico em oportunidades de negócios. Só a região da África Central tem mais de 300 milhões de consumidores. 

Num livro publicado em julho de 2021, o economista santomense Célsio Mota Quaresma detalha as ideias da integração regional como factor para o desenvolvimento de São Tomé e Príncipe.

O espírito Pan-africanista tende a crescer no seio da juventude do continente. Os ministros dos Negócios Estrangeiros do Togo e de São Tomé e Príncipe analisaram também o plano para a realização do novo Congresso Pan-Africano, que vai acontecer em Lomé de 29 de outubro a 2 de novembro de 2024.

«Renovação do Pan-Africanismo e o Papel de África na Reforma do Sistema Multilateral das Instituições – Mobilizar os Recursos e Reinventar-se para Agir», é o lema do congresso em que São Tomé e Príncipe deve fazer-se presente.

Abel Veiga

Veja o artigo em francês da agência “Au Togo”

Le Togo et Sao-Tomé-Et-Principe liés par un accord d’exemption de visa

Les citoyens togolais n’auront plus besoin de visas pour se rendre au Sao-Tomé-et Principe. Le Togo a en effet signé mardi à Lomé, un accord d’exemption de visa avec cet État insulaire proche de l’Equateur. La signature de l’entente a été effectuée par le ministre des affaires étrangères, Robert DUSSEY, et Gareth Haddad do Espiritu Santo GUADALUPE, ministre des affaires étrangères, de la coopération et des communautés de Sao Tomé-et-Principe. L’accord qui s’inscrit dans le cadre du renforcement des liens de coopération et d’amitié entre les deux pays, concerne tous types de passeports. En marge de cette cérémonie, les deux personnalités ont échangé sur les questions d’intérêt commun, notamment la nécessité de renforcer leur coopération en matière économique et commerciale ainsi que dans le domaine de l’économie maritime. Ils ont également abordé le sujet relatif à l’organisation prochaine du 9ème congrès panafricain à Lomé.  

9 Comments

9 Comments

  1. ANCA

    24 de Junho de 2024 at 10:56

    A qualquer projeto que pretendemos levar adiante temos que sempre presente em primeiro lugar a palavra, o conceito de segurança, fundamental.

    São Tomé e Príncipe, deve e pode tirar o partido da sua localização estratégica e conciliar planos de desenvolvimento bem definidos.

    Somos um pequeno país, com dupla insularidade(interna/externa), situado no golfo da guiné, com vantagens e desvantagens no processo de sedimentação modernização para o desenvolvimento, podemos falar de maior vantagens do que handicaps, se se soubermos nos organizar sermos rigorosos connosco.

    Ao norte temos o mercado Europeu, á nordeste temos o mercado América do Norte, grandes centros de informação, de distribuição, de tecnologias, de economia e finanças, á este sul temos o mercado do Mercosul, com ênfase para o Brasil, á oeste sul, o golfo da guiné e África em crescente mudanças e transformação, necessidades a satisfazer tanto em produtos como nos produtos.

    A nossa volta temos mar, internamente temos rios

    Temos pouco território solo

    Temos pouca população embora jovem, jovens um recurso imprescindível no processo de transformação, produção e vendas, crescimento econômico, desenvolvimento.

    Temos instituições, embora no processo de consolidação, ainda muito fracas

    O processo democrático mal consolidado, temos instituições politicas fracas(daí má governação, disputa politica, falta de consenso, corrupção).

    Sabendo disto podemos aprimorar melhorar e modernizar

    Temos terra, mar, rios , administração, população, falta organização(formação, instituições fortes, saber e saber fazer, infraestruturas, rigor e trabalho).

    Termos estes recursos impõe-nos olhar para eles sobre outra perspectiva de desenvolvimento, politicas adequadas a efeitos e percepção da conjuntura interna e externa.

    Temos cinco distritos e uma região autônoma, há necessidade de criação de parques para empresas(atrai-las ou cria-las, e quando falamos de empresas há que recordar e olhar para o mercado sul sul), parque tecnológicos, inovação, comércio, sinergias, ganhos, dinamização da economia interna.

