Opinião

Lojas do Povo, na economia de mercado – Explicar sem complicar

O anúncio do Primeiro Ministro Patrice Trovoada, sobre o regresso das Lojas do POVO, justifica este artigo de Opinião. O anúncio do Governo ameaça o mercado livre, e pretende impor a economia estatizada, como nos tempos de orientação comunista.

Lojas do Povo, na economia de mercado –  Explicar sem complicar
As chamadas lojas do povo, são estabelecimentos comerciais que foram criadas nas economias estatizadas, nos países em que o Estado substituiu os operadores comerciais, e vende os produtos a preços subvencionados.

Estas lojas não podem ter sustentabilidade na economia de mercado, por varias razões, desde logo, porque o Estado Democrático não tem vocação para o comércio, que é por natureza própria, uma atividade privada.

A função do Estado é a de regular o mercado e fazer com que ele seja funcional.

O Estado Santomense, no tempo do Partido único, tinha as famosas lojas do povo, com seu Ecomex e Ecomim, que foram na realidade, génesis da corrupção e da má gestão da coisa pública. E estas famosas lojas do povo, não deixaram boas recordações na nossa economia, e não só (há gentes que ficaram até hoje traumatizadas com as longas bichas e as atuações do Quebra – osso).

Na atualidade, recorrer de novo as famosas lojas do povo, pressupõe, em primeiro lugar, a retificação do Orçamento Geral do Estado, por forma a constar uma diminuição drástica das receitas do Estado e por outro lado, um aumento das despesas, com o circuitos de comercialização, ou seja, armazenagens, transportes, estabelecimento comercial e respetivos pessoal.

Se as lojas do povo, tiver como destinatário final a franja da população mais carenciada, (que é a grande maioria da nossa população) o Estado perpetuará a miséria, e ao mesmo tempo facilitará os desvios de grandes somas de dinheiros.

Um Estado que por um lado, vai em busca de financiamento externo privado porque não tem dinheiro e acesso a crédito público, e por outro lado subvenciona os produtos de primeira necessidade para as suas populações é seguramente um Estado falhado.

Os operadores comerciais nacionais, terão naturalmente que dedicar- se a outros ramos do comércio, pois, se a moda pega, e com abertura de grandes espaços comerciais, na terra e no mar, o melhor mesmo é dedicar-se a agricultura, mas, com falta de terra para ser distribuída a sotocao…

O próprio conceito do povo, carrega consigo uma carga extremista, para esquerda ou para direita populista.

Segundo Fidel Castro in- História me absolverá “ o povo é aquele que todos prometem e ninguém dá nada”

Segundo Maquiavel in – Príncipe “ A politica é a arte de mentir”

Só com Cristo!

Augerio Dos santos Amado Vaz

    27 comentários

27 comentários

  1. MASSA CRITICA

    4 de Julho de 2012 as 7:05

    LOJA DE POVO ??? SE CALHAR O TERMO IDEAL NÃO SERIA ESSE, MAS FACE A INCAPACIDADE DO SECTOR PRIVADO EM ASSEGURAR A MANUTENÇÃO DESSES PRODUTOS, PORQUE NÃO CRIAR UMA ENTIDADE DE CAPITAIS MISTOS E COM PESSOAS CAPAZES PARA EVITAR SITUAÇÕES COMO O GGA OU A STP TRADING ???

  2. MASSA CRITICA

    4 de Julho de 2012 as 7:25

    APESAR DO PAPEL DO GOVERNO SER REGULADOR, ESSE PODERÁ INTERVIR SEMPRE QUE JUSTIFICAR, AGORA IMPORTA-SE SABER SE A MEDIDA É A MAIS ADEQUADA

    • Augerio dos Santos Amado Vaz

      4 de Julho de 2012 as 11:00

      È evidente que o Governo pode intervir, para facilitar e nunca para complicar. Quem pensa que nas conjuturas atuais as lojas do povo, podem ser a solução, das duas uma, ou é esquizofrénico ou está a espreita de dar mais uma banhada.

