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REFLEXÃO DE UM ESTUDANTE EM BRASIL

O Governo São-Tomense Forma Tigres Famintos para as Suas Instituições:

Caros colegas, amigos, POVO das ilhas formosas do equador. Antes de todas as considerações que cá pretendo deixar, peço desculpas á todos para uso da expressão a cima “tigres famintos”, não quero aqui cogitar insultos, mas tão somente chamar a atenção aos colegas que se formam e regressam às ilhas e ao nosso Governo.

Tendo chegado ao Brasil em 7 de março de 2005, faço parte de mais 150 alunos,  que com muita luta, tem em vista um diploma do Ensino Superior. Neste sentido, por amor aos estudos e as causas que acredito, para cá nos trouxe, a busca por um futuro melhor. Para atingir esse fim, com um ano de estudo ingressei-me num grupo de pesquisa e extensão, onde permaneço até então. A pratica do grupo é de inclusão social, estudamos preponderantemente os Direitos humanos, com ênfase no direito à cidade como lugar proporcionador da sustentabilidade da digna humana. Além da pratica de assessoria nas comunidades o grupo é institucional com a participação funcional dos alunos que praticam alem da assessoria também a assistência jurídicas ao hiposuficientes, proporcionando assim, o acesso democrático à justiça. É uma atividade altamente voluntária.

Este breve relato vem no sentido de fazer as seguintes perguntas:

1 – Qual tem sido o nível do meu aproveitamento acadêmico?

2 – De que maneira as atividades extra-classe, podem ajudar para um futuro melhor do país?

3 – Será que a pratica destas atividades são necessárias e me serão úteis?

4 – Qual o tipo de auxilio eu tenho tido na execução destas atividades?

5 – Qual tem sido o aconselhamento ou acompanhamento do Governo?

São estas e deveras seriam, as perguntas que se poderia fazer. Mas com estas acho suficiente para buscar a seguinte reflexão, tanto nos colegas que como eu, estão a terminar os seus estudos e pretendem voltar para o país, como, e mais propriamente, para o POVO são-tomense e o seu Governo.

Da primeira questão, vale dizer que esta experiência não deixa de ser antes de inovadora necessária para futuramente dizer que, sai do país e formei-me numa sociedade totalmente diferente. A diferença ai se pauta muito mais pelo caráter da construção institucional do que pelo caráter humano cultural. Numa cultura institucional Democrática com as suas dificuldades, são inúmeros os projetos que se vê e com oportunidade de se participar, com vista a inclusão, aprimoramento e formação de um POVO. Com isso, quero me referir ao caráter assistencialista, propositor e formador do Governo São-tomense, não só do atual, mas como dos diversos que pela nossa dita Democracia passou. Será que ainda vale ficarmos na pretensão e não partirmos para a ação? Esta reflexão pronuncia de certa forma, o que tem sido o meu aproveitamento acadêmico, que, além de manter as disciplinas em dia posso aqui fazer e deixar esta superficial reflexão.

Num convenio que se diz CULTURAL, entendo que, aos alunos que para cá vêem, são incumbidos de no máximo absorver as experiências para depois saber aplicar no seu país de origem, ai está vinculada à terceira questão. É por ai que a participação dos alunos fora dos bancos escolares se investe de deveras importância, pois estamos na busca de melhores formulas para satisfatórios resultados. Ai está presente, a contribuição das atividades extra-classe referente a segunda questão, pois saímos do campo da teoria e entramos na pratica. Creio eu que o Governo não pretende somente continuar na pratica de produzir expressões e não propor mudanças, construir. Com embasamento, vale o cuidado do Governo e a pergunta dos próprios alunos a si; será que eu preciso ter somente o titulo formado pelas teorias ou ele prescinde também da sua pratica? Com isso, vale olharmos bem para o nosso país e perguntarmos, quantas são as pessoas com formação superior que temos no país e a onde estas pessoas se formaram? Não seria que com todos os quadros técnicos e superiores que temos no país deveríamos em tese ter melhores resultados? “não sei dizer, talvez alguém saberia dizer”.

O mundo é hoje, palco de valores direitos e deveres, muito mais ainda de conforto ao homem, isso graças as suas atividades buscada pelas suas necessidades. Proferir palavras, além de ser uma das características humanas, é o meio pelo qual ele facilmente se socializa, considerando assim a linguagem no seu gênero e em espécies. Com isso, o mundo já tem provas de que é preciso a pratica para se comprovar as teorias. Neste sentido é condensa os nosso trabalhos de conclusão do curso e demais. Porém, distante da nosso realidade, nada é mais importante do que termos as praticas das teorias que estudamos, experimentarmos e termos a certeza qual é o caminho certo para o resultado pretendido, num mundo de direitos, mas de sociedades sem direito. Com isso, eu me reporto à sociedade São tomense, que como vemos pelos jornais on-line, de tudo se contenta, e que, de nada tem no que condiz com eficácia e validade dos direitos humanos e do homem. Essa é a necessidade e a utilidade que incumbe, chama a atenção das atividades extra-classe; é necessário que saibamos expor e propor meios para a construção de uma sociedade digna de seus valores.

