Sociedade

Guarda Costeira são-tomense começa a dar sinais de prontidão

A instituição militar que segundo a nova lei das forças armadas deverá se transformar numa unidade autónoma, já começou a dar provas da sua importância na segurança marítima, apesar de estar ainda numa fase de construção. Nos últimos dias salvou pescadores e a tripulação de um navio que estava a deriva.

Mar representa a maior fatia do território nacional. Conserva a maior parte da riqueza do país. Peixe que garante mais de 90% da proteína animal consumida no arquipélago, e também jazidas alegadamente de petróleo, ainda por explorar.

O extenso território marítimo nacional, sempre esteve desprotegido. Os pescadores artesanais nas suas pirogas, aventuravam na faina muitas vezes ao sabor do vento. O país já perdeu a conta de pescadores que desapareceram no alto mar, tanto em São Tomé como na ilha do Príncipe. Alguns com sorte apareceram nos países vizinhos, outros continuam como desaparecidos após vários anos.

Também é difícil precisar o número de naufrágios de embarcações que ocorreram na ligação inter- ilhas, sem que o país tivesse capacidade de lançar uma operação de busca e salvamento.

Com apoio dos Estados Unidos de América, desde o ano 2009 que a unidade da guarda costeira, recebeu uma embarcação para patrulhamento das águas territoriais. Os militares da pequena unidade militar, que têm a missão de fiscalizar o maior espaço territorial do país, foram formados pela cooperação militar norte americana e também por Portugal.

São poucos para a dimensão do território nacional, que têm que vigiar. Pior ainda é a falta de meios. Mesmo assim a guarda costeira, começa a dar sinais de vida. No mês de Fevereiro socorreu mais de uma dezena de pessoas, que viajava da ilha do Príncipe para São Tomé, no navio Tornado. Um navio dado pelas autoridades competentes são-tomenses como óptimo para transporte de pessoas e mercadorias entre as ilhas, mas que não pára de ter problemas no alto mar.

A embarcação da guarda costeira resgatou os passageiros quando o navio Tornado, entrou em mais uma crise no alto mar. A guarda costeira que criou uma sub-unidade na ilha do Príncipe, regista também acções de apoio aos pescadores da região autónoma em momentos de aflição no mar.

Na última semana a unidade deu mais uma prova de prontidão, ao socorrer dois pescadores da zona de Praia Melão, que ficaram à deriva numa distância de 60 milhas por causa de avaria no motor da piroga.

Os dois pescadores que saíram para faina na madrugada da passada quinta – feira, só foram resgatados na noite de sexta – feira, após os familiares terem solicitado apoio à Guarda Costeira. «Achar os nossos pescadores no mar, é como procurar uma agulha no palheiro, uma vez que não têm qualquer meio de comunicação. Mas com empenho há mais probabilidade de os resgatar. Esta acção de busca e salvamento demorou mais de 9 horas no alto mar. Saímos as 9 da manhã e só regressamos depois das 19 horas», afirmou o segundo sargento Vanzeler Menezes, que comandou a operação de busca e salvamento.

Uma operação bem sucedida. Os dois pescadores foram resgatados, e a piroga arrastada até a base da guarda costeira. Octávio de Carvalho, pescador há mais de 35 anos, residente em Praia Melão, não escondeu a satisfação pelo facto de sentir que o vasto território marítimo nacional, onde trabalha para ganhar sustento, começa a ter guarda, ou seja, presença de autoridade. «Nunca esperei com isso. É a primeira vez que estou a ver guarda costeira a funcionar em São Tomé», desabafou. Octávio Carvalho, reconheceu que se fosse alguns anos atrás caberia ao vento e as ondas do mar definirem o seu destino e do seu acompanhante.

Por sua vez, Idalécio João Capitão de Mar, comandante da unidade da guarda costeira, cofirma a prontidão das suas tropas. «Busca e salvamento é uma das atribuições da guarda costeira. Estamos a cumprir com o nosso dever. Temos pessoas com qualidade que têm mostrado que a guarda costeira existe. Desde que comuniquem a tempo e horas temos condições de buscar e socorrer as pessoas sãs e salvas», garantiu o Comandante da Unidade.

