Opinião

Cedência de Terras – O regresso ao passado

Nos últimos tempos tem sido comum assistirmos em África à transmissão de terras agrícolas pelos governos e/ou privados nacionais para mãos de empresários internacionais em troca de investimentos ou criação de postos de trabalho para os nacionais.

Nestas circunstâncias o binómio Investimento/Desenvolvimento nos países africanos parece andar de mãos dadas, no entanto, nem sempre a praxis traduz o que os governos transmitem: criação de riqueza e bem-estar, combate da pobreza a e exclusão social, pois ao autorizar a transmissão de terras aos investidores não acautelam os interesses do país e das suas populações.

Do lado dos investidores, nem sempre se verifica a prática da responsabilidade social, e a criação de postos de trabalho com recurso aos nacionais é deficitária face ao valor do investimento e às vantagens concedidas pelo governo para a sua viabilidade.

Podemos então dizer que os governantes africanos e as suas populações face ao poder económico do investidor negoceiam sob uma perspectiva enfraquecida e subserviente as condições que este entender, com vantagens ilimitadas chegando algumas vezes no limite a vedar aos nacionais bens imateriais como a natureza que se arroga ser proprietário, como algumas praias paradisíacas cujo acesso é vedado aos nacionais.

Diríamos que o papel regulador do Estado deve estar presente em qualquer investimento pois sem esta baliza cai-se no risco da desorientação e no crescimento da corrupção que beneficia uma minoria e deixa a maioria que exerce o seu dever de cidadania votando nas eleições acreditando no seu contributo para construir uma sociedade melhor.

Em nome do Desenvolvimento, os governos determinam que populações nativas vulneráveis sejam expulsas das suas terras ou transferidas para outras localidades a troco de uma pequena ajuda financeira temporária, mas .omisso nas arbitrariedades exercidas por investidores cujos resultados são lesivos aos nacionais.

Os governos africanos têm sido impotentes para fazerem face a esta avalanche de transição de poder. Os pequenos agricultores africanos já por si pobres, não têm alternativas para resistir à possibilidade de receber alguma compensação financeira imediata.

Face às fraquezas e desorientação africanas, os pretensos investidores apresentam-se como grandes salvadores, destacando nos seus discursos de circunstância a criação de postos de trabalho, ideia logo aceite pelas populações africanas desesperadas em ganhos imediatos para satisfazerem as necessidades elementares de subsistência.

Alguns destes investidores como se as terras concedidas pelos governos não bastassem, prontificam-se a comprar “por tuta e meia”aos particulares nativos,   terras vizinhas alargando exponencialmente os seus domínios.

Aparentemente parece que tudo tende a ficar resolvido. Os governos apressam-se a vangloriar os futuros investimentos, os nativos contentes porque conseguiram algum dinheiro, deslocam-se para grandes centros urbanos,  em busca do suposto eldorado da cidade grande, e também porque o novo proprietário já não o quer lá.

Puro engano. É o começo sim,  de um problema com repercussões terríveis.

No caso dos nativos, ex-proprietários, já sem a propriedade e com as receitas da transacção de terras esgotadas, tende a engrossar a grande massa de populações sem rendimentos que vivem nos subúrbios dos centros urbanos. Sem alternativas de emprego, sem terra para cultivar ficará logo vulnerável aos riscos da criminalidade e marginalidade crescente nas cidades.

Ocorre-me reflectir e procurar respostas. O que não correu bem com as independências? Os governos de países africanos apanhados nesta teia, simplesmente falharam. Falharam porque não conseguiram responder ao desígnio de uma sociedade mais justa expectável com advir da independência em cada um dos países.

Falharam porque não tiveram politicas estratégicas adequadas e adaptadas à realidadede e de interesse dos seus países, nem tiveram ambição e vontade de serem verdadeiramente livres, designadamente a nível económico-financeiro usando melhor os recursos dos doadores para reparar e criar um tecido produtivo agro-pecuário e industrial.

Não deixa de ser confrangedor que se perderam e perdem gerações de jovens em toda a Africa sem acesso à aprendizagem de uma profissão ou formação porque tudo é importado.

No nosso caso, o que se passa em S .TOMÉ E PRÍNCIPE nesta matéria?

Infelizmente o cenário é idêntico aos demais países do continente africano apanhados na teia da potencial perda de soberania, com a agravante do nosso país possuir apenas 1001Km2

Os governos sucessivos têm cedido às ambições de pessoas  estrangeiros ou nacionais que advogam interesses pelas escassas parcelas de terras sem outro qualquer contributo que beneficie o país.

Já dizia o intemporal Sun Tsu, “ . . .a terra é o bem mais preciosos de qualquer Estado, é a principal razão de guerras entre estados, tribos, povos e ou comunidades.”

Logo, todo estado tem por obrigação moral em razão da sua soberania, ter uma políticaracional que lhe garanta poder nesta único e esgotável bem.

Vários países, inclusive o Brasil, Argentina, com a imensidão dos seus territórios, regulamentaram a cedência das mesmas aos nacionais e em particular aos estrangeiros.Mesmo assim assistimos alguns atritos no Brasil por parte do movimento dos “sem terra”.

No caso de S .Tomé e Príncipe, com superfície total diminuta, parece-nos ser necessária e urgente uma legislação que regule o direito ao acesso à terra e proteja no futuro as novas gerações, se atendermos ao fenómeno descrito e a ambição que tem servido de guia nas atribuições ou concessões de terras. O caso que envolve o ilustre advogado Adelino Izidro e um cidadão é uma das consequências da anarquia na concessão de terras.

No momento que escrevo este artigo fala-se de cidadãos nacionais e estrangeiros que transaccionam ou transaccionaram terras que lhes foram cedidas para exploração a terceiros por grandes somas sem que o proprietário que somos todos nós, representados pelo Estado tenha sido auscultado;

Cidadãos que lhes foram concedidas orlas marítimas e praias e que hoje vedam o acesso a todos nós a um bem que nos é comum;

Discute-se ainda a cedência de mais de metade da ilha do Príncipe, porque ninguém ousa dizer a área total de terras concedidas e/ou anexadas, incluindo aeroporto, porto a uma sociedade unipessoal denominada HBD Vida Boa. A pergunta que ousamos à fazer, que percentagem para circular ou usufruir caberá aos restantes cidadãos?

Não estará o Estado Santomense louco ou em estado de demência quando decide ceder a uma só pessoa, repito a uma só pessoa a troco de promessas tanta parcela do seu diminuta território sem falarmos do controlo aéreo?

Não estaremos todos, uns (cidadãos mais esclarecidos) pelo silêncio e outros (Governo, a Presidência da República e os outros órgãos de soberania) por incompetência a contribuirmos para a perda da já frágil soberania de S.Tomé e Príncipe?

Interrogamo-me então: é este o futuro que pretendemos criar? Foi para isto que lutámos pela Independência? Será esta uma verdadeira democracia? Seguramente que não!

TODOS SABEMOS QUE HÁ LARGOS ANOS ANDAMOS A TRILHAR O CAMINHO ERRADO.

