Sociedade

Núcleo museológico de cacau cria oportunidades para a população de Água Izé encontrar-se com o futuro

O projecto que está a ser implementado na roça Água Izé pela Associação Roça Mundo é designado de AGRI Cultura.

A parceria que envolve a cooperação portuguesa, a Casa Mendes Gonçalves, a ONG portuguesa Territórios Criactivos, e a Associação M-EIA de Cabo Verde tem o foco na preservação do património histórico e arquitectónico da roça Água Izé, e a transformação do enorme património histórico e cultural em oportunidades de crescimento sustentável para os habitantes da roça.

«É no fundo transformar o património da roça numa economia real», afirmou João Carlos Silva, Presidente da Associação Roça Mundo.

Nos antigos armazéns e estufas de cacau estão a ser lançadas as sementes da transformação da roça e dos seus habitantes. O laboratório de cacau em fase de construção vai contar com uma fábrica de chocolate.

«Cacau para ser transformado e acrescentar o valor in sito. Acrescentando valor, criando posto de trabalho, para que o cacau seja mais valorizado entrando na economia real do país», explicou João Carlos Silva.

A Casa Mendes Gonçalves, um dos parceiros do projecto decidiu financiar as obras de construção da fábrica de chocolate.

Nos edifícios coloniais que circundam Água Izé vai nascer uma cozinha social. «Se integrarmos a cozinha social cozinhando apenas com os produtos locais estamos a fazer uma transformação mais abrangente», pontuou.

Uma escola de artes e ofícios reforça a rede de oportunidades de desenvolvimento sustentável que está a ser construída em Água Izé. «A escola de artes e ofícios está a permitir a utilização dos materiais orgânicos e resíduos sólidos. Estamos a limpar o mato de material considerado lixo, que hoje já não é lixo, mas sim um recurso», acrescentou.

Toneladas de plástico já foram recolhidas para dar corpo a estátuas e outros objectos de valor. A rede de oportunidades se consolida em torno do património histórico e cultural de Água Izé.

«Estamos a criar as condições para aqueles que querem sair do país resistam a esta tentação, e que acreditem que em Água Izé as condições estão a ser criadas para que eles permaneçam. E alguns que saíram voltarem, como já aconteceu. São as oportunidades para continuar a sonhar com a terra», reforçou o Presidente da Associação Roça Mundo. 

Cultivar o Turismo Sustentável na roça que ostenta o nome do Barão que trouxe a cultura do cacau para a ilha de São Tomé, é o objectivo da cooperação portuguesa.

«Água Izé é um terreno importante para realizar este projecto. É um sítio de passagem obrigatória de turistas, tem um património arquitetónico rico, e produz cacau», revelou Paula Pereira.

A adida de cooperação da embaixada de Portugal, manifestou-se confiante no sucesso do projecto, que vai atrair turistas e promover a distribuição das receitas para as famílias de Ágia Izé. «A ideia que se pretende criar aqui, é uma oferta turística que favoreça a comunidade, que distribua as receitas do turismo, que aumente o número de turistas», sublinhou.

O laboratório do Cacau, será um dos principais pontos de atracção dos turistas. «Criar um serviço que os turistas valorizam, de ver a transformação e até participarem nessa transformação, viver essa experiência do cacau ao chocolate, ou do cacau a um produto cosmético como o óleo de cacau, é uma coisa que os turistas de certeza vão aderir e vai gerar receitas».

Turismo cultural e agro-turismo estão a ser cultivados para Água Izé encontrar-se com o futuro. «Para que possam criar o autoemprego à volta do núcleo museológico e assim gerar receitas directas para as famílias», precisou Paula Pereira.

A obra cresce em sincronia com a formação da população local. Oficinas formativas de empreendedorismo deram lição aos jovens e adultos sobre a gestão dos pequenos negócios.

Henriqueta de Pina, jovem de Água Izé disse ao Téla Nón que aprendeu como criar o seu próprio negócio. Os professores vindos de Portugal falaram sobre Marketing e vendas.

«Aprendi que através de um produto pode-se transformar em vários outros produtos. Transformação da matabala e da fruta pão em farinha, assim como a mandioca. O objectivo é fazer o cliente entender que o nosso produto é natural, e tem qualidade» afirmou Henriqueta de Pina.

Com mais de 2000 habitantes Água Izé aposta no seu património material e humano, para conquistar o desenvolvimento sustentável.

Abel Veiga 

1 Comment

1 Comment

  1. Sem assunto

    12 de Março de 2026 at 7:25

    Mais uma forma de o João Carlos Silva comer mais algum dinheiro em nome de São Tomé e de comunidades pobres. Este,cabrão, é mais um alienado, racista, com laivos de demente.
    É testa de ferro de brancos que vêm aqui brincar com projetos de cultura, nenhum resultado salta a vista destas iniciativas, porque são pensados para faturação pessoal. É tudo disfarce.

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