Sociedade

Dia Mundial da Água – 8º Fórum Mundial junta líderes e milhares de peritos

 

 22 de março, é assinalado o Dia Mundial da Água. O Fórum Mundial da Água, que decorre em Brasília, pretende mais uma vez alertar os líderes e peritos mundiais para os problemas globais da água, nomeadamente, o facto de 1 em cada 9 pessoas no mundo ter acesso a serviços seguros de água potável, e 2.3 mil milhões de pessoas não ter acesso a casas de banho.

O Fórum Mundial da Água alerta também para o facto de em 2025, dentro de 7 anos, metade da população mundial estará a viver em áreas de forte pressão hídrica sofrendo secas, inundações e outras crises relacionadas com a águas.

Só em 2016, os valores registados mundialmente de mortalidade infantil, revelaram que 8% das crianças com menos de 5 anos morreram de diarreia, geralmente causada pelo consumo água contaminada.

  • Co-organizado pelo Conselho Mundial da Água e o Governo do Brasil, 8º Fórum Mundial da Água junta mais de 12 Chefes de Estado, mais de 100 Ministros, Deputados e Autarcas, milhares de peritos em desenvolvimento sustentável e água e cidadãos de todo o mundo, no Brasil para celebrar o Dia Mundial da Água a 22 de março
  • Em 2025, metade da população mundial viverá em áreas de forte pressão hídrica
  • 80% dos países assinalam falta de fundos para atingir os objetivos nacionais de água potável.
  • Mais de 840 milhões de pessoas em todo o mundo, ou 1 em cada 9, não têm acesso a serviços de água potável e 2.3 mil milhões, ou 1 em 3, não têm acesso a casas de banho. 

Conselho Mundial da Água, 21 de março de 2018 – Mais de 840 milhões de pessoas em todo o mundo, ou 1 em cada 9, não têm acesso a serviços de água potável, e 2.3 mil milhões, ou seja 1 em 3, não têm acesso a casas de banho. “Em todo o mundo, mais pessoas têm acesso a telemóveis do que casas de banho”, explica Matt Damon, ativista da água e ator. Num esforço mundial para evitar uma crise hídrica generalizada e melhorar o acesso a água potável e saneamento no mundo, o Conselho Mundial da Água organiza a 8ª edição do Fórum Mundial da Água, a decorrer atualmente em Brasília, entre 18 e 23 de março, coincidindo com o Dia Mundial da Água.

Mais de 1500 jornalistas, mais de 12 Chefes de Estado, incluindo o Presidente do Brasil, Michel Temer, o Presidente da Hungria, János Áder, o Presidente do Senegal, Macky Sall, o Primeiro-Ministro da Coreia do Sul, Lee Nak-yeon, e sua Alteza Imperial o Príncipe Herdeiro do Japão, em conjunto com CEO de empresas da lista Fortune 500, entre muitos outros, viajaram até à capital brasileira para participar em 17 painéis de alto nível e mais de 300 sessões onde o futuro da segurança hídrica será definido para os próximos três anos. Através de mais de 300 sessões, abrangendo várias especialidades, incluindo sessões políticas, de cidadãos, regionais, de sustentabilidade, temáticas e especiais, mais de 20.000 participantes de 170 países reuniram-se numa área com mais de 90.000 m² para encontrar soluções para os desafios mundiais de segurança hídrica.

O primeiro Fórum Mundial da Água foi sediado em Marrocos em 1997. Entre os seus triunfos, o trienal Fórum Mundial da Água tem sido fundamental ao promover o reconhecimento do Acesso à Água como um Direito Humano, que finalmente foi reconhecido pela ONU em 2010. Isso aconteceu nas vésperas do 6º Fórum Mundial da Água (em Istambul, Turquia), onde a natureza fundamental deste direito foi defendida a cada momento.

Além disso, o Fórum Mundial da Água e seu criador, o Conselho Mundial da Água, desempenharam papéis fundamentais em garantir o reconhecimento do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6 (ODS), garantindo o acesso seguro à água e ao saneamento para todos. Este objetivo, estabelecido pelas Nações Unidas em 2015, deve ser alcançado até o ano de 2030. “Alcançar as exigências segurança hídrica sofrendo forte pressão devido aos usos concorrentes da água e exacerbados pelo contexto de mudanças globais. Este Fórum Mundial da Água está aqui para promover o papel primordial da água e permitir a tomada de decisões sensíveis à mudança global”, explica o Presidente do Conselho Mundial da Água, Benedito Braga.

O Hemisfério Sul recebe o Fórum Mundial da Água pela primeira vez, abrindo as portas da América do Sul para dialogar e trocar experiências e boas práticas relacionadas ao uso da água. Esta edição brasileira oferecerá uma Vilã Cidadã, que receberá gratuitamente todos os cidadãos globais para participar no debate através de exposições, palestras, filmes, oficinas de artesanato, entretenimento, talk shows e praças de alimentação gourmet. O Conselho Mundial da Água convida todos a fazerem parte do seu mais importante evento internacional sobre a água.