    Os sectores das finanças, os sectores da justiça são essências

    Formação e Escolas,…Universidades

    Falamos e olharmos para o turismo sim, em que organização/rigor, que infraestruturas(energias, estradas, hospitais, desporto, lazer, cultura) em que base produtiva(agrícola, pecuária, pescas, industrial, as tecnologias de informação e comunicação, comercio eletrônico, cluster do mar) de sustento para o incremento crescimento futuro.

    A questão de segurança, da justiça, da administração interna, das autarquias locais, restruturação e redefinição das suas competências e objetivos

    Boa governação, estabilidade politica, paz

    Somos nós quem temos que organizar e desenvolver o nosso território, população, administração, mar e rios

    Pratiquemos o bem

    Pois o bem

    Fica-nos bem

    Deus abençoe São Tome e Príncipe

    • ANCA

      24 de Junho de 2024 at 19:59

      Necessidade de expansão da escola de formação agrícola e agropecuária CATAP, a outros distritos, bem como a região autónoma do Príncipe, cursos e formação ligadas a agricultura a agropecuária e transformação, literacia financeira, empreendedorismo, negocio agrícola, comércio digital, diversificação económica,…

      Necessidade de boa gestão das praias, quer fluviais quer marítima ao longo do ano, pois se trata de um activo, económico, financeiro, turístico, assim como o ambiente e saneamento do meio, a natureza a fauna e flora, a protecção e sustentabilidade presente futura.

    • Cristiano Ronaldo

      24 de Junho de 2024 at 22:42

      São Tomé e Príncipe é um mau exemplo de um país africano. Muita corrupção.

  2. Renato Cardoso

    24 de Junho de 2024 at 12:02

    Sabe o porquê que estes anúncios nunca têm impacto na economia e nas finanças das Ilhas!?
    Simplesmente porque nunca funcionou-se com o azimute;ideias desarrumadas e desarticuladas ou seja a manta de retalhos e sem fio condutor!
    E enquanto não mudar-se a visão de que deve-se sentar à bunda no banco e colocar a massa cinzenta a funcionar e repensar-se que vias mais consentâneas adequam-se às realidades das Ilhas; vai-se chover sempre no molhado!

  3. ANCA

    24 de Junho de 2024 at 12:05

    A modernização e investimento no sector dos transportes se afigura primordial urgente, sobretudo nesta fase, portos porto de aguas profundas ou de encoste, Hub de Serviços ao continente Africano, investimento no sector marítimo sua modernização urgente.

    Pratiquemos o bem

    Pois o bem

    Fica-nos bem

    Deus abençoe São Tome e Príncipe

    • ANCA

      24 de Junho de 2024 at 15:21

      A taxa de inflação acumulada segundo dados do INE-STP, situou-se nos 4.7%, com bom desempenho de alguns productos nacionais, a saber;

      milho em grão (-3.4%), farinha de mandioca (-2.5%) e farinha de milho (-1.5%), em carnes – as coxas de frango (-4.4%), fiambre enlatado (-3.5%) e galinha da terra (-0.2%), – açúcar (-3.9%), gorduras vegetais – manteiga sem sal (-7.0%), óleo alimentar (-2.3%) e manteiga com sal (-1.8%), vegetais tubérculos e leguminosos – cebola (-11.7%) e batata inglesa importada (-1.7%), produtos domésticos não duráveis – velas (-18.1%), guardanapos de papel (-17.2%) e fósforos (-14.2%).

      Razão para redobrar o esforço e política de produção agrícola e transformação dos seus derivados a apontar milho, semi industrialização, milho da três vezes ao ano no país, logo em vez de se produzir somente milhos em grãos pode-se transformar farinha de milho, flocos de milho, amidos, farinha para papas, etc, assim como na gastronomia, tomate, pimenta, baunilha, côco, cacau, pimento verde e vermelho,batata doce, e tubérculos e hortaliças, cogumelos e frutas igualmente igualmente, cadeias de valor para consumo interno e para exportação, apesar de sermos pequenos, com pequena industrialização, pequenas unidade de produção se consegue,…necessidade de políticas orientadoras bem definidas no espaço e tempo.