O pescador resgatado, exige que os seus colegas comparticipem financeiramente, seja através de pagamento de cotas ou como impostos, para ajudar a guarda costeira a suportar as despesas nas operações de busca e salvamento. «Nesta operação creio que muito combustível foi gasto, para salvar duas vidas. Se a Guarda costeira não tiver recursos, como é que vão trabalhar?», interrogou.

Octávio Carvalho, apelou ao Governo no sentido de investir na melhoria das condições de trabalho dos pescadores. «Fazemos mais de 70 milhas fora de São Tomé, sem bússola sem GPS, sem meios de comunicação. Nós é que alimentamos o país com peixe, daí achamos que o governo deve nos apoiar, em termos de meios», concluiu.

Guarda Costeira nasce, aparece e procura se afirma como a mais importante unidade militar do país. Tem a missão de proteger o maior espaço territorial do arquipélago, e salvar a vida de centenas de são-tomenses, que diariamente trabalham no mar, em busca de peixe para alimentar outros milhares que trabalham na terra de 1001 quilómetros quadrados.

Abel Veiga

    10 comentários

10 comentários

  1. Fijaltao

    22 de Março de 2012 as 14:02

    Os pescadores vão continuar à deriva na mesma se o governo, como disse o Octávio não os munir de meios como GPS, Bússola, e um pequeno rádio ou um pequeno telefone “anfíbio” capaz de lhes pôr em contacto com o país ou com o nosso honroso barco da guarda costeira. Aos militares profissionais deste barquinho, é de louvar o vosso trabalho e pedir a todos vocês que amem e proteja o vosso país protejendo este aparelho oferecido pelos Estados Unidos, não se deixem levar pelos corruptos deste país procurando por todos os meios a destruição parcial deste bote salva-vidas para depois ser vendido em leilão a tu-ti e meia aos senhores do poder como fizeram com o navio de passageiro que foram comprar à Espanha.
    Um bem haja a vocês.

  2. Santosku

    22 de Março de 2012 as 14:27

    Necessidade de criar meios porque embora com poucos quadros alguma coisa vamops fazendo.Pedimos a o Governo na pessoa do Ministro de Defesa para ajudar esta unidade militar que só traz alegria salvando vida. Força

  3. antonio lonbá

    22 de Março de 2012 as 15:20

    Em vez do patricio trovoada andar a mendigar a mais o varela para pedir ajuda e ficar com a tal ajuda deveriam é pegar na tal ajuda e ajudar a guarda costeira com meios sufisticados,varela e patricie andam a destruir este pais no silencio total e depois dis deixa-nos trabalhar,meu povo abre os olhos acordam,por isso que eu hoje trabalho no privado neste pais

  4. José João

    22 de Março de 2012 as 17:23

    Pouco a pouco o nosso país caminha direcção a satisfação das pessoas. Teremos que dar oportunidade a quem quer trabalhar para engrandecimento do país e deixar de politiquice. Como patriota devemos ajudar as instituições que têm prestados bons serviços aos cidadãos.

  5. ôssobó

    23 de Março de 2012 as 8:26

    Caro Antonio Lómba, quem que tu querias que o povo desse confiança? eles todos sao ladroes da noite.

  6. jeyson d´oliveira

    23 de Março de 2012 as 9:47

    Deixemos de pacovice, se tens fundamento para acusar vai para os meios próprios fazer o que é teu por direito (cidadão)!Força a nossa guarda costeira, que com pouco fez muito.

  7. preto

    23 de Março de 2012 as 12:47

    Será que esses militares estão mesmo preparados? Parece que passam fome. Estão muito MAGROS.

  8. Ex da Turma FE

    23 de Março de 2012 as 15:49

    Podem aproveitar das enbarcações para fazer a pesca para os quarteis e fica melhor. A falta de peixe hoje na dieta alimentar das tropas é notorio. A bordo umas iscas não faziam nada mal. “Miongá”

  9. Dasafrica

    26 de Março de 2012 as 9:23

    Meu Caro Octávio Carvalho,
    Ja existe um Projecto que irá ser adiquirido Bussulas,GPS… e outros materiais como coletes e etc…. Consulte MARAPA ou COMPREC…..
    Força

  10. Brasil

    4 de Fevereiro de 2013 as 14:52

    Nós brasileiros iremos dar a ajuda que precisam, hoje começaremos a formar seus futuros militares para a GC, assim como estamos fazendo com a Namíbia.

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