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O julgamento do caso GGA, não para de produzir revelações documentais que baralham todo O SISTEMA, montado no país nos últimos anos. Por exemplo os governos da região do Príncipe, com destaque para o de Tó Zé Cassandra, têm lutado incessantemente pela subvenção por parte do governo central dos produtos de base que chegam a ilha do Príncipe. Mas já se sabe que o GGA subvencionava todo o transporte de produtos para a ilha do Príncipe, de forma serem negociados ao mesmo preço praticado na ilha de São Tomé.
No entanto o custo dos produtos no Príncipe foi e continua a ser duas a três vezes superior ao praticado em São Tomé. O ex-contabilista do GGA aproveitou o julgamento para abrir todo o jogo, numa altura em que o tribunal ouvia o representante da forma comercial CGI, alegadamente indicada como beneficiária de fundos do GGA para transporte de seus produtos que deveriam ser vendidos no Príncipe.
Uma alegação que foi desmentida no Tribunal. Os antigos responsáveis do GGA, e mesmo o ministro do comércio da altura, Arzemiro dos Prazeres, explicaram que a decisão de subvencionar o transporte de produtos foi assumida pelo governo em conselho de ministros. Um revendedor de cimento da ilha do Príncipe terá beneficiado de tal subvenção, e não a firma CGI de forma directa. A mesma firma que também compra cacau na ilha do Príncipe, terá beneficiado pelo menos uma vez dalguma “boleia” da embarcação subvencionada para colocar o produto em São Tomé.
No debate das subvenções para a ilha do Príncipe, Arzemiro dos Prazeres, declarou que após a sua saída do governo, logo a seguir ao golpe de estado de 2003, a medida de subvenção dos produtos foi anulada pelo novo executivo. O ex-contabilista do GGA levantou-se para desmentir o ex-ministro. Ele garantiu com base em documentos que o GGA continuou a pagar a subvenção dos produtos para o Príncipe, até o ano 2006, quando o gabinete foi extinto.
Se o GGA sempre pagou a subvenção dos produtos para Príncipe, como é que se entende o alto custo das mercadorias naquela parte do território nacional? O tribunal prometeu descobrir quem são as empresas ou pessoas que beneficiavam de tais subvenções, porque na prática nada mudou pelo contrário, tudo no Príncipe é muito mais caro. Para quê serviu a aplicação dos fundos do GGA nestas subvenções?
Tudo baralhado, resta a justiça redistribuir as cartas.
Abel Veiga