      Quanto ao chocolate sabiam que ja se aproveita a casca da cápsula de cacau, para fazer um gel, para diminuir o acucado chocolate,caros productores, atenção, pesquisem a informação e tecnicas. Quanto ao fosforo e açúcar dois produtos que o país pode e deve produzir em vez de importar.,…

      Outros productos tiveram um aumento significativo de preço, a saber;

      Couve (15%), pimpinela (13.8%), café arábica (10.7%), agulha sombra (6.6%), polvo (4.7%), choco (2.7%), bonito (2.7%), peixe fumo (1.6%) e vermelho (0.7%).

      O que implica análise, ilações

      Sendo o país com o mar a volta, politicas bem definidas e orientações ruma a pesca semi-indutrial, sem esquecer a sustentabilidade do ecossistemas marinhos

      Aposta na aquacultura,piscicultura, mudança de paradigma, a captura, calibragem quanto ao peso, embalagem,certificação,conservação transformação, conservação, comercialização,exportação, higiénico e segurança.

      De recordar que o país tem falta de ou necessidade de co sumo de proteína animal, carnes e seus derivados, ha que apostar forte na agropecuária, criação produção, bovina, suína, caprina, avicola e seus derivadas, transformação, acrecestar valores, semi-industrializacão, captação de investimento interno, externo.

      Tu és daqui, estuda, trabalha, investiga, produz

      Tu és capaz

      Tu nasceste aqui, tu cresceste aqui, em São Tomé e no Príncipe

      És daqui, ajuda a desenvolver o teu país

      Somos capaz

      Acredita

      Pratiquemos o bem

      Pois o bem

      Fica-nos bem

      Deus abençoe São Tomé e Principe

  4. Mepoçom

    24 de Junho de 2024 at 15:45

    É desta que muitos chamem-nos que viveram o passado, de saudosistas. Enquanto o Germano Castela explorou o transporte marítimo e terrestre tudo funcionou eficientemente. Com as lanchas Elizabete e Anabela faziam ligação semanal Stome/Príncipe, Stome/Gabão, transportando produtos e passageiros de e para, tudo funcionou. Tentaram introduzir o estado totalitário, forçou-o a abandonar o país e a empresa, o governo tomou conta, criando Transcolmar, entregou a gestão aos larápios e os vândalos, agora está a pagar o preço.

    • Traidor

      24 de Junho de 2024 at 21:54

      Mepoçom é um macaco raivoso
      Crítica Portugal!
      Os pulas não querem e nunca queriam o nosso desenvolvimento. Aprende tua história!
      Vê Portugal, país mais atrasado e dependente da União Europeia.
      Portugal é uma das causas graves do nosso fracasso.
      Quem proporcionou a corrupção em STP foi Portugal. Pergunta Pinto da Costa.
      Mepoçom odeia-nos profundamente
      A selvageria dele ainda continua dentro deste homem santomense.
      Traidor da pátria

  5. Madiba

    25 de Junho de 2024 at 10:14

    Na altura dos navios PAGUÉ e ELIZABETE já havia pirataria marítima no Golfo da Guiné como agora se sente? Por outro lado, a economia dos países africanos perdeu muita competitividade, com inflação alta e qualidade duvidosa. Gabão, Camarões, Togo ou cidades como Cotonou ainda são o que eram? Eu creio que os dirigentes do nosso país deveriam ser mais inteligentes, mais economicistas, afincados na diplomacia económica. Deveriam, na minha opinião, primeiramente entender como alimentar os santomenses. E a partir daí produzir aquilo que mais consumimos e que dê também para exportar, como excedentário. No meu ponto de vista até não me parece tarefa tão difícil assim. É preciso por a massa cinzenta a funcionar. E pensar com razão e convicção. Esquecer mendicidade e esmolas dos outros que, em nada contribuem para o nosso sucesso económico como nação. E desta forma dignificar socialmente o homem santomense. Em pouco tempo estávamos a surpreender o mundo. E para terminar, como é que se explica a importação de tanta ração animal para o país. Quando já tínhamos pelo menos uma fábrica de produção de ração no País?

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