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A verdade da STP – Trading

A sociedatrading.jpgde de 14 empresas comerciais de São Tomé e Príncipe, manifesta-se cansada com as críticas e comentários que põem em  causa a sua credibilidade no processo de importação de produtos alimentares a partir do mercado brasileiro. Em declarações exclusivas ao Téla Nón, a direcção da STP-Trading, esclarece que nunca recebeu um tostão da linha de crédito do Brasil de 5 milhões de dólares. Exibiu documentos que provam, isso mesmo, exibiu outras provas que deitam por terra as informações sobre a alegada comercialização de produtos impróprios para o consumo. A STP-Trading, tem a sensação que foi enganada pelo fornecedor brasileiro, que beneficiou directamente dos fundos do programa do governo de Lula da Silva, para financiamento das exportações.A direcção da STP-Trading, está tranquila e diz que não compreende a razão de tanta polémica que está a ser promovida em torno da importação dos produtos do mercado brasileiro.Tudo porque segundo a Direcção da empresa nacional composta por 14 membros, em nenhum momento a sociedade recebeu em mãos os 5 milhões de dólares que o governo brasileiro disponibilizou para importação de produtos. O fundo em causa, explica a Trading, faz parte do programa do Governo de Lula da Silva, para promoção dos produtores e exportadores brasileiros.

Desta forma, diz a STP-Trading, são os produtores e exportadores brasileiros ligados ao negócio que receberam do estado brasileiro os 5 milhões de dólares. A STP-Trading, só recebeu os produtos. «Nós só recebemos o crédito em mercadorias, que de acordo ao memorando temos que reembolsar ao fim de um período estabelecido», afirmou Osvaldo Santana, director comercial da STP. Trading.

O crédito em produtos deve ser reembolsado dentro de 4 nos. A Trading, insiste em explicar o processo, porque considera que está cansada de ouvir comentários e rumores que apontam a empresa como tendo delapidado 5 milhões de dólares concedidos pelo governo brasileiro. «A trading nunca recebeu qualquer valor da parte do Brasil. Pelo Contrário tivemos que investir 15% do valor desta importação que era uma das condições do memorando entre São Tomé e Príncipe e o Brasil», reforçou Osvaldo Santana.

15% do valor da importação, correspondem a 749,997,14 dólares norte americanos. O montante foi transferido pela STP Trading a favor da empresa brasileira SAX Logística Internacional. Ao Téla Nón foi entregue cópia da transferência do montante e a confirmação da recepção pela empresa brasileira no dia 28 de Dezembro de 2008. É o chamado pagamento adiantado.

trading-1.jpgA SAX Logística Internacional, foi uma das empresas brasileiras beneficiárias directa do fundo de 5 milhões de dólares. Ela fez a recolha dos produtos nos diversos fornecedores e realizou a exportação para São Tomé e Príncipe.

Na lista dos produtos encomendados pela STP-Trading e confirmada numa nota da Sax Logística Internacional, destacam-se 14 artigos, num valor total de 4 milhões 999 mil dólares.  É aqui que começa a grande polémica.

A STP-Trading pediu ao fornecedor brasileiro, Leite em Pó Integral em latas e leite em pó magro em sacos. O fax da Sax Logística Internacional, confirma a encomenda e o envio do leite confirma as características da encomenda, mas ao mercado nacional chegou um composto químico desconhecido e que ainda está a ser investigado pelo Centro de Investigação Agronómica.

Mais grave ainda é o facto de estar claramente escrito no saco do leite que é proibido o consumo deste produto no Brasil. A STP-Trading, sente-se enganada pelo fornecedor, comprou gato por lebre, e reagiu de imediato solicitando no dia 16 de Julho ao centro de investigação agronómica de São Tomé, a realização de exames laboratoriais.

Na nota a empresa nacional diz que «tendo estado a proceder a conferência final dos produtos importados do Brasil, verificamos que existe uma discrepância de designação nas embalagens bem como na factura do fornecedor com relação ao item do leite em pó por nós adquirido». A nota pede ainda que o CIAT se pronuncie sobre a qualidade do produto «para o consumo humano e se se trata de leite em pó ou não».

