Título: DESAFIOS DO SISTEMA DE SAÚDE EM RELAÇÃO A ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL, HIPERTENSÃO ARTERIAL E DIABETES: ANÁLISE DAS ACTIVIDADES DE PREVENÇÃO E CONTROLO DAS DOENÇAS CRÓNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS (DCNTs).
Uma dissertação de mestrado desenvolvida na Universidade de São Tomé e Príncipe por Jeryson Ramos da Costa revela que as doenças crónicas não transmissíveis, em particular a hipertensão arterial (HTA), a diabetes mellitus (DM) e o acidente vascular cerebral (AVC), representam um importante desafio de saúde pública no país.
O estudo, baseado em dados nacionais do sistema DHIS2 referentes a 2022-2023 e entrevistas com profissionais de saúde, identificou desigualdades significativas entre distritos e entre homens e mulheres.
Entre os principais resultados destacam-se:
- As mulheres apresentam taxas de incidência mais elevadas de hipertensão e diabetes, enquanto os homens apresentam maior incidência de AVC.
- Os distritos de Água Grande e Lembá concentram um número de novos casos superior ao esperado para as três doenças.
- Mé-Zóchi e a Região Autónoma do Príncipe apresentam fragilidades importantes na prevenção, rastreio e gestão clínica.
- Lobata demonstrou melhor desempenho na implementação de estratégias de prevenção e organização dos serviços de saúde.
- O AVC é mais incidente nos homens, porém mais letal nas mulheres
- Os principais factores de risco: Consumo excessivo de álcool, alimentação inadequada, inatividade física.
Figura 1: Razão Padronizada de Incidência (RPI) e respetivo IC95% para HTA, DM e AVC.
OBS: Os distritos com valores de RPI > 100 indicam um número maior de novos casos do que o esperado.
A investigação conclui que São Tomé e Príncipe necessita de reforçar a vigilância epidemiológica, expandir o rastreio precoce, melhorar o acesso aos cuidados de saúde e investir em ações de promoção da saúde e prevenção dos fatores de risco, como alimentação inadequada, sedentarismo, consumo de tabaco e álcool.
Segundo o autor, o fortalecimento do Programa Nacional de Luta contra as Doenças Crónicas Não Transmissíveis e a utilização sistemática dos dados do DHIS2 poderão contribuir para reduzir a mortalidade prematura e melhorar a qualidade de vida da população.
O autor deixa ainda 3 grandes recomendações estratégicas: a) reforçar a vigilância epidemiológica e o diagnóstico precoce das DCNTs; b) fortalecer a capacidade dos serviços de saúde para prevenção e gestão dos casos e c) intensificar a promoção da saúde e o controlo dos fatores de risco modificáveis.
O estudo resulta da dissertação de Mestrado em Saúde Pública do mestre Jeryson Ramos da Costa, defendida na Universidade de São Tomé e Príncipe, onde recebeu a classificação de 18 valores, refletindo a qualidade científica da investigação e a sua relevância para a saúde pública nacional e regional.
A dissertação foi apresentada na 17ª Conferência Europeia de Saúde Pública, na Conferência Lusófona de Saúde Pública, em Lisboa Portugal, e publicada na Revista da Europeia de Saúde Pública da Academia Oxford.
Fonte: Dissertação de Mestrado em Saúde Pública da Universidade de São Tomé e Príncipe (2025).
Autor: Jeryson Ramos da Costa, Farmacologista e MPH.
Nota Editorial
O texto foi adaptado para divulgação ao público geral, selecionando apenas os resultados de maior interesse público e excluindo detalhes metodológicos e estatísticos. Para mais informações por favor consultar o documento em anexo e o resumo da dissertação publicado na revista Europeia de Saúde Pública no link: https://academic.oup.com/eurpub/article/34/Supplement_3/ckae144.1348/7844971
O leitor tem acesso ao estudo em formato PDF –