Sociedade

Guardiões d´Obô pedem ajuda para salvar Pau3

«Pau 3, é uma planta endémica de São Tomé e Príncipe. As folhas e as cascas são muito utilizadas na medicina tradicional. Pau 3 é afrodisíaco». Explicação dada por António Camuenha(na foto em cima), um dos líderes dos guardiões d´Obô.

Segundo Camuenha, o Pau 3, « está em vias de extinção». A procura desenfreada das cascas para produção de uma bebida alcoólica designada exactamente de “Pau 3”, está a ameaçar esta espécie de planta, assegurou o guardião d´Óbô.

Em pleno parque natural Obô, mais concretamente nas montanhas de floresta virgem, que dão acesso à Lagoa Amélia, António Camuenha mostrou várias árvores de Pau 3 completamente descascadas.

«As pessoas tiram as cascas de forma incorrecta. A planta fica desprovida de protecção e acaba por secar e morrer», relatou o guardião d´Obô.

No parquet natural Obô, o tronco do Pau 3 é habitat para outras plantas. Para além de musgos, António Camuenha disse que as orquídeas também habitam no caule do Pau 3, onde se alimentam de sais minerais e água.

O Guardião d´Obô descreveu a biodiversidade de São Tomé e Príncipe como sendo riquíssima e singular no mundo. « São Tomé e Príncipe conta com 28 espécies de aves endémicas e 120 espécies de plantas endémicas..», referiu.

Dados que estão a ser actualizados pelo Projeto Flora Ameaçada liderado pelo Missouri Botanical Garden. A investigação e a actualização em curso do status de conservação da flora ameaçada do país, poderá trazer novidades e surpresas de São Tomé e Príncipe como um dos berços da biodiversidade mundial.

Os guardiões d’Obô fazem parte da equipa técnica da Plataforma de Turismo Responsável e Sustentável, Foram criados no quadro do Projeto Ecofac6, financiado pela União Europeia e liderado pela ONG BirdLife International.

Composto por  12 membros os guardiões d´Obô tem a missão de garantir a  monitorização da biodiversidade e das ameaças no Parque Natural Obô da ilha de São Tomé, e também na zona tampão ao parque natural. Por isso desenvolvem actividades de fiscalização e sensibilização das populações para a proteção e a conservação ambiental.

António Camuenha, é um dos guardiões d´Obô que tem conhecimento profundo das plantas e animais que habitam o parquet natural Obô. É também conhecedor dos trilhos que ligam todos os pontos do Obô de São Tomé, começando pela Lagoa Amélia(na foto em baixo) onde nasce quase todos os rios de São Tomé, fonte de 60% de água doce que alimenta o país.

O Guardião conhece como a palma da sua mão o Obô que liga Lagoa Amélia ao Pico de São Tomé. Domina cada grota e cada montanha, que faz o caminho na floresta virgem entre Santo António Mussacavu na parte sul da ilha à Bindá no extremo norte da ilha.

Guardião d´Obô experimentado, António Camuenha revelou as várias acções de fiscalização e monitoramento já desenvolvidas no parque natural de São Tomé. As ameaças aumentam, confirmou.

O abate ilegal de árvores já atingiu o coração do parque natural Obô, denunciou. A caça furtiva ameaça várias espécies de pássaros, mas também de macacos e lagaias. Até a cobra preta está a ser menos vista no Obô, porque o homem santomense está cada vez mais, a abate-la para comer.

Pelo menos para preservação da flora, os guardiões d´Obô recolhem mudas no parque natural. As plantas que estão na “linha vermelha”, como diz António Camuenha, são lançadas em viveiro no Jardim Botânico de Bom Sucesso.

Largas dezenas de plantas endémicas de São Tomé e em vias de extinção foram transplantadas para o viveiro no Jardim Botânico.

«Essas plantas ficam aqui no viveiro cerca de 6 meses. Depois vamos planta-las no parquet natural Obô. Isso para manter as espécies e evitar a sua extinção», pontuou António Camuenha.

É neste cenário de ameaças para a biodiversidade, que São Tomé e Príncipe, acaba de receber ajuda da comunidade internacional para a protecção e conservação da sua biodiversidade e para gestão ambiental.

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento(PNUD) e o Fundo Mundial para o Ambiente(GEF), lançaram esta semana um projecto de 4 milhões de euros, para gestão ambiental, da terra e dos recursos naturais. O projecto pretende estancar as diversas ameaças que pairam sobre a biodiversidade terrestre e os ecossistemas florestais em São Tomé e Príncipe.

Abel Veiga

    3 comentários

3 comentários

  1. António cunha dos santos

    4 de Junho de 2021 as 15:05

    Onde é que anda o pessoal das Florestas?

  2. SEMPRE AMIGO

    5 de Junho de 2021 as 10:18

    Convenhamos!.Este artigo, pela importância do assunto tratado,mrecia um título mais abrangente,mais acertado.Deveria servir de uma chamada de atenção,ROGANDO o Governo para agarrar o assuntoto com as duas mãos.Espero que a preocupação principal do articulista é de alertar a opinião pública nacional pelo “perigo”eminente com o desaparecimento do PAU3 ou melhor intrepertando…..para a morte do PAU…3.

  3. António cunha dos santos

    7 de Junho de 2021 as 16:42

    KKKK. os homesn têm tido muito problemas de impotência em STP, e que nem as arvores de Pau3, ficam na floresta

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