Danilo Salvaterra

Fevereiro 2012

    46 comentários

46 comentários

  1. Ruben

    5 de Março de 2012 as 15:21

    Xiê!!! Mas o que é que este rapaz quer emu Deus? Cá no Príncipe está com uma data de terra sem plantação. Temos roça Infante D. Henriques onde já ninguém pode ir porque entretanto ficou abandonada, cresceu tanto capim e as estradas desapareceram. Temos o Fundão, Maria Correia, Lapa e outras roças por cultivar e explorar. Estão ou estiveram autenticamente abandonadas. Se agora aparece alguém interessado em investir nelas isto é mau? Sinceramente! Eu não percebo este rapaz. Ou ele prefere que os investimentos vão para outra zona do mundo? Como ele está dele lá fora, vive bem provavelmente ele quer que as pessoas que vivem cá no Príncipe fiquem sem emprego, que as roças fiquem abandonadas, etc. Eu não vejo nenhuma explicação razoável para este argumento do meu conterrâneo Danilo Salvaterra. Eu que vivo cá na ilha, conheço uma grande quantidade de roças de gente cá do Príncipe, não são roças do estado, que estão completamente abandonadas. Porquê que isto acontece? Porque as pessoas não querem ou não podem trabalhar estas roças. Sendo assim eu acho muito bem que estas roças sejam concedidas aos estrangeiros que queiram investir e tirar delas o maior proveito. Acho muito bem que isto aconteça. O que é que o Danilo quer?
    Ruben

    • Danilo Salvaterra

      6 de Março de 2012 as 11:24

      Rubén, preocupa-me imenso o silêncio dos bons.

      Confesso também que preocupa-me que roças sejam abandonadas e estejamos a importar produtos básicos. Não é razoável que Príncipe importe tomates e hortaliças em geral, como não é aceitavel que o país importe papaia (mamão)ou mesmo banana para sobremesa.
      Temos condições agricolas para produzirmos em garnde escala estes bens.

      Os preços especulativos de alguns destes bens devem-se de facto ao abandono das roças com as mencionados por si.

      Não vejo o abandono das roças por parte dos cidadãos como uma não vontade em as trabalhar. O cidadão precisa de orientações, precisa de ajudas, precisa de quem os mobilize para causas. Esta é a responsabilidade dos governos.

      É preciso que quem produz tenha como escoar os seus rentáveis produtos. Se for o caso até mudar de cultura. Mas só é possível com estratégias claras que dependem de quem governa.

      Provavelmente, o silêncio dos bons tem ajudado a inércia de ideias e de atitudes capazes de garantirem a continuidade de STP como nação.

      Povos inteiros aceitam perca de familiares e entes queridos,mas lançam-se em conflitos quando lhes tiram as suas terras. Veja o movimento dos sem terras do brazil.

      Sou favorável a todo tipo de investimentos e devem os estados facilitarem o acesso às terras para este fim, mas nunca pondo em causa a soberania e o futuro de gerações. Os estados devem sim trabalharem em parceria com os investidores para encontrarem a solução que satisfaçam os interesses consagrados na constituição e nunca encontrarem a solução no caminho mais fácil que é abdicarem das suas responsabilidades.

      O que quero?

      Quero que de facto gerações de santomenses têm orgulho no seu futuro e encontrem uma razão de continuidade. Isto passa por sermos orgulhosos no que fazemos como nação. Não cruzarmos os braços a espera de almas caridosas.

      Abraço

    • Xavier

      6 de Março de 2012 as 16:24

      Com tudo, lembrem que aprox. a metade da ilha do Príncipe (incluia a extensão da antiga Roça Infante Henriques, no sul da ilha) é zona protegida pela Lei do Parque do Obô

      • I.G

        6 de Março de 2012 as 16:51

        Peço imensas desculpas senhor Xavier. Infante não é zona protegida.

    • Xavier

      6 de Março de 2012 as 16:27

      Há uma reação muito interessante do economista português o prof. Jaime Duarte ao artigo de Danilo Salvaterra no Grupo STP no YahooGroups (mensagem 33164)

    • Fijaltao

      11 de Março de 2012 as 14:00

      Ruben, concordo consigo! Pergunta ao Danilo quantos anos essas terras estão abandonadas? Pergunta ao Danilo se ele ou algum elemento do governo procurou preservar tudo que está degradando! Pergunta ao Danilo se ele com tantos conhecimentos e amigoa estrangeiros se preocupou em poupar as desgraças destas terras e destas gentes!Se há um homem ou empresa que quer levar avante este projecto, que leve porque aos santomenses niguém está interressado em elevar o país para bom porto! O Danilo não passa de um Anarca igual ao senhor Salvaterra seu pai!

  2. Templa Seco

    5 de Março de 2012 as 15:47

    Caro Danilo!
    A sua preocupaçao é devers atual e compartilhada por um numero consideravl de filhos da terra. Porém como podereao os nossos dirigentes ( Governo, deputados) e demais pessoas com responsabilidade no pais criar leis que ponha fim a esta corrida abusiva e desenfreada as terras de Sao Tomé se sao eles os maiores usurpadores? Eles serao prejudicados se for implementado uma politica para proceder a uma redistribuicao das roças? O fazer com a quinta do Bano, das grandes parcelas de terra de Levy Nazaré, de de Agostinho Fernandes, de Maria das Neves, de Rafael Branco, de Guilherme Posser, de Benjamim Vera Cruz, de Jorje Amado, etç, etç? Consegues ver aonde reside o problema todo? Achas ques estes tubaroes alguma vez iria deixar que este problema fosse resolvido?

    • Zzzzzzzzz

      5 de Março de 2012 as 18:38

      Não vejo problema nenhum em algumas parcelas de terra terem sido “concedidas” à Bano, Levy, Agostinho, etc desde que estes senhores a trabalhem e disto resulte alguma actividade económica para o país.

      Mas quando se fazem concessões de grandes extensões de terra a um nacional e sobretudo a um estrangeiro, mesmo que este invista muito dinheiro, é preciso ter cuidado, e alguma consideração pela população que beneficia directa ou indirectamente destas terras. Pois, por algum motivo, estes últimos são os chamados “filhos da terra”.

    • Coladura

      6 de Março de 2012 as 22:46

      Meu Deus!…

      Tantas pessoas que não perceberam a leitura de um texto tão fácil. Acreditem, fiquei sem perceber a razão do vosso comentário, tão perverso e/ou tão contraditório.

      Na leitura desse texto, entendi que o Danilo Salvaterra faz uma análise da distribuição das Terras em África e manifesta sua preocupação na troca da posse de terras em poder dos nacionais para investidores estrangeiros em nome de desenvolvimento, que nem sempre é verdade. E quis alertar ao governo ( quem de direito), para a necessidade de uma legislação que acautele e regulamente o processo de cedência das grandes áreas de terras de STP aos investidores estrangeiros, que como é óbvio, terá de haver rigor proporcional na quantidade e em condições vantajosas, em benefício do nosso povo, sobretudo, salvaguardando, futuras gerações.

      Por favor, leia de novo esse texto com atenção.

      Sublinha a razão do vosso comentário.

      Confronta vosso comentário com a razão que acabou de sublinhar.

      O que acha? Estão ou não errados?

      Pois se achais que estão certos, transcreva as frases com que descordam ou que são dignos do vosso comentário que o justifica.

      Sejamos coerentes, a iniciativa é boa e tudo que é bom para STP deve ser observado, quando muito poderá ser enriquecido com a nossa contribuição, um acréscimo visando seu melhoramento. É a melhor forma de contribuirmos para o desenvolvimento de STP.

      Mas, criticar só porque tem acesso a Tela Nón, com tendência de bota abaixo de mal dizer, de fazer falsas acusações, de caluniar, de incriminar, de difamar, faz parte da ignorância e também de oportunismo e não só, de nada serve para o nosso desenvolvimento. Chama-se contribuição nula ( 0).

      Juro de pés juntos que não se depreende desse texto que Danilo tem relutância ou está contra cedência das terras de STP aos nacionais ou estrangeiros, creia-me!…

      Não me refiro a Templa Seco, que apenas fugiu o tema para manifestar que tem inveja de determinados cidadãos nacionais que tem amealhado seus recursos financeiros para aplicar no desenvolvimento de STP.
      Oh Templa Seco, estas com inveja ou tens ciúmes desses compatriotas?

      Porque é que eles são aqui chamados?

      Deixa de ter inveja e/ou ciúmes dos nossos compatriotas que trabalham com intigência e sabem investir o fruto do seu trabalho na reconstrução de STP.