  3. conterrâneo

    4 de Julho de 2012 as 8:18

    Num país onde há uma elite que encaixa na classe alta, média alta, com rendimentos mensais que vão de 25 milhões de dobras (pouco mais de 1000 euros)até 80, 100 milhões(pouco mais de 4.000 euros), e outro grupo não privilegiado que trabalha e aufere mensalmente (em média) Um Milhão e Duzentas Mil Dobras (49 euros), Urge a necessidade do Estado se preocupar com essa franja de rendimento baixo.

    Não podemos esquecer que os nossos pensionistas recebem mensalmente 390.000 dobras (15,92 euros).

    Onde o preço é o mesmo para todos. Aqui reina uma tremenda injustiça social.

    Se calhar o termo “LOJA DO POVO” não é o mais adequado num MERCADO LIBERAL.

    Mas, se for problema de nome desajustado, cabe ao Sr Patrice Trovoada mudar o termo.

    O que é importante nisso tudo é a INTENÇÃO EM CRIAR UM AMBIENTE FAVORÁVEL PARA AQUELES QUE AUFEREM DE UM RENDIMENTO BAIXO.

    O Governo não pode esquecer da classe media e baixa.

    Tem que agir!

    Em Portugal e França, paragens onde residi por algum tempo, também existem “coisas” semelhantes.
    Tudo com intuito de ajudar os mais desfavorecidos.

    Quem não se lembra, que em Portugal existem várias organizações (muitas Governamentais) que distribuem o cabaz completo 1 a 2 vezes por mês, para familias de classe média e baixa?

    Há que impor a chamada JUSTIÇA SOCIAL!

    Se os COMERCIANTES NÃO QUISEREM COLABORAR, ENTÃO TERÃO QUE ASSUMIR AS CONSEQUENCIAS DA INTERVENÇÃO DO ESTADO!

    Até breve

    • "Nós por cá e a nossa maneira"

      4 de Julho de 2012 as 13:13

      ……ao pensar assim vamos ter os famosos GGA do ADI…….haver vamos

  4. Paracetamol 500mg

    4 de Julho de 2012 as 8:36

    Quem ira gerir essas lojas? Nino monteiro ou Sr. Zé?
    PT um homem viajado, conhece as principais capitais do mundo, com de ideias de invejar os outros, inovador, homem de conhecimentos, pensar uma barbaridade dessas, é sinal que as coisas não vão bem. As lamparinas fundiram-se todas.
    De investimentos avultados para loja do povo não faz sentido nenhum.
    De onde virá o dinheiro para se custear essas lojas?
    Sinceramente…

  5. o povo

    4 de Julho de 2012 as 9:44

    o sector privado encontra-se descapitalizado,devido as intervençoes permanente do governo no mercado e essa é mais uma medida que vai complicar mais a situação do sector privado.Senhor PT, até agora esta tudo a andar bm em termos economicos, nao tome esta medida,nao acompanhe a pressao social é normal que isso aconteça. Nao esqueça todas as empresas estatais de STP estao na falencia tecnica(o estado é mau gestor).

    Economista-Professor Universitario

  6. João Bosco Menezes de Pinho

    4 de Julho de 2012 as 9:45

    Patrice só favoreceu os comerciantes Libaneses. O Governo acabou com a classe média. O Primeiro Ministro assumiu publicamente este facto e agora vem chamar de imcompetente o sector empresarial São Tomense.?? Que falcidade

