O maior partido político de São Tomé e Príncipe, a ADI, vive de tumultos em tumultos. A agressão entre os militantes marcou a reunião do conselho nacional realizada no último fim de semana.
Depois da pancadaria entre os militantes, Américo Ramos, primeiro-ministro e candidato à liderança da ADI, denunciou irregularidades no conselho nacional.
«A lista foi totalmente adulterada. Foram excluídos da lista elementos que pertenciam a ADI, e que passaram para outro partido. Mas na sala tínhamos também gente que subscreveram no outro partido, o MCI e estiveram na sala», afirmou Américo Ramos.
A primeira vice – Presidente da ADI, Celmira Sacramento discordou. «Esta lista é a lista que o Tribunal Constitucional tem. É a lista do último conselho nacional», defendeu a vice -presidente.
Celmira Sacramento acusou a facção da ADI, que apoia o primeiro-ministro Américo Ramos de ter tentado desestabilizar a reunião do conselho nacional.
Américo Ramos que reafirmou a sua candidatura ao cargo de Presidente da ADI, contestou a decisão do conselho nacional de marcar o congresso electivo para 26 de julho.
«O Tribunal Constitucional já decidiu para num prazo de 30 dias realizar-se o congresso. Estamos a marcar uma data que não sabemos… e com a introdução de pessoas estranhas na sala, e a exclusão daqueles que são realmente membros do conselho nacional», frisou.
O prazo de 30 dias dado pelo Tribunal Constitucional obriga que o congresso electivo na ADI seja realizado antes das eleições presidenciais de 19 de julho.
«Estamos numa ditadura, num partido em que as reuniões são feitas on-line, sem a presença do presidente do partido. Estamos a lutar para a democratização do partido e vamos continuar», declarou Américo Ramos.

No entanto, a vice-presidente da ADI, Celmira Sacramento informou ao país que o conselho nacional aprovou o código eleitoral interno e elegeu os membros da comissão eleitoral do partido.
«A comissão eleitoral foi formada com todos os elementos do partido, é pluralista, aceitou também os outros», pontuou Celmira Sacramento.
A vice – presidente do partido garantiu que Patrice Trovoada será candidato a sua sucessão na presidência do partido. «É certo que o Patrice Trovoada se recandidate ao cargo. Até agora sabemos que ele é o candidato a sua sucessão».
A convulsão interna na ADI que eclodiu em janeiro de 2025, lançou o país numa instabilidade político-governativa marcada por violência física e verbal.
Abel Veiga