      Cada semente, cada planta, cada bloco de cimente ou tijolo que se lança no solo (terra) de STP é um investimento e sem investimento não há desenvolvimento.

      Melhor forma de contribuir para desenvolvimento de STP é com trabalho, com imaginação do que é melhor para engrandecimento de STP. E não com egoísmo e inveja dos outros, o blá-blá-blá então, só tem efeitos perversos. Você é capaz de indicar a dimensão das terras de cada um desses cidadãos que para aqui foram chamados?

      Se bem que por vezes há pessoas que fogem tema por incapacidade ou ignorância. Mas penso que não é o teu caso.

      Se não é esquizofrénico a não dar esclarecimento sobre a chamada desses nomes pra esse tema, deixa bem patente que fugiste a esse tema intencionalmente porque estas totalmente obcecado pela inveja e sem outra forma para se manifestar, optaste por utilizar essa estratégia (inventar intriga, mentira, falsa acusação e coisas mirabolantes), como meio de denigrir e desprestigiar, o bom nome das pessoas sérias, honestas, técnicos de renome e trabalhadores competentes, para desviar a atenção da opinião pública e até mesmo das autoridades competentes. Assuma escrupulosamente, se é que tens escrúpulo, esclareça com factos, nada de boatos.

      Em portugês é costume dizer: sQuem tem inveja que faça o mesmo.

      Nosso povo costuma dizer: tlaba ku xintxidu sóku ka dá tê, tudo uê xia ka floka ubuê dê!…

  3. Zzzzzzzzz

    5 de Março de 2012 as 16:55

    Devido a pobreza de muitos, a ganância de alguns e a falta de espírito de sacrifício e orgulho nacional.

    Já vem tarde este alerta. O processo já se encontra em andamento há anos.

    O difícil agora é rasgar os contratos e fazer uma (re)nacionalização.

    • Inês

      5 de Março de 2012 as 17:25

      Mas renacionalização para quê, meu Deus?! Vocês sabem daquilo que estão a falar? Se as terras estão abandonadas vocês queixam-se que ninguém está a trabalhar a terra, assado, cozido, etc. Se a terra é concedida aos nacionais e/ou estrangeiros para fazer projectos turísticos e de outra natureza vocês queixam que estão a dar terra? Credo! Credo! Em vez de estarem sempre a reclamar digam, de forma definitiva, o que é que querem que se faça com a terra. Eu desafio-vos a dizerem, agora, neste fórum, o que querem que se faça com a terra. Que fiquem abandonadas? Quase todas as pessoas que pediram terras em S.T.P tiveram acesso a sua parcela. Não conheço ninguém que tenha pedido terra e tenha ficado sem ela. O problema é depois o que fazer com a terra. O mesmo se passa com terrenos para construção. O senhor Danilo tem cá em S.Tomé terrenos para construção. Agora eu pergunto: o que é que ele fez com este terreno? Nada! Pediu terreno, deram-lhe terreno e ele nunca mais construiu nada. No entanto aparece agora a criticar os outros. Sinceramente que eu não compreendo esta posição. A terra só tem utilidade se for dado um bom uso a mesma. É para isto que se dá terras aos estrangeiros para implementarem projectos no país. Isto é mau? Qual é o país que não faz isto? O Danilo vive lá fora e deve saber que é assim que se faz em Portugal, ou não? Os Espanhóis não têm uma grande quantidade de terras no Alentejo para exploração de azeite? Os estrangeiros em Portugal não recebem terra para fazerem projectos turísticos e outros?

      • Danilo Salvaterra

        6 de Março de 2012 as 10:58

        Inês, permita-me em primeiro lugar desfazer o seguinte equivoco, não pedi e nem tenho qualquer terreno concedido, mas se tivesse não seria crime algum.

        Vou ao assunto: Em primeiro lugar digo-lhe que sou favorável a investimentos estrangeiros. Devem os governos sim criarem condições para que os ivestimentos estrangeiros não entrem em conflitos com os interesses de um país. Como? Definindo um plano estratégico sustentavel que dê garantias às gerações vindouras quer em termos de progresso como também da soberania.

        Como sabe e talvez melhor do que eu os povos só entram em conflitos quando perdem terras.

        Analise os conflitos regionais e compreenderá esta dura realidade que são as guerras com as suas causas e consequências.

        A Ilha do Príncipe tem cerca de 7.000 habitantes. Haverá uma sociedade unipessoal que será dona de mais da metade da Ilha. Todas as melhores areas agricolas serão entregues a esta sociedade. Esta mesma sociedade terá o direito ao unico aeroporto e porto e com direito ao controlo do espaço aéreo. Não me parece ser boa opção ficar todos residentes no principe dependerem de um só individuo quer seja ele nacional ou estranjeiro. O que pode e deve o governo fazer? Desenhar o projecto estrutural e procurar PARCEIROS, nunca abdicar dos interesses dos seus cidadaos e nem da sua soberania.

        O que fazer com a terra conforme a sua pergunta, pra semana escreverei sobre o tema. Mas adianto-lhe que falarei sobre a agricultura, no caso particular a banana.

        Cara Inês, entendo que não estou a criticar ninguém, simplesmente emiti uma opinião em todo discutivel sobre um assunto que de facto merece reflexão. Lembre-se de alguns pequenos desacatos ocorridos recentemente devido as terras em S.Tomé, projecte-os para o futuro quando toda a parcela de terras cultiváveis estiverem quase em exclusivo nas mãos de alguns.

        Sempre ao dispôr

      • Zzzzzzzzz

        6 de Março de 2012 as 20:14

        Renacionalização sim.

        Porque não foi possível, com tantos problemas estruturais que o país tem, educar o homem santomense a trabalhar a terra.

        Porque apesar de existirem planos de distribuição de terras, nem todos tiveram (têm) condições para dar aos terrenos o fim para que foi definido no plano. Todos incluindo o estado tem sempre optado pelo caminho mais fácil, de vender a quem der mais.

        Porque é preciso redistribuir as terras, sobretudo porque nem todos tiveram o acesso aos terrenos a preços acessíveis, e hoje é o que se vê. Num pais onde não existe mercado imobiliário, um jovem recém-formado se quiser viver na cidade ou na periferia não consegue porque os terrenos estão todos distribuídos e são vendidos a preços exorbitantes, proibidos aos bolsos de um santomense comum. Sendo que na cidade é onde está concentrado as mínimas condições como água canalizada e energia eléctrica.

        Porque algumas pessoas “privilegiadas” conseguiram açambarcar grandes lotes de terras, roças, etc quase sempre para a mesma finalidade, de as vender à estrangeiros a preços super inflacionadas… e isto não é justo.

        Hoje como o autor do texto diz, há uma fileira de ex-proprietários de terras que engrossam a lista de pedintes e desempregados que deambulam pela cidade de São Tomé.

        Renacionalização sim, mas sem radicalismos nenhum. E por favor não compare STP à Portugal, porque está a fazer o mais fácil e sabe que a coisa não é bem assim.

  4. mina tela

    5 de Março de 2012 as 18:57

    o facto é bem simples e está mais do provado que os nossos governantes não dá a mínima para o seu povo, eles só querem saber do seu bolso… Muitos anos de independência e nada feito. Se repararem as principais roças do país,grande parte dela tornaram privadas,até uma praia onde todos poderiam ir com máxima liberdade hoje não é o mesmo…Mais a culpa não é dos deles é nossa, somos um povo muito passivo… Espero ver um dia um revolta do povo contra esses corruptos que não fazem nada, ficaria muito feliz se nossos dirigentes fossem ameaçados a morte pelo povo. Estou cansado do governo que não sabe trabalhar… O que mais me admira é que eles não vêm que nosso país é o melhor do mundo, não por riqueza mais sim por ter um povo maravilhoso, passivo, compreensivo e uma natureza bela e calma, uma terra santa onde não acontece coisas catastróficas…

  5. Arlindo Pereira

    5 de Março de 2012 as 19:36

    Boa reflexao, acrescento mas, dentro de pouco tempo nao terremos terras para agricultura,pecuaria. tudo sera transformado em betao.

