Sociedade

Porquê é que é importante separar o lixo?

Porquê este interesse na lixeira e no lixo? Nas comunidades, não é invulgar ouvir-se “Aqui há ainda muito espaço onde se pode jogar o lixo!”. Mas a verdade começa a estar cada vez mais à vista de todos. Há cada vez menos espaço. E há cada vez menos espaço para deitar o lixo.
Há 20 anos não havia plásticos em São Tomé e Príncipe. Quem se recorda desse tempo lembrar-se-á como tudo era diferente. Mas se a entrada de produtos é um benefício para as populações, porque falamos do plástico? Falamos do plástico porque, tal como outros materiais “difíceis” apresentam características que além de minar a paisagem, mais tarde ou mais cedo acabarão por ser prejudiciais à nossa própria saúde. Um exemplo: A falta de combustível nas comunidades faz do plástico uma excelente alternativa, principalmente para atear fogos.

No entanto, na queima do plástico são libertados gases que, mesmo invisíveis, são cancerígenos e altamente tóxicos.
Mas a existência do plástico é apenas um exemplo da mudança dos tempos. O aumento explosivo dos equipamentos elétricos e eletrónicos é outro caso que obriga a uma reflexão ainda mais reforçada sobre a questão dos resíduos. Como é já sabido, o progresso é infelizmente e ainda, sinónimo de consequências negativas na Natureza e que como tal, também no bem-estar das populações.

E se a existência de mais e melhores equipamentos elétricos e eletrónicos é um sinal de evolução tecnológica, com benefícios irrefutáveis na vida das pessoas, então o que dizer quando esses mesmos materiais chegam ao seu fim de vida útil? A partir daí passam a ser designados por Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrónicos (REEE) e são considerados resíduos perigosos porque contém elementos, como metais pesados, cuja libertação tem consequências graves para a saúde pública. O que fazer? Separar, guardar para depois exportar.

No caso concreto de São Tomé e Príncipe, os resíduos revestem-se de extrema importância se tivermos em conta a sua realidade insular e atual. O País importa a grande maioria dos produtos que consome, que nas condições atuais, se traduz na entrada de resíduos. Ou seja, e veja-se agora o caso cerveja importada, mesmo depois de consumido o produto – ao contrário dos equipamentos elétricos e eletrónicos em que o produto não desaparecer – sobra a embalagem! É mais um tipo de lixo.

Mas aqui a realidade é outra. Do vidro velho pode criar vidro novo de forma quase infinita. É um material nobre quando falamos de resíduos. Em São Tomé e Príncipe é o único material em que há uma recolha formal, da qual resulta um aproveitamento direto. A utilização como material de construção, e mesmo na fabricação de blocos.

Este é apenas uma parte da história dos resíduos no País. Para ter um final feliz será preciso conhecer as restantes “personagens”, como os metais e outros de forma a que não falte nada e os resíduos possam deixar de ser “lixo”.

Simão Dias

Artigo escrito no âmbito do projeto “Conversão da Lixeira de Penha em Vazadouro Controlado” executado pela ONG ALISEI com o apoio financeiro do governo Australiano através da AusAID.

    1 comentário

1 comentário

  1. rapaz de riboque

    16 de Março de 2012 as 10:04

    mas o povo não sabe precisam de campanhas de sencibilização porque pode-se gastar todo o pouco dinheiro que tiver alguns vão continuar a viver com o lixo

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