Política

Estrada em ruína, protesto suspenso, e as promessas do governo no asfalto

A ameaça de barricadas na Estrada Nacional n.º 2, na zona sul de São Tomé e Príncipe, foi travada à última hora após um encontro entre o Governo e representantes dos taxistas, realizado no dia 31 de dezembro, no Ministério do Estado de Economia e Finanças, num diálogo marcado por tensão, urgência e promessas com prazo definido.

Os taxistas chegaram à reunião cansados de circular numa estrada em estado crítico, onde buracos, lama e deslizamentos transformaram o trajeto diário num risco permanente. “Os taxistas sentem, na pele, as dificuldades de circulação atualmente registadas na Estrada Nacional n.º 2, sobretudo em troços considerados muito críticos, como a subida de Mondi, outras zonas adjacentes, onde a circulação tem sido particularmente difícil”, reconheceu o diretor do Instituto Nacional de Estradas, Adelino Cardoso, no final deste encontro, sublinhando a gravidade da situação.

Segundo o responsável do Instituto Nacional de Estradas, a atual intervenção na estrada resulta de um contrato em vigor desde 2021, assumido pelo Governo de São Tomé e Príncipe com a empresa CONSTROMÉ, responsável pela execução das obras. No entanto, explicou que os trabalhos têm sido marcados por paralisações frequentes, devido a limitações no engajamento financeiro, tanto para o arranque como para a conclusão das empreitadas. A situação foi ainda agravada pelas chuvas intensas que têm assolado a região sul, degradando parte das intervenções já realizadas, sobretudo ao nível da camada de base.

Do lado dos taxistas, o encontro serviu para confirmar que as máquinas já se encontram no terreno. “Fomos informados de que as máquinas já foram enviadas para intervir nos pontos mais críticos da estrada, sobretudo nas zonas mais perigosas, que têm causado prejuízos aos taxistas, mas também dificuldades para motociclistas e peões”, afirmou o representante dos taxistas da zona sul, Carlos dos Anjos.

De acordo com o INE, a intervenção em curso é pontual e emergencial, tendo como objetivo garantir condições mínimas de circulação. “Não sendo possível, neste momento, realizar uma intervenção total de início ao fim, o nosso compromisso é garantir a circulação nas zonas mais degradadas assegurando condições mínimas de transitabilidade”, explicou o diretor do instituto, acrescentando que a empresa está no terreno a realizar trabalhos que permitam a passagem de pessoas e bens, ainda que “não em condições ideais, mas de forma funcional”.

O compromisso mais concreto apresentado pelo Governo aponta para janeiro do presente ano 2026. “Assumimos o compromisso de que, durante o mês de janeiro, iremos garantir a circulação naquele troço, com intervenção na camada de base e impregnação superior, para evitar nova degradação causada pelas chuvas”, garantiu o diretor do Instituto Nacional de Estradas, Adelino Cardoso.

Os taxistas confirmam essa promessa, mas sublinham que se trata de uma solução temporária. “Foi-nos garantido que esta intervenção atual serve apenas para assegurar a circulação durante o mês de janeiro. No final de janeiro está prevista uma intervenção mais profunda, com colocação de betão nos troços mais degradados”, disse Carlos dos Anjos, acrescentando que a execução depende também do fim do período de férias das empresas envolvidas.

Quanto à ameaça de barricadas, o recuo foi imediato. “Decidimos não avançar com a barricada, porque o processo já foi iniciado e acreditamos que o diálogo com o Governo está a produzir resultados”, afirmou o representante dos taxistas da zona sul.

Ainda assim, o próprio Governo admite que a reabilitação total da estrada da zona sul continua dependente da aprovação do Orçamento do Estado. “A partir do momento em que o orçamento esteja aprovado, teremos condições legais e financeiras para avançar e garantir, em 2026, a reabilitação total do troço”, concluiu Adelino Cardoso.

Para já, o Governo conseguiu ganhar tempo e aliviar a tensão numa estrada que há anos espera mais do que remendos. Resta saber se, desta vez, as promessas vão resistir às chuvas, às limitações financeiras e à paciência de quem depende diariamente daquela via para viver.

Waley Quaresma

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