  6. Investidor

    5 de Março de 2012 as 23:39

    Sou estrangeiro e gostaria de investir no vosso pais. É muito importanteba estabilidade, há anos que leio tudo sobre STP e faz-me muita confusão a instabilidade. Exemplos, há zona franca ou nao há zona franca, se sim quem manda, o Porto de aguas profundas avança ou nao avança, o aeroporto vai para a sonangol, quando vai, o famoso homem da lua faz ou nao faz. Todas essas indecisões afastam o investidor estrangeiro e penso que também o nacional. No entanto nao deixa de ser verdade que o potencial do vosso pais é enorme, queira Deus que petróleo nao ponha tudo a perder. Abraço a todos

    • Danilo Salvaterra

      6 de Março de 2012 as 11:33

      Investidor, a sua preocupação parece-me ser partilhada pela grande maioria dos santomenses. Esta eterna indefinição.

      Infelizmente não temos sido (os governantes) consequentes nas opções estratégicas para o país. Não temos um projecto do país que queremos e vamos improvisando sempre a espera da alma caridosa.

      Existem bons instrumentos legislativos que chocam com os interesses particulares.

      Provavelmente a situação é merecedora de uma reflexão mais alargada,patrocinada por organismos como as nações unidas.

      Um abraço

      • Investidor

        7 de Março de 2012 as 12:35

        Por exemplo, sem querer mandar num país que não é o meu, quais as oportunidades imediatas de investimento. Supondo que temos € 100.000, o que é que devemos fazer com eles? De forma seja um bom investimento para STP e para o investidor. Uma central de produção de energia solar, seria bom? A garantias de que a empresa de electricidade compra e paga e produção? Por exemplo, este é um projecto que cria empregos, tem uma pequena dimensão e pode ser um começo. Por outro lado, não gera invejas nem motiva subirmos, que espero que nao existam num pais pequeno, tudo se sabe.

  7. Valentim Cravid

    6 de Março de 2012 as 7:01

    Já sabia, como sempre a culpa nunca é nossa, é… dos estrangeiros!!!

    • Camuila

      6 de Março de 2012 as 17:14

      Eu não percebo porquê que o Téla Nóm não publica os meus comentários. Há censura agora no Téla Nóm? Não ofendi ninguém, não ataquei ninguém e limitei-me a emitir a minha opnião. Não sei porquê que o Téla Nóm não publica os meus comentários. Já é terceira vez que o faço e o Téla Nóm não npublica o meu comentário. Porquê??

      O senhor Danilo só agora é que descobriu o problema das terras?
      Onde é que o senhor Danilo estava quando entregaram o Ilhéu das Rolas aos estrangeiros para investirem lá em S.Tomé num projecto turístico?
      Onde é que o senhor Danilo estava quando entregaram o Monte Café para os Líbios investirem lá num grande projecto agrícola?
      Onde é que o senhor Danilo estava quando entregaram o Fernão Dias para a construção do Porto de Águas Profundas?
      Onde é que o senhor Danilo estava quando entregaram o Porto e Aeroporto de S.Tomé à Sonangol?
      Onde é que o senhor Danilo estava quando entregaram a Lagoa Azul para investimento estrangeiro?
      Onde é que o senhor Danilo estava quando entregaram agora a zona de Neves de S.Tomé para construção de um Porto de armazenamento de combustível?
      Onde é que o senhor Danilo estava quando entregaram uma parte considerável da zona Sul para o projecto Agripalma?
      Provavelmente o senhor Danilo nunca ouviu falar destes projectos.
      Agora que se fala de projectos para a ilha do Príncipe, o senhor Danilo aparece a verter lágrimas de crocodilo. Pois é! O senhor está tão chocado com a distribuição de terras no país que só lhe preocupa o Príncipe. Só quem não lhe conhece é que lhe compra. Eu sei bem as motivações para a sua preocupação.
      Tudo o que toca com o desenvolvimento do Príncipe o senhor rejeita e nós que cá vivemos conhecemos a sua motivação. Mais o senhor pode crer que o Príncipe há-de desenvolver quer o senhor queira ou não.
      Atentamente

      • Danilo Salvaterra

        7 de Março de 2012 as 18:58

        Camuila,

        Aconselho-o que faça uma pesquisa na net ou que se aconselhe mesmo ai no Príncipe sobre mim, mesmo quando ninguém ousava falar. Se está no Príncipe, pode questionar ao Fernando que foi responsável da radio regional.

        Mas mesmo que nunca tivesse feito, temos por obrigação nem que seja meiramente moral de chamar a atenção e despertar consciências.

        Na verdade temos visões diferentes sobre perspectivas económicas e de desenvolvimento. Sou apologista de trabalho,temos que saber trilhar caminhos mesmo quando estes possam aparentar difíceis. Nem sempre o mais fácil é o melhor.

        Esclareço, o desenvolvimento de S.Tomé e Príncipe é uma preocupação de todos, cada um com ideias mais ou menos sustentadas. Quanto a mim, darei o meu contributo material ou intelectual quando o achar que o deva fazer.

        PS Estarei no Príncipe brevemente, tranquilo para qualquer debate e esclarecimentos.

        UMA NOTA: Sem qualquer pretensão, a autonomia que o Príncipe vive hoje tem um pai. Para desconforto de muitos, ele chama-se Agnelo Salvaterra.

        Um abraço e que Deus o proteja.

  8. Biz

    6 de Março de 2012 as 10:01

    Nunca é tarde para bem fazer. Si fizerem atenção uma grande parte de conflitos que existem nos países africanos tem origem no problema de terra. STP é tão pequeno que deve-se fazer muita atenção com isso. Acho sinceramente que este tema merece ser discutido num forum nacional e a sociedade sivil deve ter uma participação activa tendo em conta que “os homens politicos” todos eles, seja de que partido for usurparam uma grande parcela de terras de STP, fazendo que os nosso netos não teram se quer um pedacinho de terra.

    • Célia

      6 de Março de 2012 as 11:12

      Peço descuplas mas é a primeira vez que participo neste espaço. E é para dizer que não concordo com este texto do senhor Danilo Salvaterra porque não tem nada a ver com a realidade do país nem cá da ilha do Príncipe.

      Porquê que este rapaz só fala de problemas de terra quando os investimentos vem cá para o Príncipe? Onde é que ele estava que não falou sobre terras quando se entregou Monte Café para os Líbios? Onde é que ele estava que não falou sobre terras quando se entregou Ilhéu das Rolas aos estrangeiros para lá investitem num projecto turístico? Onde é que ele estava quando entregaram o Porto e Aeroporto de S.Tomé para Sonangol? Onde é que ele estava quando entregaram o Fernão Dias para o Porto de Águas profundas? Onde é que ele estava quando entregaram Ribeira Peixe para projecto Agripalma? Onde é que ele estava quando entregaram a Lagoa Azul para projectos turísticos?
      Provavelmente o senhor Danilo nesta altura não viu nada e não ouviu nada, pois estava escondido numa barraca qualquer em Portugal. Agora que o Príncipe começa a criar condições para o seu desenvolvimento e existem projectos turísticos para o desenvolvimento da ilha isto incomoda o senhor Danilo. É bom que isto lhe incomode pois só quem não lhe conhece é que lhe compra. Toda a gente sabe perfeitamente o que lhe incomoda. E o que lhe incomoda não é o problema de terras.
      O que é que o problema do Adelino Izidro tem a ver com o problema de terra?
      Adelino Izidro tem terra que ele cultiva e explora. A pessoa a quem ele baleou também tem terra ao lado das terras do Adelino Izidro. O que é que uma coisa tem a ver com outra? Ambos têm terra e no entanto um deles furtou banana na terra do outro. E um deles baleou o outro de forma brutal e desumana. O que é que isto tem a ver com politica de distribuição de terras?
      Só espero que o Téla Nóm publique a minha opinião porque creio não ter ofendido ninguém e é a primeira vez que participo neste fórum.