  7. Carlos Ceita

    4 de Julho de 2012 as 10:20

    Essa lenga lenga que se transforma num mito de que loja de povo é coisa de comunista já não convence ninguém.
    A estatização ou comunismo selvagem chamem-lhe o que quiserem não é muito diferente da mão invisível ( neoliberalismo selvagem) que tomando conta de recursos naturais a favor de uma minoria burguesa.
    Deixem la o Marx e o comunismo dormirem em paz (o murro de berlin já la foi) preocupemo-nos agora com o capitalismo selvagem desumano que vai dando cabo do mundo. Preocupemo-nos com os novos murros que se vão erguendo e precisam ser derrubados. O murro da pobreza, da ignorância, da estupidez, do oportunismo, da intolerância, da desigualdade social , de ausência de valores etc etc.
    São Tome e Príncipe não tem de enveredar nem pelo capitalismo selvagem nem pelo comunismo selvagem.
    Tem sim de ir pelo equilíbrio dos dois conceitos. Podemos e devemos tirar partido do papel fundamental que o Estado e os privados devem ter na sociedade.
    Não me choca em absoluto que o estado possa criar empresas. Pode ate ser um estimulo e um desafio para que os privados sejam mais actuantes e empreendedores.

    • maria chorona

      4 de Julho de 2012 as 12:41

      Concordo plenamente consigo, no que concerne, as vias a seguir para resolver o problemas gritantes da nossa população, pelo que a questão a priori a ser resolvida é a do regime. Se calhar deviamos seguir o caminho da terceira via. Mas, a realidade é núa e crua, estamos num capitalismo servãtico, com as suas regras, com as quais também não concordo, porém, a impelementação da lojas do povo, onde noventa por cento da população é pobre, significa a manutenção da miséria generalizada.
      Relavivamente o conceito da loja do povo, náo conheço outro.
      Perante tanta miséria, o estado deve naturalmente, ter um politica de solidariedade social a favor dos mais carecidos e isso náo se consegue com as lojas do povo.

  8. macabeufm

    4 de Julho de 2012 as 10:58

    belo texto, mas, esqueceste de algo. se o mercado é liberal deve os autores comercias dar respostas, factos não verificado. se os comerciantes são incapazes, o minimo que o governo deve fazer é interferi. só espero que essa interferencia seja leal de forma que os comerciantes vendem. a melhor solução é realmente criar uma sociedade mista, que seja fiscalizada pelo estado.

    • Augerio dos Santos Amado Vaz

      4 de Julho de 2012 as 11:07

      O Governo pode dar incentivos fiscias aos comerciantes e exigir que os mesmos pratiquem preços compatíveis com o nivel de vida das populações, acompanhada de uma fiscalização de preços.
      O homem Santomense tem dificuldades em lidar com dinheiro publico, e segundo o proprio Primeiro . Ministro, os Tribunais não funciona é um convide ao furto.

  9. Lucas

    4 de Julho de 2012 as 11:00

    Quero apenas aqui deixar um pedido ao Senhor Augerio Dos santos Amado Vaz. Que o Sr. continui a brindar-nos com os seus belissimos artigos de oipnião.
    Mesmo que haja concordia ou discórdia com o seu ponto de vista, os seus artigos sempre suscita debates saudáveis. Parabens!

  10. DEUS PROVERÁ

    4 de Julho de 2012 as 13:57

    quero ai solicitar ao sr.jornalista abel veiga ,a quem tenho muito respeito,porquê que não publicaram o meu comentario.?

  11. Leopaldo

    4 de Julho de 2012 as 15:41

    O conceito loja de povo esta ultrapassada,refere-se mais para os países comunistas…uma economia aberta como nossa não faz sentido a loja do povo…O PM tem sim, que pensar numa estratégia económica sustentável, virada para produção interna de géneros alimentícios da primeira necessidade, não esquecendo de apostar nas infra-estruturas, que reflectira para a diminuição do desemprego.

  12. Pidu Mamon

    4 de Julho de 2012 as 16:53

    isto só acontece pk os privados escondem produtos para o povo revoltar-se contra o governo.

  13. Lenine

    4 de Julho de 2012 as 18:02

    Loja do povo ???????

    Cheira a coisa tipo ex-União Soviética. E também vai ter senha de racionamento ?

  14. Blogonón Paiva

    4 de Julho de 2012 as 19:38

    Loja do Povo foi coisa do PartidoUnico, muito criticado pelos partidos da mudança, próprio o Trovoada Pai e Filho, usar este slogan na suas campanhas. Que pouca vergonha envés de passos em frente o Sr. Primeiro Ministro quero recuar o Pais.
    Mas, vos garanto a estrategia do Sr. Primeiro Ministro é condicionar o Arroz do Japão para fazer cesta básica no seu supermercado abrir brevemente nas instalações da Docas de Pescas. Atenção ao populismos político do Sr. Patrice Trovoada.