A STP-Trading diz que ainda não recebeu o resultado dos testes do leite. Em declarações ao Téla Nón o director científico do CIAT, disse que eram necessários 15 dias, para ter o resultado dos exames.

A Trading, mostrou no entanto cópias dos exames laboratoriais feitos a outros produtos como açúcar e óleo alimentar, todos em bom estado para consumo humano. «Lamentavelmente vamos constatando alguns constrangimentos no processo. Pelos dias que já passaram estamos a comercializar os produtos, e o público tem aceite, com excepção obviamente dos que foram constatados com algum problema», sublinhou o director comercial da STP-Trading Osvaldo Santana.

Por outro lado, a STP-Trading, manifesta-se descontente com as declarações do Director Científico do CIAT, a propósito da denúncia segundo a qual a sociedade teria colocado no mercado manteiga imprópria para o consumo humano, antes da comprovação científica. Documentos exibidos pela Trading, indicam que as anomalias com as 6323caixas de manteiga, foram detectadas desde 7 de Maio passado.

trading-2.jpgO produto foi simplesmente rejeitado pela STP-Trading, como prova o auto de rejeição exarado pela Inspecção das Actividades económicas. «Tendo constatado existirem divergências nos prazos constantes nos produtos e os constantes do certificado de origem e de especificação do produto. Perante este facto é determinada a rejeição e devolução ao país de origem do produto acima referido», diz o auto de rejeição.

Ainda para provar que a manteiga importada não constitui qualquer responsabilidade financeira para a STP-Trading, a empresa Brasileira SAX Logística Internacional, enviou a sociedade de empresários são-tomenses, um documento assinado pelo seu director Gustavo Campos, onde se lê que «A SAX logística Internacional, concorda que a STP-Trading esvazie os 4 contentores contendo margarina e dê o destino que lhe aprouver», diz a nota enviada em 18 de Junho último.

Segundo a direcção da STP-Trading, toda a margarina com prazo de validade ultrapassado, foi rejeitada sem nunca ter sido comercializada. «Tratando-se de uma linha de crédito de exportação do Brasil, até hoje não recebemos do Brasil um tostão se quer. Para além dos produtos não devemos qualquer outra coisa. No comércio é assim. O senhor compra, pressupõe receber o que compra e se não recebe o que compra naturalmente que deve rejeita. É esse procedimento que a STP-Trading vai adoptar com tudo aquilo que constatar que naturalmente não confere com o que comprou», reforçou Osvaldo Santana.

Apesar de tantos contra-tempos com a importação dos produtos brasileiros, a STP-Trading, garante que não vai haver qualquer problema com o reembolso dos produtos que chegaram ao mercado nacional. «O pagamento pressupõe o reembolso com base na quantidade do produto acordado. Mas tudo o que for constatado com algum problema, não cabe a ninguém pensar que se vá fazer o pagamento. É uma operação comercial, existem entidades envolvidas naturalmente no Brasil e em São Tomé e Príncipe e terão que encontrar a melhor forma e solução para aquilo que for rejeitado», conclui o director comercial da STP-Trading.

A possibilidade do crédito brasileiro se transformar em dívida externa para São Tomé e Príncipe, está também descartada, assegura a administração da TRading, que diz tratar-se de uma operação comercial privada, em que o estado são-tomense não tem qualquer envolvimento.

Na entrevista ao Téla Nón em que estiveram também presentes o Director Geral da Trading Armando Correia, ladeado pelo Director Administrativo e Financeiro Delfim Neves, o centro de investigação agronómica e tecnológica de São Tomé e Príncipe, foi severamente criticado. A direcção da Trading, disse que a empresa custou a realização dos testes, os técnicos do sector de investigação, levaram carne de frango e de v não devolveram nem as coxas nem os bifes.

Abel Veiga

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