      • Danilo Salvaterra

        7 de Março de 2012 as 19:00

        Célia,

        Aconselho-a que faça uma pesquisa na net ou que se aconselhe mesmo ai no Príncipe sobre mim, mesmo quando ninguém ousava falar. Se está no Príncipe, pode questionar ao Fernando que foi responsável da radio regional.

        Mas mesmo que nunca tivesse feito, temos por obrigação nem que seja meiramente moral de chamar a atenção e despertar consciências.

        Na verdade temos visões diferentes sobre perspectivas económicas e de desenvolvimento. Sou apologista de trabalho,temos que saber trilhar caminhos mesmo quando estes possam aparentar difíceis. Nem sempre o mais fácil é o melhor.

        Esclareço, o desenvolvimento de S.Tomé e Príncipe é uma preocupação de todos, cada um com ideias mais ou menos sustentadas. Quanto a mim, darei o meu contributo material ou intelectual quando o achar que o deva fazer.

        PS Estarei no Príncipe brevemente, tranquilo para qualquer debate e esclarecimentos.

        UMA NOTA: Sem qualquer pretensão, a autonomia que o Príncipe vive hoje tem um pai. Para desconforto de muitos, ele chama-se Agnelo Salvaterra.

        Um abraço e que Deus o proteja.

        • Estevão

          7 de Março de 2012 as 22:59

          Olhá, eu não percebi nada. O que é que este tal de Agnelo Salvaterra tem a ver com terras? Não deu para perceber nada…
          Fui

          • Danilo Salvaterra

            8 de Março de 2012 as 10:45

            Caro Estevão

            Não tem nada a ver com a terra. Infelizmente há uma corrente que entende que ninguém mais pode abordar a questão do Príncipe.O país é de todos nós. Logo temos por obrigação de zelar pela continuidade da sua soberania.

            Simplesmente, quis lembrar àqueles cidadãos a história.

            Bem haja e espero que entendas

          • Coladura

            8 de Março de 2012 as 13:03

            ESTEVÃO,

            Como assim, se ainda estás no ventre, já queres perceber e saber quem era Sr. Agnaldo Salvaterra?

            Tenha calma, quando nasceres terás que crescer, e ao crescer, precisarás de estudar, conversar com os mais velhos, estes é que são museus de conhecimento, e terás que ler bons livros, para conhecere um pouco do passado, desde período colonial até os dias de hoje.

            Pois, STP tem história, mas ainda não há livro de história que descreve o verdadeiro passado colonial até aos nossos dias.

            Só assim é que saberás quem era Sr. Agnaldo Salvaterra e outros anónimos que contribuíram para S. Tomé e Príncipe, independente.

            Há mais, mas fique a saber um pouco das verdades cruas e nuas e que tem passado despercebido para os mais jovens e alguns que nunca tiveram essa oportunidade: –

            A independência de STP, foi construída por força da resistência dos anónimos, filhos desta terra cuja maioria já se encontra no além-túmulo, junto com saudoso Sr. Agnaldo Salvaterra, que Deus tenha alma deles em paz.

            As pessoas destacadas que desfrutam o melhor da sociedade Santomense, não são os mesmos que sofreram na sua própria pele, como os anónimos que contribuíram para STP que hoje se vive.

            Para hoje ficamos por aqui, no

            VENTO DA MEMÓRIA…

    • S.João dos Angolares

      6 de Março de 2012 as 13:39

      Mais um que está convencido que diz ou escveve coisas importantes. E assim se vai construindo e solidificando a ignorância no país. Desde quando os nossos problemas económicos, sociais, políticos, etc., estão relacionados com a distribuição de terras?
      Como é possível dinamizar o investimento estrangeiro ou nacional sem concessão de terras, sobretudo no contexto turístico ou da agricultura?
      O que é que a distribuição ou concessão de terras aos nacionais ou estrangeiros tem a ver com o problema entre Adelino Izidro e a pessoa que ele baleou?
      Porquê que só agora o Danilo Salvaterra despertou para a questão de distribuição de terra no país?
      Quem implementou e dinamizou, bem ou mal, o projecto de distribuição de terra no país? Foi a Maria das Neves quando era ministra de economia e de que o Danilo Salvaterra foi um dos maiores entusiastas, dinamizador ou representante da sua candidatura presidencial. Porquê que ele não disse isto durante o processo de candidatura presidencial da Maria das Neves? Naquela altura ele estava calado. Enfim… As pessoas só falam, só criticam quando lhes convém ou quando querem ter interesses pessoais. Ele não é do Príncipe. Porquê que ele critica a concessão de terras no Príncipe para o Sul Africano investir, sabendo de antemão que aqui em S.Tomé também se deu muitas terras aos estrageiros para investirem? Ele não quer desenvolvimento da terra dele? Se ele não quer o problema é dele e do povo do Príncipe. Depois não vêm dizer que é S.Tomé que está a prejudicar o povo de Príncipe. Fui!
      João

    • Américo

      6 de Março de 2012 as 18:42

      Há um grande equívoco na cabeça destas pessoas.
      O Estado central ou regional, não pode vender terras. Isto já foi dito neste fórum várias vezes. Só por ignorância ou desconhecimento as pessoas podem fazer uma afirmação deste tipo.
      Sendo assim, as terras são concedidas aos investidores, nacionais ou estrangeiros, para implementarem os seus projectos económicos. Portanto, não faz sentido nenhum falar-se em dar terras ou vender terras de forma como o Danilo Salvaterra o fez. Não se dá terras a ninguém.
      O que se faz é:

      – perante a apresentação de um projecto por investidores, nacionais ou estrangeiros, o estado cria condições ou não, para a implementação do referido projecto concedendo contrapartidas, que pode ser a cedência temporária de terras para a implementação do referido projecto recebendo em troca estímulos de natureza fiscal.

      Qual é o país no mundo que não faz isso? Eu gostava que me explicassem. Todos os países fazem isto. A única forma de não fazer isto, para um país tão pequeno e com pouca atratividade empresarial como o nosso, seria dizer radicalmente não aos empresários que nos procuram para investir no nosso país. Eu não vejo outra forma de fazer isto. Então diríamos ao mundo que não cedíamos a terra a ninguém mesmo para a implementação de projectos de investimentos, nacionais ou estrangeiros. E, sendo assim, eu gostaria de perguntar-vos quem viria investir no nosso país?
      Que investimento, hoje em dia, se pode fazer, no domínio turístico ou agrícola sem terras? Eu não conheço nenhum.Por isso, não ceder terras para estes grandes investimentos estrangeiros é mesmo que dizer que não se quer progresso ou desenvolvimento do país. Eu não percebo esta posição do Danilo Salvaterra. Não havendo terras ou espaços para construir não há investimento, nacional ou estrangeiro, não havando investimento não há emprego para os nossos jovens ou gerações futuras.

  9. Josias Umbelina dos Prazeres

    6 de Março de 2012 as 11:06

    Por acaso é um tema bastante discutível se tivermos em atenção a dimensão territorial do nosso país e o nível de subdesenvolvimento que temos.
    Acho que o nosso estado, a través do Governo, deveria buscar uma forma de estimular as pessaos que possuem concessão das terras do estado à produzirem mais para poderem ter o seu próprio rendimento em vez de as passar para estrangeiros como tem vindo a acontecer.
    Por outro lado, necessitamos de investimentos estrangeiros. Por isso, peço ao meu amigo Danilo, que leia convenientemente o Projecto do Grupo HBD e nos dê as suas sugestões de melhoria de forma que possamos ter uma opinião pública mais bem informada e formada. Poque no meu entender estão acautelados alguns dos problemas que o senhor levantou mas só com um verdadeiro controlo social as coisas poderão acontecer de mehlor forma para o nosso país.
    Um abraço.

