Opinião

Léve-Léve, uma identidade em desmoronamento

Desde a perspectiva antropológica cultural à antropologia filosófica, o léve-léve foi sempre a filosofia de vida que orientava os hábitos e costumes do povo santomense em todas as dimensões das suas vidas, sobretudo a social. No seu arreigado sentido, esta filosofia de vida – o léve-léve, orienta-nos para a serenidade, a sageza e a prudência.

Este princípio se ajustava do lazer ao trabalho, do constituir família à tomada de decisão, do enfrentar um adversário até ao momento de desferir um golpe fatal, como acontece no jogo de cassetetes (bligá). Ainda na perspectiva dos mais velhos do Arquipélago, este princípio, em certo modo, tende a corresponder com a expectativa da justiça.

Pois, todas as acções antes de serem realizadas passavam pelo crivo de um juízo moral – dá cabeça concê. Ademais, no poema de Alda do Espírito Santo, cantado pelo Calu Mendes, o “léve-léve é andar com acerto sem desacerto”.

Nos dias que correm, há uma certa deturpação da compreensão deste princípio, que outrora, regulava a vida das pessoas e, mormente, da convivência social. A título de exemplo, são as atrocidades, barbaridades e injustiças, sabotagem, malícias, corrupção, violência e ganância que tendem a desvanecer a nossa identidade.

Meu povo, ninguém nos roube a serenidade! Ninguém nos roube a paz que nos é conatural! Ninguém nos roube a alegria! São Tomé e Príncipe é conhecido pelo lema Léve-Léve sem Stress. Sim, sem maninhas e sem comportamentos maníacos. Não desdenhemos os nossos valores, que por si só, são a nossa identidade.

No entanto, deixar que se desmoronem os valores próprios de uma sociedade, é desdenhar a sua história; E desdenhar a história de um povo é tirar-lhe a identidade. Pois, desde a concepção à evolução de uma sociedade e de um povo, a história, crenças, hábitos e costumes, línguas e particularmente o mudus vivendi, são factores protuberantes para a compreensão dos mesmos.

Finalmente, para erguermos São Tomé é Príncipe das amaras que que tem estado ao longo dos tempos, é deveras urgentes trabalharmos a transparência, a verdade e justiça. Daí que é que todo o cidadão tenha o dever e a responsabilidade de consubstancializar o governo nesta ingrime tarefa. De contrário, desnortearemos o nosso barco do bom porto.

Aliás, já inferia S. Agostinho “Esquecida a justiça, o que se espera da sociedade senão os grandes latrocínios e desordem…” o que gera constantes instabilidades sociais e as frequentes quedas de governos.

Euclides Neves

    8 comentários

8 comentários

  1. Bartolomeu Dias

    23 de Outubro de 2019 as 14:38

    Bom, na verdade o artigo não deixa de ser mesmo, e apenas um artigo de um “iniciante” de uma visão muito limitada da história real de STP.
    Ha no entanto que se tomar em consideração os vários aspectos dessa mesma reflaxão, pois que na verdade ha que se reflectir sobre os varios aspectos da história, dos habitos e costumes dos povos dessas ilhas. E na verdade, marca do nosso leve-leve, que parece ser secular vai-se esvaindo com o tempo e com as atitudes dos homens e por isso mesmo, vendo para o actual corpo do Governo de STP, não me contenho sem produzir algumas observações;
    – Na verdade temos ha cerca de 10 meses um novo Governo em STP. Um Governo humilde, dialogante e democrático, que pauta a sua conduta pela transparência, que garante as liberdades dentre elas a liberdade de imprensa e felizmente no meu S.Tomé e Principe a “bufaria” diminuiu significativamente. Todavia, continuo a dizer que este Governo liderado por JBL tem no seu seio tres ou quatro ministros que até a presente data não se revelaram, ou seja, não conseguem dar conta do recado ou seja, são mesmo fracos.
    E é justamente ai, onde essa marca do leve-leve continua a ser prejudicial ao país, porque há momentos em que essa marca historico-cultural do leve-leve deve ser substituído por ligeireza, porque senão esse mesmo leve-leve nos enterrará a todos.
    Em resumo, aproveito a publicação deste artigo para pedir ao mau país para ser mais país à medida de um mundo onde a competência se exige.

  2. Zé de Neves

    23 de Outubro de 2019 as 16:02

    Tendo a discordar da sua opinião.
    O leve-leve é socialmente paralisante.
    É uma morfina social que tem dado para manter uma casa onde falta tudo e ninguém é responsável por nada.
    Tudo passa a ser aceitável nas relações humanas: um atraso, um compromisso quebrado, um incumprimento… e, no limite e mais revoltante, a falta de palavra de honra. Justificado, claro está, com um leve-leve.

    Há momentos na vida, no trabalho e em sociedade em que se poderá ser tudo menos leve-leve. Algum carácter forte para se determinar uma fronteira clara entre o que é aceitável e
    o que não o é. No dia-a-dia, no trabalho, nas relações familiares

  3. Rodrigues Matos

    23 de Outubro de 2019 as 18:40

    “léve-léve não é sabotagem nem malandragem”
    “é andar com passos certos para conhecer felicidade”
    (Kalu Mendes)
    O “léve-léve”,é a identidade de uma Nação Soberana. Portanto cabe a cada um de nos saber salvaguardar os seus princípios originais.

  4. Generosa

    23 de Outubro de 2019 as 21:16

    Minha gente como é possivel. Só em Sao Tome um funcionario do Tribunal de Contas fazer reportagem do caso dos Anda Pligos. Nao é admissivel Arlete Zeferino, funcionaria do Tribunal de Contas vestir a camisola de reporter quando a funçao que ocupa nao lhe permite. Senhir Presidente do Tribunal de Contas qual vai ser a sua posiçao sobre isto.

  5. Hyley Nascimento

    23 de Outubro de 2019 as 22:37

    Boa reflexão
    Surge num momento profícuo em que somos deveras alertados para afirmação e conservação da nossa identidade cultural como um meio de afirmação social/nacional.
    Parabéns por alertar as pessoas jurídicas coletivas e civis a este valor tão peculiar que é a nossa identidade/a nossa história.

  6. Pascoal Carvalho

    24 de Outubro de 2019 as 14:27

    Absolutamente em queda livre, apenas a acrescento.

  7. Professor

    26 de Outubro de 2019 as 9:58

    Este textinho está ao nível de uma redacção da escola primária, aqui e ali com umas palavras “caras” perfeitamente inúteis.
    Ligação entre ideias muito confusa e ilógica, quase irracional.
    O autor sabe para que serve uma vírgula, um ponto final ou um parágrafo?
    Em suma, um textinho irrelevante, uma pura perda de tempo.
    Reprovado!

  8. Barão de Água Izé

    30 de Outubro de 2019 as 14:10

    A vida do povo não é leve-leve, pelo contrário é bem pesada. Bem dito, é tal qual uma morfina que impede o povo de exigir outra vida, como se o leve-leve da pobreza fosse normal e aceitável.

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