OMS diz que 70 mil doses estão disponíveis contra a pior e mais rápida epidemia do vírus já registrada no país; esforço logístico e humanitário visa imunizar profissionais da linha de frente e conter propagação incomum nas regiões afetadas.
Com uma velocidade de alastramento três vezes superior à da epidemia de ebola que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016, a República Democrática do Congo, RD Congo, recebe 70 mil doses da vacina Ervebo.
A atual corrida contra o tempo visa travar o avanço do vírus no leste do país, disseram a Organização Mundial da Saúde, OMS, e seus parceiros. A Ervebo, autorizada em 2019, foi a primeira vacina desenvolvida para proteção contra a infecção pelo ebola.
Esperança
Até agora, a 17ª epidemia na República Democrática do Congo já fez 2.476 vítimas fatais em meio a 5.208 casos. A liberação de 70 mil doses da vacina Ervebo é considerada um “raio de esperança”.

A agência da ONU ressaltou, nesta quinta-feira, que a medida responde a um pedido urgente do governo congolês e representa uma “demonstração histórica de solidariedade global na linha de frente da saúde pública”.
O principal objetivo desta distribuição de imunizantes é a proteção dos trabalhadores da linha de frente. São 50 mil doses anunciadas diretamente para profissionais de saúde e trabalhadores essenciais que arriscam suas vidas diariamente.
De acordo com o anúncio, as 20 mil doses restantes serão aplicadas em um ensaio clínico de Fase 3.
O desafio do vírus bundibugyo
Apesar do alívio trazido pelos imunizantes, os cientistas enfrentam o desafio de lidar com a vacina Ervebo. O produto é altamente eficaz contra a cepa tradicional do vírus ebola, mas não foi originalmente desenvolvido para o vírus bundibugyo.
A cepa específica é responsável pelo surto atual, para o qual não havia tratamentos ou vacinas aprovados anteriormente. O comunicado da OMS frisa que, embora ainda não se saiba com certeza se a Ervebo protegerá totalmente contra o bundibugyo, dados preliminares de laboratório e de testes em animais sugerem que ela pode fornecer um grau importante de proteção cruzada.
A estratégia e o futuro
Diante desse novo desenvolvimento, o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, reforçou que a agência une forças com o Centro de Controle de Doenças da África e autoridades locais para intensificar a vigilância, a detecção rápida, o engajamento comunitário e o atendimento de qualidade.
O ponto frágil da resposta tem sido a velocidade. A maioria dos novos casos é descoberta fora do monitoramento de contatos, o que permite que o vírus continue a se espalhar mais rápido do que as equipes médicas conseguem rastreá-lo.
Com a chegada do lote de vacinas, a RD Congo ganha uma ferramenta essencial para tentar virar o jogo e salvar vidas na região.