A Assembleia Nacional voltou a registar momentos de tensão durante a sessão plenária desta quarta-feira. Os incidentes envolveram deputados da bancada do ADI e outros parlamentares do mesmo partido que, com a recente crise interna, passaram a atuar como independentes.
A situação ocorreu enquanto a Ministra da Justiça, Assuntos Parlamentares e Direitos da Mulher respondia às questões colocadas pelos deputados, levando à suspensão dos trabalhos por algumas horas.
Os acontecimentos surgem num contexto de debate sobre o modelo eleitoral. Alguns parlamentares defendem que os representantes à Assembleia Nacional passem a ser escolhidos por sufrágio direto e universal, permitindo ao eleitor identificar claramente os candidatos.
“Vamos à sabatina, gente por gente, cara por cara, com fotografia e nome, para que o povo escolha e diga: eu escolhi este deputado. Nunca na boleia da lista dos partidos”, afirmou Delfim Neves, da bancada do BASTA, acrescentando que a proposta poderá ser apresentada ainda nesta legislatura.
Apesar de algumas reservas, o líder da bancada do ADI também manifestou apoio à ideia: “De facto deveria ser por sufrágio universal direto e secreto. Só que haveria muitas lágrimas no fim das eleições, porque alguns seriam eleitos com pouco trabalho e outros, apesar de muito esforço e investimento, ficariam de fora.”
Atualmente, o sistema eleitoral em São Tomé e Príncipe baseia-se em listas partidárias, nas quais os eleitores votam no partido e não diretamente nos candidatos.
José Bouças