Sociedade

Literacia da Alimentação e Nutrição e Qualidade de Vida dos Adolescentes em São Tomé e Príncipe

Investigação destaca o impacto das desigualdades territoriais na qualidade de vida dos adolescentes em São Tomé e Príncipe

Investigação desenvolvida no Instituto Superior de Ciências da Saúde Victor Sá Machado, da Universidade de São Tomé e Príncipe, conclui que as desigualdades territoriais têm um impacto significativo no bem-estar dos adolescentes.

São Tomé,

Um estudo realizado no âmbito do Mestrado em Saúde Pública do Instituto Superior de Ciências da Saúde Victor Sá Machado, da Universidade de São Tomé e Príncipe, analisou a relação entre a literacia da alimentação e nutrição e a qualidade de vida dos adolescentes santomenses.

A investigação envolveu 150 adolescentes, com idades entre os 12 e os 18 anos, provenientes de escolas públicas de diferentes distritos do país. O objetivo foi compreender se um maior conhecimento sobre alimentação saudável está associado a uma melhor qualidade de vida.

Os resultados mostraram que os participantes apresentaram níveis moderados de literacia alimentar e perceções globalmente satisfatórias da sua qualidade de vida. No entanto, o estudo concluiu que o conhecimento sobre alimentação, por si só, não explica diferenças significativas no bem-estar dos adolescentes.

O principal fator identificado foi o território onde os jovens residem. Os adolescentes das zonas urbanas apresentaram melhores indicadores de qualidade de vida e níveis mais elevados de literacia alimentar quando comparados com os residentes em zonas rurais.

Segundo o investigador, estes resultados demonstram que melhorar apenas os conhecimentos sobre alimentação saudável não é suficiente para promover uma melhor qualidade de vida. É igualmente necessário investir na redução das desigualdades territoriais, garantindo melhores condições de acesso à educação, aos serviços de saúde, à alimentação saudável e a ambientes favoráveis ao desenvolvimento dos jovens.

O estudo reforça a importância de políticas públicas intersetoriais que articulem os setores da saúde, educação e ação social, contribuindo para reduzir as diferenças existentes entre as diferentes regiões do país.

Os resultados desta investigação foram apresentados nas III Jornadas Científicas de Saúde da Lusofonia (LusoSaúde 2026), encontro internacional promovido pela Rede Académica das Ciências da Saúde da Lusofonia (RACS), reunindo investigadores de vários países de língua portuguesa. A dissertação foi defendida a 23 de julho de 2026, com a classificação de 18 valores.

O trabalho foi desenvolvido por Ned-Lindger Neto da Conceição, sob orientação do Professor Doutor Manuel Alberto Morais Brás e coorientação da Professora Doutora Eugénia Maria Garcia Jorge Anes, no âmbito do Mestrado em Saúde Pública.

Gráfico 1

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Os conteúdos gerados por IA podem estar incorretos.Legenda: Os adolescentes residentes em zonas urbanas apresentaram valores médios superiores de Literacia da Alimentação e Nutrição (LAN) e de Qualidade de Vida (QV) em comparação com os residentes em zonas rurais.

IndicadorZona UrbanaZona RuralDiferençaSignificância
Média da LAN55,250,74,5 ptsF = 5,84; p = 0,017
Média da QV126,8121,25,6 ptsF = 6,57; p = 0,011

Nota: valores médios reais da dissertação (n = 150). Como o distrito de residência foi um preditor significativo da QV (β = −0,205; p = 0,011), este gráfico comunica a principal conclusão do estudo sem introduzir informação nova.

Ned-Lindger Neto da Conceição é Mestre em Saúde Pública pelo Instituto Superior de Ciências da Saúde Victor Sá Machado da Universidade de São Tomé e Príncipe. Exerce funções como Professor Orientador no Ministério da Educação e desenvolve investigação nas áreas da saúde pública, alimentação e nutrição, qualidade de vida dos adolescentes e inovação educativa.

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