    • Danilo Salvaterra

      7 de Março de 2012 as 19:11

      Josias

      Estamos todos no mesmo barco. Encorajo-te a providenciar palestras e debates sobre o tema, dentro das minhas possibilidades darei o meu contributo.

      Sentiria-me orgulhoso se mais cidadãos nossos vosso tão objectivos quanto tu.

      Esclareço o que escrevo, não se limita ao projecto, que não sei se é bom ou mau. É simplesmente a questão da terra. Entregar mais de 50% de terra a uma sociedade unipessoal, para além do aeroporto e outros, não me parece ser boa opção, se atendermos que o fim do mundo não será amanhã.

      • P.P.P

        8 de Março de 2012 as 9:49

        Eu não sou do Príncipe nem tenho nada a ver com a vossa discussão muito embora tenho muitos amigos e até familiares na ilha do Príncipe. No entanto acho que o senhor Danilo Salvaterra está a meter os pés pelas mãos. Se ele, como diz, não conhece o projecto nem tão pouco sabe se o projecto é bom ou mau parece-me uma irresponsabilidade estar a dizer que o que é mais importante é a concessão de terra, pura e simplesmente. Isto não tem sentido nenhum. A Terra não existe para enfeitar, para fazer figura de corpo presente, para nos encher de orgulho. A Terra é um instrumento, entre outros elementos, que pode contribuir para a criação de condições de progresso de um povo e de um país. Agora, se ficarmos colados a noção de que o mais importante é a Terra, independentemente da qualidade do projecto que se apresenta para o desenvolvimento do país, então não vale a pena interiorizarmos a ideia de desenvolvimento porque estaríamos tão obcecados com a ideia de pertença simbólica e material da Terra que isto constituiria em entrave ao próprio desenvolvimento. Parece-me que é esta a ideia do senhor Danilo Salvaterra. Ele parece-me que está obcecado com o problema da Terra, como símbolo de pertença e soberania, que dispensa, de qualquer jeito, a sua concessão aos empresários, em prol do desenvolvimento do país. Isto parece-me uma ideia radical ou sem qualquer sentido estratégico ou racional. A Terra é um instrumento ao dispor do desenvolvimento dos povos e das nações. Quando ela passa a ser uma espécie de símbolo nacional que desaconselha a sua utilização, neste âmbito, de qualquer forma, mediante a presentação de qualquer projecto, independentemente da qualidade do mesmo, ela acaba por ser o próprio símbolo da nossa paralisia e escravidão. Para quê que nos vale ter terras completamente abandonadas, desprezando qualquer propósito para a sua utilização, independentemente da qualidade do projecto existente para a sua rentabilização? Eu como técnico, quadro superior e ex-politico deste país não quero ter Terras nestas condições. É isto que o senhor Danilo Salvaterra defende e eu discordo completamente. Até porque ele entra em contradição quando diz que não conhece a qualidade do projecto apresentado e no entanto, rejeita, de qualquer forma, a concessão de terras para a sua materialiazação. Então! Em que ficamos? Se o Danilo Salvaterra não conhece o projecto, não sabe se ele é bom ou mau, mas mesmo assim rejeita a concepção de Terras para a sua materialização? Deveria ser exactamente o contrário. Ou seja, pelo facto dele eventualmente, conhecer o projecto, achar que é bom ou mau, deveria, sim, justificar, posteriormente, a concessão de Terras para a sua materialização. Dito da forma como ele diz, que não conhece o projecto e que mesmo assim rejeita a concessão de Terras para a sua eventual implementação parece-me de um radicalismo inusitado e incompreensível. O país, neste momento, não precisa destes radicalismos.
        Abraços fraternos
        Paulo

        • Danilo Salvaterra

          8 de Março de 2012 as 17:11

          Espero que este alerta da FAO ajudar-lhe-á a compreender o problema. Não é uma opinião do Danilo Salvaterra

          FAO: Compra de terras em África é uma ameaça para os pobres
          May 26, 2009 – 10:40 am
          A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) alertou ontem para o perigo de agravamento da fome e da pobreza devido à crescente compra de terras em países africanos por parte de governos e empresas privadas internacionais, noticia a Lusa.
          Segundo a FAO, o fenómeno, que está a aumentar em “África e em outros continentes”, implica um risco acrescido para os pobres, que “se vêem desapropriados ou impedidos do acesso à terra, à água e a outros recursos”.

          O organismo, que se apoia num relatório do Instituto Internacional para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, reconhece que as aquisições de terras em países pobres podem abrir muitas oportunidades, como a criação de saídas comerciais, emprego ou investimento em infra-estruturas. No entanto, acrescenta, poderá ter um efeito perverso se excluir a população local da tomada de decisões sobre as questões fundiárias.

          Para a FAO, a motivação para o investimento em terras em países pobres prende-se com a segurança alimentar dos países investidores e com as oportunidades de negócio exploradas pelas empresas para a produção de produtos agrícolas básicos para a indústria.

          MRA Alliance/Lusa

  10. Danilo Salvaterra

    6 de Março de 2012 as 15:57

    Deixo transcrito reparos feitos por um amigo português ligado por história a S.Tomé e Príncipe. Mais uma vez considero que o assunto das terras deve ser analisado com mais atenção.

    Danilo Salvaterra

    Transcição do texto retirado do yahoogroups
    RE: [São Tomé e Príncipe] Cedência de Terras – O regresso ao passado

    Caro Danilo Salvaterra,

    Infelizmente a usurpação da terra continua, é bem verdade, mas não como no
    passado (peço licença para comentar amavelmente o que o meu amigo chama de
    “regresso ao passado”). Não. Permita-me recordar. As ilhas de São Tomé e do
    Príncipe foram encontradas desertas, tanto quanto se sabe, sem quaisquer
    vestígios de uma fixação humana anterior e duradoura. Também assim aconteceu
    em Cabo Verde, na Madeira, nos Açores, em Fernão Pó e em Ano Bom (já nas
    Canárias foi diferente) e os Portugueses não tiveram de negociar com sobas e
    régulos como aconteceu no continente africano, em troca de aguardente e
    missangas ou através de jogos habilidosos de resolução de conflitos tribais.
    Pura e simplesmente não existiam aqui, em STP, quaisquer chefes tribais, nem
    aldeias tradicionais ou, sequer, uma língua e uma cultura local!!! Tudo foi
    inventado depois, ao longo de séculos. Em São Tomé e no Príncipe não houve
    portanto usurpação de terras porque, pura e simplesmente, não havia donos da
    terra. Só mais tarde, mas esse é um outro capítulo da história.

    E assim o pequeno arquipélago hoje independente foi sendo povoado
    gradualmente e de forma pacífica como desejou o seu descobridor e mais do
    que legítimo dono, com gente trazida da Europa mas sobretudo com gentes de
    várias partes de África e de diversas condições, desde escravos a
    contratados com origem longínqua, ou seja, não local. Sim, de forma
    pacífica. Se mais tarde houve alguns conflitos isolados eles foram de
    natureza quase sempre laboral, próprios de um colonialismo duro e de uma
    economia de exportação. Em 1975, com uma metrópole em convulsão, a
    independência foi oferecida de forma generosa e inesperada. Que se saiba,
    ninguém a recusou e todos acharam que era justo. Até mesmo os Portugueses
    desejaram (e creio que ainda desejam) que os seus amigos são-tomenses
    soubessem cuidar do património aí acumulado e fossem felizes para sempre. Em
    traços rápidos, essa é a história, esses são os factos.

