São Tomé e Príncipe está a avançar na criação de um instituto hidrográfico. Os levantamentos necessários estão em curso, com o apoio técnico do Instituto Hidrográfico de Portugal e sob a orientação da Organização Hidrográfica Internacional.
A hidrografia é essencial para a segurança da navegação e para o aproveitamento sustentável dos recursos marítimos, como a pesca e a mineração subaquática. Além disso, dados hidrográficos são fundamentais para planear atividades e antecipar desafios futuros.
“Atualmente, essas informações não apenas garantem a segurança da navegação, mas também permitem prever e estudar o comportamento do meio marinho, protegê-lo, preservar a biodiversidade e fomentar o desenvolvimento da economia azul. Qualquer infraestrutura depende de conhecimento sólido, e esses dados são cruciais, pois representam uma questão de soberania nacional. Sem eles, seria impossível realizar estudos precisos ou antecipar o futuro” – afirmou Delgado Vicente, diretor técnico do Instituto Hidrográfico de Portugal.
Uma equipa técnica portuguesa está em São Tomé e Príncipe para sensibilizar as autoridades nacionais sobre a urgência de criar um instituto hidrográfico. Sem esse organismo, informações estratégicas para a exploração marítima e para a segurança nas águas locais podem ficar comprometidas.
“Sem uma base sólida de conhecimento sobre o oceano, São Tomé e Príncipe torna-se mais vulnerável e suscetível a fatores externos. O território marítimo do país é mais de 160 vezes maior que sua superfície terrestre, o que reforça a ideia de que São Tomé e Príncipe é, essencialmente, o oceano. O futuro da nação está intrinsecamente ligado ao mar e ao seu aproveitamento sustentável, o que exige um serviço hidrográfico nacional indispensável” – destacou Delgado Vicente.
Portugal diz estar disponível para apoiar este projeto, mas cabe a São Tomé e Príncipe assumir a liderança e mobilizar os esforços necessários para torná-lo uma realidade.
José Bouças