O empreendimen
Já a partir de 2010 deverão iniciar as obras de construção do porto de águas profundas. É sem dúvidas a maior infra-estrutura a ser construída no país desde a independência nacional. Mais de 500 milhões de dólares vão ser investidos para transformar Fernão Dias no centro de prestação de serviço para a região da África Central.
A empresa francesa Terminal Link, que assinou com o governo o contrato para a execução dos trabalhos, já está baseada na capital são-tomense, e os quadros expatriados que vão erguer o porto, estarão a caminho uma vez que o governo já anunciou a construção em Lobata de 300 residências para os albergar.
3 de Fevereiro de 2009, poderá ser a última celebração do dia dos mártires da liberdade na Praia de Fernão Dias. O local onde no passado recente foram encontrados esqueletos humanos no mar, guarda centenas de são-tomenses que pereceram no massacre de Batepá. Após a chacina dos filhos da terra, sobretudo no centro de São Tomé, as autoridades coloniais depositavam os corpos no mar de Fernão Dias.
O mesmo local onde foi construído um pontão para embarque e desembarque de mercadorias. Obra que consumiu também muitas vidas de são-tomenses. Por tudo isso, Fernão Dias foi sempre o local das celebrações do dia dos mártires da liberdade. Na noite do dia 2 os são-tomenses concentram-se na zona em vigília. Celebração que ganha maior vigor no dia seguinte, 3 de Fevereiro com parada militar e outras actividades.
O estado são-tomense acabou por construir um memorial em Fernão Dias em honra aos homens e mulheres tombados no massacre. Agora tudo vai ser demolido. O porto de águas profundas que representa o futuro, deverá passar por cima do passado heróico.
Algumas individualidades começam a manifestar preocupação face a esta possibilidade. O historiador Armindo Aguiar, que tomou parte na noite cultural em Fernão Dias, já manifestou-se a favor da protecção da memória histórica do país. Outra reacção veio do deputado João Paulo Simão, que defende o progresso do país, mas não admite a possibilidade do valor histórico-cultural desaparecer debaixo dos betões que vão dar suporte ao porto de águas profundas.
Fernão Dias passará a ser porto para fomentar o negócio de mercadorias na sub-região de África Central, ao que tudo indica abrindo portas para que Batepá e Trindade, acolher o acto central do massacre de 1953.
Abel Veiga