Graça Geraldo, professora há quatro décadas e atualmente presidente do Conselho Fiscal e de Jurisdição da Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal, é deficiente visual. Pela primeira vez em São Tomé e Príncipe, veio partilhar experiências sobre educação especial e inclusiva.
“Vou explicar algumas técnicas de orientação e mobilidade, de grafias do braille, do pré-braille que é fundamental para as crianças começarem a aprender. É preciso treinar a motricidade fina, treinar o tato e só depois se pode aprender o braille”, afirmou.
Apesar do seu percurso inspirador, alerta que os desafios enfrentados pelas pessoas com deficiência no país continuam a ser enormes.
“Com as ruas que nós temos em São Tomé, com tantos buracos, com a falta de semáforos e com os transportes que já vi — carrinhas que tenho de mandar parar a qualquer momento sem saber se estão a passar ou não — é muito complicado. Já experimentei pôr a bengala no ar, mas não sei se funciona assim tão bem”, acrescentou.

A sua intervenção insere-se no seminário internacional Diálogos Globais sobre Educação Especial Inclusiva, realizado no âmbito do projeto Educação Para Todos, coordenado pelo Instituto Politécnico de Bragança.
“Todas as crianças, sem exceção, devem ir para a escola, porque merecem oportunidades”, sublinhou Luís Castanheira, coordenador do projeto.
Financiado pelo Banco Mundial, o programa aposta na capacitação de professores.
“Iremos formar 51 especialistas de todos os distritos, que serão especialistas em educação especial”, avançou Luís Castanheira.

A formação, que terá início em setembro na Universidade Pública de São Tomé e Príncipe, culminará com a atribuição do grau de mestre em diversas áreas da educação especial.
José Bouças