Do interesse próprio e de consideração dos colegas brasileiros, pela diferença e por estar a fazer o que os próprios dizem que não fariam, pois, sair do seu país e ficar fora da família, amigos, e da própria cultura, já tendo como parâmetro o choque cultural, o apoio moral tanto por parte dos mesmos como dos professores, são além de motivo para prosseguir, o apoio mais do que necessário para quem vê a causa como uma necessidade e a vida como mais do que de valores fraternos, a possibilidade de ser dignamente vivida numa sociedade onde se expressa os valores e não os vive. Com isso não posso dizer que os auxílios são externamente o dever dos outros, mas mais do que a minha força de vontade o reconhecimento de que cabe a cada um de nós os são tomenses, cada um na sua área de conhecimento fazer a sua parte. Não podemos esquecer com isso que somos seres de deveres, de cumprir com as nossas obrigações, pois é necessário a opção de investimento, mas mais do que necessário, a nossa educação é um direito protelado hoje como o da humanidade e do homem nacionalmente falando.

Esta idéia, nos leva a seguinte pergunta; qual a obrigação do Governo com a nossa formação? Mais do que de construir o país, o dever do Governo é de proporcionar e de bom tom, as vertentes necessárias para o desenvolvimento, isso, além de ser o dever do Governo é também a sua obrigação, pois o governo é o exercício do Estado na satisfação das suas necessidades. Por ai se vê presente os poderes de ordem, executivo, legislativo e o judiciário. A consideração destas pessoas do estado, caberia a nós questionar as suas políticas, projetos de fiscalização, e construção do Estado. Por falta de uma expressão de um poder popular questionador, ativo na colaboração do poder judicial e discricionário do Estado, podemos até não falar na coerência dos deveres das pessoas do Estado na presença do seu POVO. É de chamar a atenção, assim, dos nossos direitos e deveres, que olhem para nós como seres de direito e, que buscando formas de colaboração para a construção do país, estamos a cumprir com a nossa parte.

BOLSA DE ESTUDO

Como eu, imagino ter vários colegas por ai, que em determinados momentos dos seus trabalhos de campo ou no laboratório, se vêem impossibilitado de uma continuidade, ou por; distúrbio mental, “encargos com as necessidades alimentares”, cumprir com as obrigações de estadia, sem falar nas deficiências pessoais, emocional “distancia da família, perdas, acidentes” dentro da família e nós aqui distante sem poder ajudar em nada. Esses são os encargos, alguns comensuráveis e outros incomensuráveis.

É de conhecimento do Governo as condições de vida no Brasil ou em qualquer outro canto do mundo, e, passível também de entendimento, de que a quantia por nós recebida não é satisfatória as necessidades do estudo e a condições econômicas de cada lugar, mesmo assim, nos condena ao largo espaço de tempo sem a bolsa e quando envia, já nos encontra enlaçados de dividas o que nos faz feliz por ver o dinheiro chegar e passar por nossas contas. Quando digo que; “O Governo São-Tomense Forma Tigres Famintos para as Suas Instituições”, deve-se entender como uma forma de não nos sacrificar, pois são muitos que maculados pela condenação do Governo, chegam até a dizer, é assim que se cria um homem corrupto.

Por toda esta reflexão, numa forma supeficialmente expressiva, é plausível certas sugestões:

A nós alunos, sei que, o nosso programa convenio não nos permite estagiar e ter uma remuneração, mas para quem consiguir um estagio na sua área, puder participar num grupo de pesquisa ou de extensão, o país precisa de projetos práticos, construções, precisamos de deixar de buscar quadros estrangeiros e criar os nossos;

Ao Governo, temos fora do país e mesmo ai dentro do Estado, talentos merecedores de um olhar uma força, cabendo a vós, a sua exploração, pois pequenos projetos de incentivo ajudaria e muito ao reconhecimento dos mesmos, o que seria, mérito para o próprio país; com isso quero dizer, para o nosso caso, quem sabe lançar desafios com certos benefícios aos estudantes supriríamos certas dificuldades da nossa sociedade, da nossa jovem Democracia e das suas instituições;  pois a nossa formação precisa ir alem do que se vê. Seria plausível para nós pois, beneficiarmos de uma passagem para irmos de férias ao país, um ou dois anos antes do termino do curso, a fim de pesquisarmos e elaborarmos projetos a medida da necessidade do país, pois são muitos que se formam sem ter em vista uma especialidade em concomitância com a necessidade do país.

