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Aproxima-se a época do safú!

Preparem-se que esta época, vamos ter muito safú para consumir, tendo em conta a observação que tenho feito dos safuzeiros, nas diversas localidades onde tenho passado.

Quero então aproveitar essa ocasião da época do safú que está prestes a começar, para falar um pouco sobre esse delicioso fruto que aqui em São Tomé e Príncipe chamamos safú, já que noutros Países africanos e não só, tem outras designações.

O safuzeiro é uma árvore de médio porte que se pode encontrar tanto em São Tomé como no Príncipe. O seu fruto, tem um grande caroço fragmentado, ligado por um cordão e protegido por uma membrana, que por sua vez esta envolvida por uma polpa comestível, que pode ser muita ou pouca carnuda, em função do tamanho ou da sua qualidade.

A sua reprodução é feita sobretudo através de aves que ao comer a polpa, espalham os caroços na terra, permitindo a germinação de novas plantas através da floresta. É a iguaria preferida dos papagaios, periquitos e das outras aves silvestres.

O que acontece muitas vezes é que essas plantas são retiradas por pessoas das florestas onde nascem espontaneamente e plantadas nos terrenos perto da zona habitacional.

É sempre uma atração visual observar o safuzeiro na fase de produção em que os seus frutos, desenvolvem-se em grupos compactos, e numa primeira fase colora a árvore de um roxo violeta.

Na fase de maturação, o safú sofre uma mutação e ganha a cor azul-escura. Nessa altura é que o mesmo deve ser colhido e pronto para ser consumido. A época de safú é mais ou menos nos meses de Janeiro a Abril. Os apreciadores do safú devem aproveitar esse período porque ainda não se encontrou aqui no Pais uma forma para a sua conservação a longo prazo, ou uma técnica para a produção ao longo do ano.

Depois de colhido não deve demorar muito tempo a ser consumido porque estraga-se com muita facilidade, sobretudo em locais quentes. A produção de safú é sazonal, salvo raras exceções.

O safú pode ser consumido como aperitivo, sobremesa ou no pequeno-almoço, geralmente acompanhado com pão, broa de milho, fruta-pão assada, farinha de mandioca, etc. Muitas pessoas substituem a manteiga por safú para barrar o pão, porque há quem diga que a sua gordura é insaturada. Já experimentaram também safú com jaca? Façam isso que é uma delícia!

É um fruto que o seu consumo não tem nenhuma contraindicação. Pelo menos não é do meu conhecimento. O seu acompanhamento com vinho tinto ou cerveja é recomendado. Quem não poder ou não gostar de bebidas alcoólicas, uma outra bebida qualquer também serve.

Pode ser feito de muitas maneiras: cozido em água a ferver, assado na brasa ou introduzido em cinza quente. Pessoalmente, gosto o safú feito de toda forma desde que não fique muito mole. Para isso, tem a sua técnica própria de preparação que nem toda gente conhece.

Há um detalhe na preparação do safú que ninguém ainda me soube explicar o seu benefício. É que, normalmente, antes de cozinhar o fruto, raspa-se de cima para baixo, parte da coloração escura que o envolve. Talvez é apenas uma questão de estética, porque na verdade, depois de cozido a parte clara e escura faz uma harmonia que dá outro colorido na travessa.

Raras são as pessoas que não gostam do safú. Ele é muito apreciado também por estrangeiros que visitam o Pais. Até há um mito popular que diz: “Quem come safú regressa de novo a São Tomé e Príncipe”.

Na literatura são-tomense encontra-se muito pouco registo sobre esse delicioso fruto. Talvez a minha pesquisa foi muito limitada.

O safú em São Tomé e Príncipe é normalmente pequeno, tem uma doçura ligeira e uma acidez própria, o que lhe confere um sabor único. Já o safú que comi em outras paragens, são grandes e carnudos, mas muito insosso e com pouco gosto.

Portanto, caros amigos, preparem o estomago para a época de safú que se avizinha.

Que tal a realização de um festival anual de safú, para homenagearmos este fantástico fruto. Fica a sugestão!

Feliz e Próspero Ano Novo a todos, em especial aos meus estimados leitores.

São Tomé, 30 de Dezembro de 2020

Fernando Simão

    3 comentários

3 comentários

  1. Lima

    1 de Janeiro de 2021 as 7:38

    Pois é de louvar a sua hitorica sobre o safu.Como disse é um fruto que se encontra tambem notros paises nomeadamente o Camaroes.Tenho a dizer-lhe que en Caixao Grande havia um safuzeiro secular que foi matado com veneno porque um estrangeiro comprou a parceira do terreno ao lado entao quiz que essa arvore que eu repito secular entrasse no seu dominio o que os proprietarios vizinhos nao aceitaram .Entao meses depois o safuzeiro morreu.Temos que saber proteger as arbores sobrtudo quando elas teem uma certa idade, como devemos proteger os nossos velhos.Tudo o que é antigo tem um grande valor.Tanto as pessoas como as arvores teem com eles a nossa historia.Entao sejemos vigilantes proibindo a destruicao dos nossos bens que seje por um nacional e ainda menos um estrangeiro.Obrigado por me ter dado a oportunidade de falar desse caso.Mais eu penso que deve haver muito mais casos desses.Se puder e se quiser continuar a escrever sobre o safu va saber o que aconteceu com o safuzeiro denominado”sumetoni” em Caixao Grande. Um bom ano2021 para si e os seus.

  2. Sem assunto

    1 de Janeiro de 2021 as 8:06

    O senhor quer aparecer, só pode ser!
    Pelo sim, pelo não Feliz ano novo.

  3. Inguialdo Santo

    1 de Janeiro de 2021 as 17:36

    Caro Fernando Simão,
    Li a sua publicação e congratulo totalmente com ela. Porém, gostaria de informar que, quanto a proposta de realizar um festival de safú, esta ideia já se realizou várias vezes na localidade de Changra e todas elas decorreram com sucesso.

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