    Mas agora há um governo que se considera (e é de facto!) legítimo mas que
    aproveita a ocasião, de forma consciente ou inconsciente, para entregar
    levianamente a sua terra em troca não se sabe de quê, por vezes a troco de
    menos do que “missangas”, a troco de sonhos habilmente vendidos. Sou de
    opinião que não é proibido vender a terra a estrangeiros, antes pelo
    contrário, pois até pode ser uma boa solução quando não há suficientes
    investidores locais. Porém, desde que os projectos sejam devidamente
    justificados, socialmente úteis e ecologicamente duráveis. Continuo a pensar
    que o processo de entrega de terras e os diversos projectos de investimento
    continuam de um modo geral a não ser devidamente avaliados, aprovados e
    executados. O processo de decisão nessas duas ilhas continua a deixar muito
    a desejar e pode mesmo, quem sabe?, fazer revolver alguns corpos nas covas e
    sepulturas. Sobretudo aqueles que defenderam com todas as suas forças e a
    sua inteligência “O solo sagrado da terra”.

    Noto que por vezes até parece que o país está à venda ou a saldo, por preços
    ridículos. E assim não tardará que o são-tomense se sinta estrangeiro na sua
    terra e lhe apeteça emigrar. Eu não concordo com este caminho, não concordo.
    Conheço STP desde 1982 e algumas coisas fazem-me doer o coração, embora eu
    não tenha qualquer interesse económico ou de protagonismo nessas ilhas, de
    modo nenhum. Escrevo estas linhas apenas pelo respeito aos meus amigos
    são-tomenses e pelo respeito para com os meus antepassados que lutaram
    duramente para desbravar essa terra e criar uma economia estável e
    produtiva, sem ajudas externas de ninguém nem ilusões de ganhos fáceis e
    gratuitos.

  11. BRUNO DAS NEVES

    6 de Março de 2012 as 17:10

    Sao mesmo este senhores que andam aqui e acula, dizendo que querem acabar com corupcao se fundo sao eles os maiores osurpadores das terras desta provincinha de apenas 1001km2. Poochas pa, me digam, em quem vamos acreditar neste pais?

  12. Coladura

    7 de Março de 2012 as 16:21

    VAMOS MUDAR FORMA DE FAZER COMENTÁRIO NO TELA NON
    FAÇAMOS COMENTÁRIOS CONSTRUTIVOS, SIM. DESTRUTIVOS, NUNCA.
    Camuila, Célia e S.João dos Angolares.
    Esse texto é bastante rico para quem sabe aproveitar seu conteúdo de forma a ser útil a STP.

    A vossa preocupação até podia ser compreensível, dentro das vossas limitações.

    Mas só é pena que vosso comentário identifica-vos com fonte de separatista/regionalista, conceito puramente divisionista, porque por mais que se filtra vosso comentário aos milésimos, não se encontra algo digno de ser aproveitado como vossa contribuição para desenvolvimento de STP.

    Mais voltando ao assunto.

    Uma vez que vocês sabiam, atempadamente, de todos esses factos que agora mencionam, porque é que não fizeram tal como Danilo Salvaterra acabou por fazer?

    Ninguém nos garante que só agora é que Danilo se inteirou dessa situação.

    Caros amigos, mais vale tarde do que nunca… é ou não é verdade?

    Já que vocês não o fizeram vamos todos juntos apoiar de modo a salvaguardar o que ainda resta por distribuir, ceder e contratar.

    Em STP costuma-se dizer: uã fita bassola na ka bali quinté-fa cela fuçu-dê

    UNIDOS VENCEREMOS

    • Coladura

      7 de Março de 2012 as 16:26

      Onde se lê: uã fita bassola na ka bali quité-fa cela fuçu-dê

      deve-se ler

      uã fita bassola na ka bali quinté-fa cela fêçu-dê

    • Pantufo Livre

      7 de Março de 2012 as 22:54

      Sum Coladura…
      O país precisa de trabalho, investimento, transparência, seriedade e justiça. São estes os atributos que o país precisa neste momento e não de impedir que os investidores, nacionais ou estrangeiros, possam cumprir a sua missão. O texto do Danilo Salvaterra está muito bonito mas ele não tem correspondência nenhuma com a realidade nacional. O Danilo não conhece a realidade nacional. Ele está fora do país há muito tempo e não tem a noção daquilo que está a dizer. Ele tem todo o direito de falar dele atôa. Tudo bem! Ninguém está proibido de dizer aquilo que lhe apetece. Só que há limites para dizer asneiras. Se nós não conseguimos investir dinheiro para criar postos de trabalho para os jovens, temos uma data de jovens desempregados e frustrados, então iríamos impedir que os empresários que querem investir cá em S.Tomé e Príncipe não pudessem fazê-lo, só porque as terras são imaculadas e ninguém pode tocar nelas mesmo que estejam abandonadas? Isto não tem nenhuma credibilidade nem compreensão.
      Imaginem só que iria-se parar todo o investimento, de nacionais e de estrangeiros, no país só porque não se pode ceder terras para as pessoas investirem?! Isto é brincadeira ou coisa séria? Qual é o país que faz isto? Enfim.

      • Danilo Salvaterra

        8 de Março de 2012 as 10:39

        Caro Pantufo

        A terra é unico bem que um país tem. Não cresce, simplesmente pode valer mais em função da procura/oferta.

        Todo o investimento que seja para criar riquezas deve ser acarinhado. Para dizer-lhe que não existe ninguém contra investimentos em terras. Se encontrar investidor interessado quer para Ponta Figo, quer para Porto Real, serei o primeiro a incentivá-lo.

        Agora não me parece prudente que se entregue mais de metade de um bem de todos nós a uma só pessoa. O que acontecerá quando o resto da população em crescimento quizer também investir ou cultivar parcelas para a sua sobrevivência?

        Não acho normal que se privatize praias, outro bem de todos nós. Deve haver equilibrio e salvaguarda de interesses futuros.

        Bem haja

  13. Cobra Preta

    7 de Março de 2012 as 17:25

    Meus senhores,vamos fazer uma retrospectiva;
    1) Antes da independência as grandes terras pertenciam aos colonos.

    2) Com a Independência nacionalizou-se as roças. Passaram a ser do estado (Povo)Não fomos capazes de as trabalhar e de as rentabilizar.

    3) Depois as roças (Terras)passaram para as mãos dos trabalhadores das empresas agrícolas e outros nacionais que entenderam trabalhá-las.

    4) As terras ficaram matagais impenetráveis. Só se cortam arvores para vender tábuas e barrotes. já não se produz cacau, nem banana, nem coco etc.

    O que fazer?
    Quem consegue explorar as terras é bem vindo. Se há problemas com distribuição de terras aos nacionais ou estrangeiros! É uma falsa questão pelo menos neste momento. A maior parte das terras de STP estão simplesmente abandonadas.Andem, por favor, pelo País a dentro. Há muita terra para explorar: Santa Catarina, Bindá Juliana de Sousa Santo António Mussacavú, Villy,São Paulo, S. José, S. Miguel, Terras de Colónia Açoreana, Ribeira Peixe, Dona augusta, Rebordelo, Guarda etc etc…
    Mãos a obra, Bem-vindo novos investidores se vêm de boa fé.
    Vamos trabalhar, não esperemos esmolas.