O Fórum Mundial da Água, que recebeu 300 autoridades locais e regionais, 200 parlamentares e 100 delegações oficiais, representa também, uma oportunidade crucial para que as autoridades globais partilhem conhecimento e desenvolvam estratégias para várias questões, como o combate à variabilidade climática e à escassez de água. Em 2025, metade da população mundial estará a viver em áreas de forte pressão hídrica como secas, inundações e outras crises hídricas que já estão a ocorrer em muitas partes do mundo, como Cidade do Cabo, na África do Sul, ou a própria São Paulo. O principal abastecimento de água da cidade brasileira, o reservatório de Cantareira, foi recentemente reduzido para 5% de capacidade, comparável a apenas um mês de abastecimento. A ironia desta realidade está no facto de que o Brasil possui a maior fonte mundial de água doce, com 12% da oferta do planeta.

Sem água, não há vida, não há comida, não há desenvolvimento. No Fórum Mundial da Água, sob o abrangente tema “Partilhando Água”, à luz do papel do recurso na união de comunidades e na destruição de barreiras, decisores de todo o mundo juntam-se para discutir e apresentar recomendações que irão garantir a água no nosso futuro.

Os Governos precisam de colocar a segurança hídrica no centro das suas estratégias de desenvolvimento nacionais em todos os setores e envolvendo todas as partes interessadas. A experiência mostra que não podemos atingir  uma gestão sustentável dos recursos hídricos sem o compromisso de todos os atores de todos os setores, desde o setor de energia, produção de alimentos ou serviços de saneamento”, explicou o Presidente do Conselho Mundial da Água, Benedito Braga, durante a cerimónia de abertura do 8º Fórum Mundial da Água.

Em todo o mundo, alguns dos problemas mais urgentes em torno da água não são sobre quantidade, mas sim qualidade. Esta é uma questão de vida ou morte para muitas pessoas, em todo o mundo – já que 660 milhões de pessoas não têm acesso a recursos de água potável aperfeiçoados e 2,4 mil milhões não têm acesso a saneamento aperfeiçoado.

Em particular, níveis severamente baixos de cobertura de saneamento são as principais causas de morte e doenças em todo o mundo; recentemente, em 2016, 8% das crianças com menos de 5 anos morreram de diarreia, geralmente causada pelo consumo água contaminada. Aqueles sem acesso a saneamento adequado vivem principalmente na Ásia, África subsaariana, América Latina e nas Caraíbas. Mulheres e meninas são as mais afetadas por questões de água potável e saneamento, pois passam coletivamente mais de 200 milhões de horas por dia a recolher água.

O Dia Mundial da Água 2018 destaca as “soluções baseadas na natureza” para os desafios hídricos atuais, muitas vezes exacerbados pelas alterações climáticas, desastres naturais e crescimento populacional desordenado. O Fórum Mundial da Água ajudará a mostrar aos líderes como uma combinação da infraestrutura já existente, realidades geográficas, recursos naturais e financiamento adequado pode levar a uma melhor gestão de água. Por cada dólar investido em água e saneamento, o retorno económico em termos de custos de saúde evitados e produtividade é de quatro dólares.

Através da organização do Fórum Mundial da Água, o Conselho Mundial da Água (WWC) apela a todos os governos a colocarem os recursos hídricos como a sua principal prioridade e encoraja-os a aumentar os orçamentos para infraestruturas multiusos sustentáveis da água, de forma a garantir água potável para todos no planeta e para diferentes usos, como a produção de alimentos e energia, salvaguardando o meio ambiente. O facto de que 80% dos países revelarem financiamento insuficiente para responder às metas nacionais de água potável não pode continuar a ser uma realidade em pleno Século XXI. A necessidade por um empenho e inovação renovados é clara, uma vez que o financiamento deve triplicar para 90 mil milhões de euros por ano, tendo em consideração os custos operacionais e de manutenção para atender a meta 6 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

Fila de trás (esquerda para direta): Assistente do Secretário-Geral da ONY para Assuntos Políticos (Danilo Türk); Diretor-geral da UNESCO (Audrey Azoulay); Ministro de Estado do Principado do Mónaco (Serge Telle); Primeiro-ministro da República da Coreia (Lee Nak-yeon); Primeiro-ministro do Senegal (Mahammed Dionne); Vice-presidente da Guiné Equatorial (Teodoro Nguema Obiang Mangue); Ministro do Ambiente do Brasil (José Sarney Filho); Primeira-ministra de São Tomé e Príncipe (Maria do Carmo Silveira).

Fila da Frente (esquerda para direta): Presidente de São Tomé e Príncipe (Evaristo Carvalho); Presidente da Guiana (David Granger); Presidente de Cape Verde (Jorge Carlos Fonseca); Governador do Distrito Federal de Brasília (Rodrigo Rollemberg); Presidente do Brasil (Michel Temer); Presidente do Conselho Mundial da Água (Benedito Braga); Presidente da Hungria (János Áder); Sua Alteza Imperial o Príncipe Herdeiro do Japão (Naruhito); Primeiro-ministro de Marrocos (Saadeddine Othmani).

Sobre o Conselho Mundial da Água:

O Conselho Mundial da Água (World Water Council – WWC) é uma organização internacional composta por diversas partes interessadas, fundadora e co-organizadora do Fórum Mundial da Água. A missão do Conselho visa mobilizar para questões críticas sobre a água em todos os níveis, incluindo o mais alto nível de decisão, envolvendo pessoas no debate e desafiando o pensamento convencional. O Conselho está focado na dimensão política da segurança da água, bem como sua adaptação e sustentabilidade, e trabalha para incluir o tema no topo da agenda política mundial. Com sede em Marselha, França, e criado em 1996, o Conselho Mundial da Água agrega mais de 300 organizações-membro provenientes de mais de 50 países.

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Fonte – ONU

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