  15. beto

    4 de Julho de 2012 as 20:46

    Augério escreveu algo bom, útil e de jeito, pela primeira vez, sem defendr seu próprio nome, das sujeiras que também tem culpa no cartório. valeu Augério!!!

  16. bornebooster

    4 de Julho de 2012 as 21:05

    e melhor acabar com essa historia de loja de povo deveriamos destruir essa palavra isso nao existe em democracia voces nao sabe isso nao existe no sector humano so sector de guerra

  17. Medina Carreira Santomense

    4 de Julho de 2012 as 22:47

    Estando fora do país gostava de ouvir a opinião dos meus concidadãos sobre o seguinte:

    1) O comunismo já acabou não é verdade ?
    2) O país produz muito pouco daquilo que consome, não é verdade ?
    3) Quando não se produz internamente, tem que se comprar fora, ou seja importar, correcto ?
    4) Quando se compra tem que se pagar, não é também verdade ?
    5) Se o Estado quer criar lojas e vender mais barato, tem que comprar, logo tem que pagar, certo ?
    6) O Estado Santomense não tem receitas para cumprir os seus actuais custos e vive de ajuda externa de outros países, estou enganado ?

    Reflexão final
    Onde car….lho vai o Estado buscar dinheiro para comprar bens alimentares e pagar aos fornecedores, se até para pagar os seus salários e despesa tem que pedinchar ?

  18. Verónica

    5 de Julho de 2012 as 8:09

    Será que esta promessa vai ter pernas para andar? Duvido!
    Em que espaço o PT irá instalar a loja do pôvo, alvez n loja do meu sócio Rami ou uma casa que o meu pai comprou, F. Cabral, aluga-la e zás. Ganho dinheiro com a renda ou então meu pai ganha e tenho aminha comissão. Porque dentro da cidade,talvez a casa Bachá.
    Coitado dos que vão para lá trabalhar. Vai ser o caso de GGA que os coitados (Aurélio e Deógenes) estão na rua das amarguras. Talvez mais uma fone para pagar água, luz e telefone do ADI.

  19. A verdade amarga

    5 de Julho de 2012 as 11:26

    Quem disse que na economia do mercado o Estado nao pode facilitar a camada mais desfavorecida? Assim como existem universidades privadas, nao estamos a pensar em universidades estatais? Sou de opiniao que assim como existem lojas privadas, o Estado tambem deve ter a sua loja, onde a camada mais resfavorecidam possam beneficiar de produtos de primeira necessidade a baixo custo. Como o mercado ‘e livre, quem quizer e puder, pode comprar ao sector privado.

  20. A verdade amarga

    5 de Julho de 2012 as 11:59

    camada mais desfavorecida queria eu dizer

  21. Mimi

    6 de Julho de 2012 as 8:48

    Palhacada. O Governo no intuito de atingir pessoas inventa coisas. Esquece-se que nao se reduz a pobreza eliminando a classe media pois e esta que assegura o emprego para os mais necessitados. Daqui a nada nao havera empregados domesticos, porque ninguem os podera pagar; nao havera empregados de balcao porque o comercio de uma maneira geral vai fechar… Do que fala afinal o PM?

  22. Aristides Barros

    6 de Julho de 2012 as 15:56

    Sua Excelência o senhor 1º Ministro é economista e é uma pessoa alegre. Ele gosta muito de sorrir e de fazer rir. Essa de Loja de Povo é mais uma das suas brincadeiras.Já estamos habituados a elas.
    Num país onde conseguir pagar salário da função pública é motivo para se vangloriar,de anunciar numa entrevista, como será possível financiar “Lojas de Povo”? Com que meios? Não é por razão fútil que o Conselho de Ministros não estava de acordo.Eles(os Ministros) têm consciencia que era uma simples bricadeira.

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