    • S.João dos Angolares

      7 de Março de 2012 as 22:41

      Subscrevo Cobra Preta.
      Com tanta terra abandonada no país iríamos ficar proibidos de conceder terras aos privados, nacionais ou estrangeiros, para investirem, só porque o senhor Danilo Salvaterra acha que não. Quer dizer, ele está lá em Portugal, no bem bom, o que é legítimo e compreensível, e as pessoas que estão cá desempregadas, miseráveis, paupérrimas, sem esperança nenhuma de uma vida razoável no futuro, deveriam continuar assim porque ele entende que não se deve conceder terras para qualquer tipo de investimento estrangeiro? Isto é serviço, minha gente! Que raio de coisa é esta? Nós seríamos um caso de estudo no mundo, de um país que estaria a rejeitar investimento estrangeiro desta envergadura, dimensão e qualidade que é um pouco procurado por todo o mundo. Eu não acredito que o senhor Danilo esteja a falar a sério. Ele está a gozar com as pessoas que vivem cá nesta terra. Isto parece uma brincadeira de criança. Qual é o país que faz isto, neste momento? Se existe uma grande quantidade de terras por cultivar ou explorar, estão praticamente abandonadas, mesmo assim estas terras não podem ser concedidas aos empresários para investirem nelas? Xiê! Em que país nós estamos? Estamos num país rico que pode dar-se a este luxo? Danilo você é mesmo engraçado e brincalhão, meu irmão. Quê cuá!!!!!!

      • Danilo Salvaterra

        8 de Março de 2012 as 10:29

        Caro Cobra Preta e S.João dos Angolares

        Se relerem o artigo escrito por mim, compreenderão que a minha preocupação não é o investimento estrangeiro. Oxalá que o país consiga atrair investimentos estrangeiros. Era sinal que estavamos no bom caminho.

        A minha preocupação prende-se com aquele bem que não cresce, pelo qual povos guerreiam, matam-se, que é A TERRA.

        Quem a possui, terá o controlo de todos.

        No presente parece tudo muito simples entrega-se as terras sob promessa de empregos, e alguns trocos. Pensa-se ter resolvido um problema.

        Meus caros, a verdade é este se não discutirmos e avaliarmos no presente este assunto que muitos acham não ser problema, infelizmente teremos gravíssimos problemas no futuro.

        Bem haja aos dois e estou sempre ao dispôr

  14. Danilo Salvaterra

    8 de Março de 2012 as 17:21

    Hoje decidi procurar na net o que se escreve sobre o assunto. Espero que ajude aos meus compatriotas a perceberem do que se trata.

    A corrida internacional para explorar terras férteis no continente africano ameaça o equilíbrio na distribuição da água e estimula protestos de comunidades de camponeses.

    A reportagem é de Andrea Rizzi e está publicada no jornal espanhol El País, 31-10-2011. A tradução é do Cepat.

    A briga pelo acesso ao petróleo, gás e minerais é uma força subterrânea que contribuiu significativamente para plasmar o mundo moderno. No século XXI, torna-se cada vez mais evidente que, para compreender as relações internacionais, a esses fatores terá que se acrescentar outro: o acesso a terras férteis.

    A corrida pelo controle de áreas cultiváveis está em pleno desenvolvimento. O forte aumento dos preços dos alimentos ocorrido em 2007-2008 está por trás do fenômeno. Muitos Governos de países dependentes das importações de alimentos se convenceram da necessidade de reduzir sua vulnerabilidade comprando ou arrendando terras em outros países. Em 2011, depois de alguns anos de relativa calmaria, os preços estiveram constantemente acima do pico de 2008, segundo o índice elaborado pela Organização para os Alimentos e a Agricultura da ONU (FAO). A febre dos cultivos segue queimando e, segundo vaticinam os expertos, não há previsão de que vá abrandar a curto e médio prazo.

    A África é o principal cenário da corrida. A falta de transparência de muitos acordos e a ausência de registros públicos confiáveis em vários países impede perfilar estatísticas exaustivas em escala global sobre o fenômeno. Mas os dados disponíveis indicam que este é de amplíssimas proporções, com contratos que cobrem extensões de milhares de quilômetros quadrados. Tão somente na Etiópia, Moçambique, Sudão e Libéria, cerca de 43.000 quilômetros quadrados foram vendidos ou arrendados a investidores estrangeiros entre 2004 e 2009, segundo dados oficiais reunidos pelo Banco Mundial. Trata-se de uma superfície equivalente ao território da Suíça. Caso se tiver em conta que são muitos os países que – na África, mas também em outros continentes – vivem experiências similares, a magnitude da questão é evidente.

    O aumento da população mundial, a dieta mais rica de milhões de pessoas em países emergentes e a crescente quantidade de cultivos destinados a biocombustíveis explicam a subida do preço dos alimentos e, em grande parte, a consequente procura por terras. Para além de sua dimensão econômico-social, este estímulo tem implicações geopolíticas.

    Uma delas é o controle da água. “Estes grandes investimentos se situam em zonas com um acesso estratégico à água”, comenta em conversa por telefone Michael Taylor, analista da International Land Coalition, uma ONG que acompanha de perto o fenômeno. “Por exemplo, vários países das bacias do Nilo e do Níger são grandes receptadores deste fluxo de investimentos. Muitos dos contratos assinados nestes países não regulam claramente a questão do uso da água. A utilização do caudal do Nilo já é motivo de tensão entre o Egito e outros países da bacia. Quando todos estes projetos estiverem em pleno funcionamento, são de se esperar crescentes extrações de água. Há um alto potencial para que se produzam conflitos”. Cerca de 200 milhões de pessoas viviam na bacia do Nilo em 2005, e a ONU estima que serão 330 milhões em 2030.

    . . .

  15. Boa vista

    15 de Março de 2012 as 13:41

    Sr Danilo Salvaterra que só agora quer ser salvador da terra.O melhor é o sr. ir a roça do teu avô JEL “Ribeira Volta”no Príncipe,capinar e cultivar porque aquilo está um autentico matagal, que o macaco é feitor e os ratos são trabalhadores. Fica desansado que HBD não está interessado nela. Esqueceste que é dela onde saiu o sustento da tua mãe e dos outros. No problema de Príncipe só fala os que vivem e convivem com os problemas do Príncipe.No teu caso particular devias ter vergonha nessa tua cara e ficares calado. As vezes qd as coisas mudarem no Príncipe o 1º beneficiado serás tu. Já vives tanto tempo cá, o que já fizeste pelo Príncipe? Nada,nada e nada… O Príncipe não está interessado na tua triste opinião. Quem não quer ajudar não atrapalha. Chega de basófaria. Agora seu ateu,passo a citar uma passagem biblica do II Temoteo 3:1 à 4 que diz:Sabem porém isto que nos últimos dias sobriviram tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos,avarentos, presunçosos,soberbos, blasfemos, desobidientes a pais e a mães, ingratos, profanos, sem afecto natural,irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis sem amor para com os bons,traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos delites do que amigos de Deus. E na equipa desses, está tu Danilo Mataterra.

  16. Francisco Graça

    19 de Março de 2012 as 18:36

    Ora,sem dúvida que já somos muitos Nigerianos muitos Líbaneses que têm património ou parcelas compradas que hoje é natural de S.Tomé e vive em Nigeria ou Li´bia e quando quiser um dia tomará tudo que é do Santomense radical mas eu diria que estamos a ser castigado pouco a pouco lembre -se que a rato morde a soprar é isto que estamos num marasmo de deixa Governo trabalhar mas quem esta pobre nunca vai ser igual a um saco vazio de pé Sr.Primeiro Ministro que nas eleições foi e junto ao população de Batepá-Cassuma garrantiu que após a sua Vitória daria uma luz Verde aos moradores de Cassuma até agora nenhum sinal;quer por parte da autarquia Local nem por parte do Governo deixando nos numa sera perdida pior do que onde foi assassinado Valdevinos Kê kuá Nunca mais cunfiar em gente bonita e jovem ou mudança no actual Governo foi igual o que população de Cassuma apostou numa Carne bonita fresca que estava aquecer mas dentro da carne estava tudo podre (ADI) Pessoas de voça ala estão bem só no restaurante ñ estou contra mas assegura a peoridade nón sá ni culu fã nón mecê canja ÔOOOOOOOOOOOÕOOOOÔOOO

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    21 de Novembro de 2018 as 10:04

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