Por: Leonardo Barreto

Cursando em: – Comunicação Social (Jornalismo)

Membro do:

– Associação dos Estudante do PALOP

Instituição:

UFB – Universidade Federal  do Brasil

Brasil 24-12-2010

11 Comments

11 Comments

  1. O FURRACÃO

    28 de Dezembro de 2010 at 17:03

    Se ha mais de seis meses não nos mandam bolsa, e mesmo no natal , esses senhores, mais tubarões que seres humanos, nos conseguem mandar bolsa , passamos fomes o ano todo e nem nesse dia conseguem lembrar da gente, imagina lhes sugerir passagem para fazer pesquisa,.. Eu pensava que sendo uma padre as coisas ganhariam outro rumo… que pena.. estamos num campo de concentração isso sim , passados cinco anos regressamos a terra, sem alma, sem ” dignidade” com o nome ligado a tudo quanto é divida , ainda bem que no brasil ninguem vai preso por ser inadimplente. Ja fazia tempo nãp passavamos natal sem bolsa.

    Que Deus nos reserve dias melhores em 2011

    • De Longe

      28 de Dezembro de 2010 at 21:52

      Já sabemos que somos todos filhos sobrinhos ou irmãos de tubarões. É muito assustador que todos nos queixemos das dentadas só quando somos mordidos.
      Será que algum dia ainda rezaremos para degenerarmos em humanos? Deixaremos de refilar para o ar enquanto aguardamos a nossa vez de abocanhar? Passaremos a ter pensamentos de justiça e de construção? Rezo para o conseguir e espero que façamos todos para o bem de todos.

  2. Nome

    28 de Dezembro de 2010 at 19:40

    Compatriota,
    Antes de mais, felicitações pela iniciativa. É com agrado que li a sua reflexão. No entanto, gostaria de fazer alguma ressalva, em S. Tomé e Príncipe escreve-se e fala-se oficialmente o Português de Portugal, por isso é aconselhável que ao escreveres para o mundo através da Internet como são-tomense, escrevas usando o idioma oficial do teu país de origem. Aduzes que “seria plausível (…) beneficiarmos de uma passagem para irmos de férias ao país, um ou dois anos antes do termino do curso, a fim de pesquisarmos e elaborarmos projetos a medida da necessidade do país”. Meu caro, claro que a sua sugestão é interessante, mas não te esqueças que trata-se de S. Tomé e Príncipe! E, mais não digo.

    • Mé-Zochi

      30 de Dezembro de 2010 at 9:35

      Meu Caro

      Devo estar muito mal informado ou tu não fazes ideia nenhuma sobre o Português que falas. Mas tenho certeza que não falamos o Português oficial de Portugal, se reparares bem existem muitas variantes no nosso português que não existem na língua de Portugal, sinceramente prefiro acreditar que falamos o Português de S.Tomé da nossa forma e do nosso jeito.

      Não entendo o porquê de estares s repreender o colega que expôs a sua ideia e que com certeza entendeste bem, com essas correcções de mediocridade, se não bastasse o sofrimento que passamos ainda queres mais este. queres obrigar-nos a falar que nem os Patrícios.
      Aqui é que não vamos ser entendidos mesmo.
      Bem haja.

  3. SPC

    29 de Dezembro de 2010 at 9:19

    Acho que o título do artigo do Leonardo deveria ser “O meu lamento”. Utilizas-te um recurso da escrita com título apelativo para me fazer ler a tua experiência no Brasil? Fala sério!!!
    Estudar no Brasil não é bicho de 7 cabeças.
    Sei que é dificil ficar sem bolsa ainda mas na quadra natalícia. Queres dicas:
    1.Roguem o obséquio dos vossos pais para que nunca se cansem de fazer pressão junto ao Ministério da Educação e ao Ministério das Finanças;
    2.Tal como tu, todos estudantes que ingressam nos grupos de pesquisas recebem uma ajuda da CNPq ou Proint…economizem;
    3.Ao receber a bolsa pagem a casa para um minimo de 3 e maximo de 6 meses;
    4. Comprem muito feijão e arroz;
    5. Evitem shopping, comprem nas feiras mesmo (o protudo tb é bom).
    Poderia levam tempão a escrever dicas para vcs. Mas a mas importante é que vcs devem mesmo falar com os vossos pais para que eles não parem de pressionar o MEC, MF, Direcção do Orçamento e a Direcção de Tesouro.
    Aquele abraço.
    Que Deus abençoe S. Tomé e Príncipe.

