Nas últimas semanas, São Tomé e Príncipe foi sacudido por uma série de mandados de captura emitidos pela Interpol, contra os conselheiros especiais, do Presidente da República, e do primeiro-ministro. Coincidentemente um cidadão chileno que era conselheiro especial do actual primeiro-ministro Américo Ramos, tinha sido antes nomeado conselheiro especial da ex-Presidente da Assembleia Nacional Celmira Sacramento.
Foi no meio da crise evolutiva na ADI, que o país se despertou para o problema. A Interpol já tinha entrado em campo, com mandados de captura e extradição dos conselheiros especiais nomeados pelos titulares dos 3 órgãos de soberania do Estado são-tomense.
Na última sessão plenária da Assembleia Nacional, o actual Presidente Abnilde Oliveira levantou a ponta do véu que cobre a rede instalada pelo actual poder dominado pelo partido ADI.
O Presidente da Assembleia Nacional confessou que foi pelas suas mãos, na altura como vice-Presidente do parlamento, que um cidadão chileno foi nomeado conselheiro especial de Celmira Sacramento a anterior Presidente da Assembleia Nacional.
«Eu enquanto vice-Presidente da Assembleia penso que a Presidente da Assembleia ao chamar-me para o seu gabinete, ou eu apresentá-la a alguém, quer dizer que partiu de um grau de confiança, e neste sentido não constitui crime algum apresentar alguém para ocupar uma função», afirmou Abnilde Oliveira.
A legalidade do acto foi ainda justificada por Abnilde Oliveira, com as competências que a lei confere ao Presidente da Assembleia Nacional.
O mando vertical, é uma das características da acção política do partido ADI. Abnilde Oliveira, na altura membro da direcção do partido e vice-Presidente do parlamento, confessou agora na qualidade de Presidente da Assembleia Nacional que «quando eu fiz esta apresentação houve um antecedente… pela minha educação prefiro não levantar este assunto. O caso do senhor chileno encontra-se na alçada da justiça que está a fazer o seu trabalho. Penso que pelo princípio de separação de poderes devemos deixar que a justiça faça a sua parte», defendeu.
De conselheiro especial da ex-Presidente do poder legislativo, a Assembleia Nacional, o cidadão chileno conseguiu chegar também ao poder executivo de São Tomé e Príncipe, controlado pela ADI, na qualidade de conselheiro especial do primeiro-ministro e Chefe do Governo.
«Se é meu amigo, assumo que é meu amigo e sem vergonha. O senhor não é traficante de drogas, o senhor não é traficante de droga, o senhor não é traficante de seres humanos. Tem uma questão com a justiça. É meu amigo e eu assumo, ao contrário dos outros que não assumem seus amigos» frisou Abnilde Oliveira.
Amizades que terão criado a rede de conselheiros especiais procurados pela INTERPOL. «Se é para falar dos aviões que chegam na calada da noite… se é para falar de aviões que chegam e vão para determinados lugares, eu penso que não é isso que o povo quer de nós», pontuou o Presidente da Assembleia Nacional.
Abnilde Oliveira preferiu levantar só uma ponta do véu. «Porque em certos palcos não se diz tudo, e nem todas as verdades devem ser ditas em determinados momentos, assiste-me o direito de ficar por aqui», concluiu.
Pelas declarações feitas pelo Presidente do parlamento, num verdadeiro Estado de Direito, a justiça entraria em campo para desvendar todo o véu sobre a rede de amizades de voos nocturnos e de conselheiros especiais nomeados, pelo poder da ADI nos últimos 4 anos.
Abel Veiga