Opinião

Diplomacia Económica?

A diplomacia económica é um tema que tem suscitado muita atenção política nos últimos tempos, com assumpção de um interesse crescente pelos mais variados governos, ganhando cada vez mais espaço no mundo diplomático.

Porém, ao escutar falar da diplomacia económica, nos surge questões como: o que é Diplomacia Económica? Quais são os objetivos? Como se exerce? É uma tarefa exclusiva do Estado através das Embaixadas?

A diplomacia, no seu conceito comum, consiste na condução das relações entre os Estados soberanos e outras entidades, feita por representantes oficiais e através de meios pacíficos (Bayne e Woolcock, 2007). Este é um conceito antigo, tendo sua origem no sistema diplomático italiano de cidades-estado do renascimento, generalizado a partir do século XVII para toda Europa, tornando-se no conceito mundial em meados do século XIX. Neste conceito tradicional, a atividade diplomática concentra-se mais nas questões políticas, deixando de lado ou para segundo plano as questões económicas e/ou comerciais. Com o surgimento de novos actores na esfera económica mundial, como os Estados emergentes e grandes empresas multinacionais, resultado das modificações económicas das últimas décadas, obrigou a que os Estados reorientassem a sua diplomacia estadual (tradicional) para uma diplomacia onde as atividades económicas e comerciais ocupassem um papel importante (diplomacia económica).

Para o efeito, o conteúdo económico da diplomacia vem sendo ampliado, intimando decididamente as estruturas diplomáticas a uma adaptação dinâmica que passa necessariamente pelo enriquecimento de funções e alargamento de objectivos. Apesar de ser um tema fortemente debatido nos últimos anos, não existe uma definição consensual relativo a diplomacia económica, sendo definido por alguns como “a prossecução de objetivos económicos por meios diplomáticos, quer se apoiem, ou não, em instrumentos económicos para os atingir” Guy Carron de la Carrière (1998), ou por outros, Saner e Yiu (2003), que a dividem em duas partes, sendo uma a diplomacia economia propriamente dita, que visa em preocupar-se com questões de política económica, por exemplo, trabalho das delegações em organizações de normalização como a OMC […],  em que os diplomatas económicos monitorizam e relatam políticas económicas em países estrangeiros e dão conselhos ao governo local sobre como melhor aplicá-la). A diplomacia económica emprega recursos económicos, como recompensas ou sanções, na busca de um determinado objetivo de política externa.

E por outro lado, a diplomacia comercial que tem como objectivo, descrever o trabalho das missões diplomáticas em apoio aos setores de negócios e finanças do país de origem, em busca do sucesso económico e do objetivo geral do país para o desenvolvimento nacional, incluindo a promoção do investimento interno e externo, bem como do comércio. Aspectos importantes do trabalho de um diplomata comercial são o fornecimento de informações sobre oportunidades de exportação, investimento, onde, em alguns casos, os diplomatas comerciais promovem laços económicos por meio de assessoria e apoio a empresas nacionais e estrangeiras para decisões de investimento.

Como podemos constatar, apesar da divergência conceptual, ambas definições olham para diplomacia económica como um meio de fazer com que o país atinja (desenvolva) seus objetivos económicos, utilizando os canais diplomáticos (missões diplomáticas) para o efeito. Neste sentido, não seria errado afirmar que a diplomacia económica como veículo de um Estado para atingir os seus objetivos económicos, tem como fim a promoção da  imagem de Estado nas mais diversas áreas económicas, como a promoção do Estado como território preferencial de intenções de investimento no quadro de uma economia internacional, a cultivação e aprofundação das relações com os principais agentes económicos estrangeiros que tenham ou possam vir a ter relações o Estado e o apoio a internacionalização das empresas Nacionais.

Contudo, para que esses objectivos sejam alcançados, é necessário por parte do Estado, um Plano Estratégico devidamente elaborado, e não deixar toda a responsabilidade nas mãos dos diplomatas. As instituições do Estado têm que trabalhar como um só, e as informações têm que circular de forma a que os diplomatas no país estrangeiro possam fazer melhor o seu trabalho, lembre-se que uma das funções do diplomata é informar aquilo que o seu país pode oferecer a nível económico, bem como o ambiente de mercado que o seu país oferece e, por ultimo, aquilo que é a intenção do governo relativo as questões económicas. Neste sentido, é indispensável um trabalho em conjunto entre o Ministério dos Negócios Estrangeiro e o Ministério que tutela a área económica do Estado.

Cabe ressaltar, que atualmente, existem outros actores não estatais na diplomacia económica, como as multinacionais; mas também ONG’s que gerem fundos às vezes muito superiores aos disponíveis para a rede diplomática (Garcia Rebollar, 2010), inclusive os próprios municípios podem exercer uma diplomacia económica, criando alianças regionais com as empresas e as populações, podendo a rede diplomática divulgar nos seminários económicos que organiza ou participa no estrangeiro, os principais contactos de fornecedores por área de interesse, de instituições e/ou de um empresário reconhecido da comunidade, para facilitar a integração.

Como conclusão, podemos afirmar que a diplomacia económica é, sem dúvida, uma ferramenta importante para desenvolvimento económico de um país, atraindo investimento, exportando e internacionalizando o produto nacional. Para ser efectivamente implementada, é necessário que os decisores políticos tenham uma “mente aberta”, sobretudo na hora de elaborar um Plano Estratégico nesse sentido, pois, nos dias actuais, até ao nível distrital, a diplomacia económica pode ser uma janela de oportunidade passível de relacionar cidades de diferentes países com interesses comerciais e turísticos comuns, e que os agentes externos do Estado se sintam motivados, engajados e incluídos nesse Plano Estratégico, não esquecendo nunca a capacitação e especialização dos mesmo.

Portanto, a diplomacia económica deve ser vista como um meio para salvaguardar ou atingir os interesses económicos do Estando, servindo como instrumento de uma política económica externa.

By: Nelson M. Nazaré

Diplomata de Carreira

Mestre em Direito (Ciências Jurídicas)

    2 comentários

2 comentários

  1. Renato Cardodo

    22 de Fevereiro de 2019 as 8:20

    Li na diagonal a narrativa do articulista que felicito e prometo reler para apropriar os conceitos que me fazem imensa falta;embora sou leigo neste campo do saber.
    Porém tenho reservas que as incipientes estruturas diplomáticas sejam pró ativas e acrescente qualquer valor a diplomacia económica.
    Sendo sarcástico ao invés do tal membro do governo dum país amigo que viajava com garrafas de vinho do Porto;talvez viajar—se com nossa ussua….

  2. Alberto de morais

    24 de Fevereiro de 2019 as 16:42

    Mais do mesmo

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