Sociedade

GIME já recebeu salário em atraso e pode retomar a manutenção das estradas este ano

As bermas das estradas de São Tomé e Príncipe estão encapoeiradas. É um dos sinais da paralisação das actividades do Grupo de Interesse para manutenção de estradas.

O GIME foi criado no ano 2005 no quadro de um projecto financiado pela União Europeia. Com financiamento de 1 milhão de euros anuais, o GIME abriu o acesso por via terrestre a todo o território nacional.

Regiões antes inacessíveis como florestas ficaram acessíveis aos turistas. 1100 quilómetros de estradas foram reabilitados.

Em 2007 a União Europeia classificou o GIME como o melhor projecto que estava a implementar em toda a região da África Central.

O fim do financiamento da União Europeia no ano 2014, provocou sucessivas paralisações do grupo de interesse para manutenção de estradas.  A mais recente paralisação aconteceu em Outubro de 2022.

Segundo Hélder Paquete, diretor do Instituto Nacional de Estradas, o governo já pagou a dívida para com os operários do GIME.

«Não há nenhuma dívida com o GIME neste momento. O governo assumiu os 12 meses de dívidas e já pagou», assegurou Hélder Paquete.

O governo continua a ter dificuldades para financiar o projecto que dá rendimento a 1600 pessoas. São pescadores, agricultores, motoqueiros, etc que nas suas comunidades realizam o trabalho de manutenção das estradas.

Para 2024 o governo decidiu rever as modalidades do contrato com o grupo de interesse para manutenção das estradas. O reforço da fiscalização do trabalho no terreno é uma prioridade para o executivo.

«O contrato tem que ser revisto para vermos se ele está de acordo com o que a gente quer. A federação do GIME já recebeu uma cópia e está a analisar», reforçou o director do INE.

O Instituto Nacional de Estradas diz que não é possível ter uma estrutura como o GIME a funcionar sem fiscalização. Por isso, já pediu apoio do Banco Africano de Desenvolvimento, para fornecer 4 motorizadas. Motorizadas para os fiscalizadores dos trabalhos de manutenção das estradas.

«Neste momento não temos meios para nos deslocar. Não se pode ter uma estrutura como o GIME a funcionar sem fiscalização», frisou o director.

O novo contrato reduz também o número de estradas a serem mantidas.

«São as federações nacionais do GIME que estão a definir o troço e a extensão da intervenção. São as federações que estão a decidir que troços deverão continuar a ser mantidas», concluiu Hélder Paquete.

O entendimento em torno da revisão do contrato abrirá portas para a retoma das actividades do Grupo de Interesse para Manutenção das Estradas em todo o país.

Abel Veiga

1 Comment

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  1. Roubos à Luz do Dia

    1 de Fevereiro de 2024 at 16:44

    Até quando é?

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