Política

O povo na sua sabedoria pode ter decretado o fim de um ciclo político

A contagem dos votos das eleições presidenciais de 19 de julho, e o apuramento do resultado provisório pela Comissão Eleitoral Nacional devem ficar concluídos nesta semana.

Os números divulgados pelos órgãos de comunicação social apontam para uma derrota do candidato Nito Abreu, que foi indicado e apoiado pelo ex-Primeiro Ministro Patrice Trovoada.

Carlos Vila Nova deverá ser reeleito Presidente de São Tomé e Príncipe para os próximos 5 anos. Uma vitória eleitoral que pela segunda vez no regime democrático trava a hegemonia da família Trovoada na indigitação e eleição de Presidentes da República em São Tomé e Príncipe.

Depois de concluir dois mandatos como Presidente do país, o pai Trovoada e o filho Patrice lançaram o nome de Fradique de Menezes para o suceder na presidência. O desentendimento com Fradique de Menezes, forçou o filho Patrice a disputar as eleições presidenciais de 2006 tendo sido derrotado por Fradique de Menezes.

Patrice indigitou Evaristo Carvalho para suceder à Fradique de Menezes, mas o candidato Pinto da Costa levou a melhor e foi eleito Presidente da República. No final de 5 anos de mandato de Pinto da Costa, o então Primeiro Ministro e sempre Presidente da ADI, relançou Evaristo Carvalho como candidato presidencial. Pinto da Costa afastou-se e Evaristo Carvalho disputou sozinho a segunda volta das eleições e foi eleito Presidente.

O malogrado presidente Evaristo Carvalho só cumpriu um mandato. Patrice Trovoada indigitou Carlos Vila Nova em 2021 para ser Presidente da República e mais uma vez teve êxito. Antes de terminar o mandato de 5 a nos Vila Nova e Patrice Trovoada se transformam em adversários políticos.

Patrice confiante de que o povo o ama, e segue cegamente a sua ordem política indica desta vez um jovem trabalhador, mas sem qualquer experiência política, sem qualquer experiência na administração pública, e aparentemente sem conhecimentos em termos de política externa, para ser candidato ao cargo de Presidente da República, o mais alto magistrado da nação.

Sábio, o povo percebeu que Nito Abreu ainda não tem maturidade para presidir o seu destino. Talvez considerando a proposta de Patrice Trovoada como uma grande brincadeira, a maioria dos eleitores terá ignorado as urnas. A outra parte dos eleitores preferiu sancionar a proposta de Patrice Trovoada.

O ex-Primeiro Ministro, que não reside permanentemente no país perdeu a oportunidade de se apresentar ao povo como candidato presidencial, e corre risco de perder também a presidência do partido ADI, cargo que lhe permitiu chefiar vários governos da República.

A sanção eleitoral de 19 julho nas eleições presidenciais pode sim, representar o fim do ciclo político de Patrice Trovoada.

Abel Veiga 

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