  4. ganhã

    29 de Dezembro de 2010 at 14:13

    A situação dos estudantes que fazem graduação no Brasil é precaria, o governo praticamente nos deixa a nossa sorte, ficando meses sem enviar bolsa.Não importando conósco. Já há 6 meses que não nos envia bolsa. Nos submete a um terror economico pondo em causa a nossa dignidade e consequentimento o de país.
    Um país para ser respeitado e reconhecido mundialmente precisa dar atenção e respeito aos seus cidadãos.
    Nem sempre com muito se consegue resolver tudo, muitas vezes com pouco sabendo admnistra se alcança melhores resultados.

    • E. Santos

      30 de Dezembro de 2010 at 16:53

      Há quanto tempo está no Brasil? Há quanto tempo vão estudantes para o Brasil e relatam exactamente este facto. Não só Brasil, os bolseiros do governo em Portugal também ficam sem receber o mesmo tempo. A diferença talvés seja que em Portugal bem ou mal têm um familiar que apoie e Portugal é um país que permite que cada um safe sua vida (há trabalho precário para todos).

      Minha pergunta: Foram porquê estudar no Brasil com Bolsa do Governo? Se já sabiam que iria ser assim e não têm como contar com o apoio da vossa família?

      Antigamente podia-se dizer que não havia alternativa para quem quisesse tirar Licenciatura. Hoje já há. Estudem em casa.

      Acho que devem reclamar sim, porque quem cala consente. Mas que isto sirva de aviso para quem esteja a pensar sair para estudar com Bolsa do Governo.

      Da mesma forma que sofrem os filhos de pais pobres para estarem na escola (ir para escola apé, sem almoçar, as vezes descalço, sem livros e só com 1 caderno, uma única bata o ano todo), têm de pensar que são filhos de um governo pobre e desoganizado (pelo menos até agora. Daí para frente vamos lá ver).

  5. Estou Preocupado com a fragilidade do nossos governantes!!!

    29 de Dezembro de 2010 at 16:58

    Eu em particular entendo a dificuldade que o Governo deve encontrar pra nos pagar a bolsa, sabemos perfeitamente que o País tem uma economia completamente deficitária, então seria importante que o Governo ao menos nos mantivesse informado com relação ao atraso deste subsidio porque ficamos ansiosos pra pagar as nossa dividas, sobretudo no pagamento de aluguel e transporte pra faculdade sem falar de alimentação.

  6. Vanessa Barreto

    30 de Dezembro de 2010 at 1:44

    Boa noite,
    Quero parabenizar o estudante Leonardo Barreto pela sede de aplicar seus conhecimentos acadêmicos que é de grande importância para sociedade.
    Sua linha de raciocínio é coerente com a postura de um bom profissional que vê seu país com potenciais infinitos, mas que não se usa, vale lembrar que o povo santomense tem qualidades e belezas raras levando muitos turistas ao encantamento.
    Meu marido que é santomense e formou agora em engenharia de computação pela Universidade Federal do Rio Grande do norte quer contribuir positivamente com a sociedade santomense, mas percebe que a tarefa não será fácil, pois quando há impedimentos da parte do sistema político tudo fica mais difícil. Devemos também lembrar que a população tem seu papel de exigir e cobrar melhorias, porém nem sempre isso acontece.
    Indico a todos que assistam o filme Tropa de Elite II, onde relata um assunto que envolve população, governo, segurança pública e outras reflexões.
    Se todos nós obedecermos ao principal mandamento de Jeová o mundo se tornaria mais agradável “Amai o próximo como a si mesmo, assim como eu vos amei” Bíblico
    Desejo feliz festas e que o amor de Deus possa inundar a vida de todos nós!
    Ass Vanessa Barreto
    Bacharel em Turismo
    Estudante em Especialista em Gestão Ambiental
    Natal-RN-Brasil.

  7. Vanessa Barreto

    30 de Dezembro de 2010 at 1:48

    Correção: Estudante de especialização em Gestão Ambiental

  8. E. Santos

    30 de Dezembro de 2010 at 16:38

    Pois, Bolsa sem foi Bolsa. Poucos serão os estudantes São-tomenses de todos os tempos que podem se gabar de ter recebido as suas bolsas de estudo sempre a tempo e não terem passado o sufoco de meses sem receber por esta ou aquela razão. São os ossos do ofício (ser estudante bolseiro). Agora que já é possível fazer formação superior em casa, era importante que quem saísse de bolsa assumisse a sua parte neste processo. Ou têm apoio da fámilia para alturas difícieis ou fazem a formação em STP. O resultado é o mesmo. Dr. não passa Dr. A diferença, é o investimento intelectual que cada um faz em si.
    Atenção: Isto não dispensa o governo são-tomense de se esforçar para minimizar os atrasos nos pagamentos das bolsas. Isto é um dever. Devia ser uma meta do governo.

    Mas era importante que cada um assumisse a sua parte para depois não se vitimizar, quer uns quer outros.

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