Estranhas, porque as eleições legislativas, autárquicas e regionais deste domingo, foram precedidas por uma campanha eleitoral diferente, marcada pela apatia do povo. O contraditório desapareceu, pela primeira vez durante a campanha eleitoral, os partidos da oposição não criticaram o partido no poder, e o poder também não atacou a oposição.
A prova mais evidente da harmonia político-partidária instalada no país, aconteceu no último dia da campanha eleitoral, (na última sexta-feira) na subida para o bairro do Riboque na capital São Tomé. As caravanas de campanha de três forças políticas, nomeadamente o MLSTP, maior partido da oposição, o ADI partido no poder, e o Movimento BASTA cruzaram-se na subida do Riboque.
Numa estranha cordialidade, as três forças políticas transmitiram as suas propostas ao povo que se aglomerou na Avenida Giovani sem ter havido qualquer escaramuça ou contenda entre as caravanas políticas.
O dia das eleições, domingo 27 de setembro, revelou mais um facto invulgar nas eleições legislativas, autárquicas, regionais, e até mesmo nas eleições presidenciais realizadas no país. Não houve boicote. Apesar da falta de água, de estradas, e de outras necessidades básicas, pela primeira vez nos últimos anos, as populações não boicotaram as eleições gerais.


A afluência às urnas está a ser variável. Há localidades onde a afluência dos eleitores é grande, e há outras em que a mesa de voto ficou praticamente entregue às moscas.
Os resultados preliminares das eleições gerais poderão ser conhecidos, ainda esta noite. Altura em que o país e mundo ficarão a saber quais dos apelos teve mais peso junto ao eleitorado. Se foi o apelo do ex-Primeiro Ministro e ex-Presidente da ADI Patrice Trovoada, para que o povo se abstivesse das urnas, ou se foi o apelo do Presidente da República Carlos Vila Nova, para que o povo rejeita-se a abstenção como forma de protesto face aos problemas sociais e económicos que enfrenta.
Abel Veiga