Opinião

ASTRAZENECA – A polémica que durou pouco tempo

Precisamente no dia em que se inaugurou a Campanha de vacinação contra Covid 19 em São Tomé e Príncipe, utilizando a AstraZeneca, surge a notícia de que Portugal suspendeu a aplicação da referida vacina, como precaução devido os alegados efeitos colaterais em algumas pessoas que tomaram o fármaco inoculador.

Na verdade, essa suspensão já havia acontecido em muitos Países, mas aqui em São Tomé e Príncipe a preocupação começou a surgir sobre os supostos efeitos da vacina, depois do anúncio de Portugal, seguido da intensidade e o impacto das notícias na imprensa portuguesa que consumimos muito aqui no Pais.

De imediato começaram a surgir críticas dos conhecidos comentadores das redes sociais no sentido de críticas ao Governo são-tomense por não suspender também a aplicação da vacina. O único argumento desses comentadores baseava-se apenas na tese de que devíamos seguir o exemplo dos Países que tomaram essa decisão.

Por estranho que pareça o ADI, o maior Partido da oposição embarcou nesses rumores infundados. Sem consultar o Governo, e sem nenhum argumento plausível, baseando apenas nas redes sociais, publicou um comunicado a exigir a suspensão da aplicação da vacina. Mais uma vez o ADI comportou-se como um Partido irresponsável, qualidades que já nos habituou.

Importa referir que em todo o mundo mais de 17 milhões de pessoas já tomaram a vacina AstraZeneca e até agora só houve cerca de 40 casos de pessoas que sofreram efeitos colaterais. Alias, mesmo esses casos, não foram ainda comprovados que têm ligação com a vacina.

É sabido que todos os medicamentos produzem o efeito que se pretende mas também em alguns casos, tem efeitos secundários. Portanto, isto é absolutamente normal. Sendo assim, não se compreende tanto pânico.

Tanto a OMS como outras entidades científicas, confirmam que a vacina AstraZeneca é segura e eficaz e deve ser aconselhada a seu uso a toda a população.

Em São Tomé e Príncipe, embora a Campanha esteja a decorrer normalmente, essa noticia provavelmente alimentada pelos negacionistas das vacinas contra a Covid 19, teve algum impacto negativo na população. É claro que ainda estamos na primeira fase da Campanha destinada a grupos prioritários cujo número da população não é grande. Vamos esperar as próximas fases da Campanha, sabendo que, as Autoridades nacionais estimam imunizar 70% da população são-tomense até ao fim do processo.

Entretanto, enquanto elaborava este artigo, surge a noticia de que Portugal e outros Países da Europa (Espanha, Alemanha, França, Suécia, e Itália, entre outros, que tinham suspendido a vacina, vão retomaram de imediato o seu uso, porque a Agencia Europeia do Medicamento – EMA, confirma que a vacina é segura e que os casos de coágulos detetados não estão associados a mesma.

Portanto, as Autoridades são-tomenses fizeram muito bem em não suspender a Campanha devido apenas a rumores sem nenhum fundamento nem confirmação científica de que a vacina é duvidosa, só porque alguns Países o fizeram, tendo as Autoridades garantias expressas da OMS e a comunidade científica.

Por outro lado, sendo a AstraZeneca a única vacina de que o Pais dispõe neste momento, no meu entender, a sua suspensão provocaria problemas de atraso da programação que não seria nada aconselhável nesta etapa crítica do desenvolvimento da pandemia no Pais.

No meio de toda essa polémica, suponho que estamos perante mais uma guerra comercial/política dos grandes. Por isso é que os Governantes, sobretudo dos Países de poucos recursos como o nosso, devem ponderar e ser mais cautelosos nas decisões que tomam nessas circunstâncias e não envolverem-se em querelas que não nos dizem respeito. Entre rumores da imprensa e aconselhamento científico, deve-se sempre optar nas informações provenientes de fontes credíveis da comunidade científica. Na verdade essas Instituições sempre afirmaram que a vacina AstraZeneca é segura.

Uma vez esclarecida a confusão, esperemos que, a campanha de vacinação contra Covid 19 em São Tomé e Príncipe siga o seu curso normal, com os resultados que se espera.

São Tomé, 19 de Março de 2021

Fernando Simão

    11 comentários

11 comentários

  1. Sem assunto

    20 de Março de 2021 as 4:20

    Tomamos a boa nota, senhor, Relações Públicas do governo.
    Por quem o senhor nos toma? Acredita mesmo de que existe condições para pôr fé nas palavras destes organismos internacionais?
    Fiquemos de bituca ligada, é o melhor remédio.

  2. HM

    20 de Março de 2021 as 5:33

    Desconhecidos os efeitos secundários ao longo prazo.

    • Matabala

      20 de Março de 2021 as 19:14

      Pois bem cidadão. Esse é também meu receio

  3. ze Maria Cardoso

    20 de Março de 2021 as 6:03

    O seu cabelo branco, oportuno e conciso na matéria, roubou as palavras ao ministro da saúde são-tomense. Ontem, o Primeiro-ministro francês, Jean Castex, ao exemplo dos demais lideres mundiais, veio reanimar a campanha de vacinação ao receber a pica de AstraZeneca. Obrigado.

  4. SEMPRE AMIGO

    20 de Março de 2021 as 11:00

    Senhor FERNANDO SIMÃO!Converçando com alguém sobre a ligeireza da sua caneta e a clareza das suas exposições, disse-me que se

    o seu talento com a escrita resulta de uma herança familiar, que o seu pai também brilhava com a caneta.Eu subscrevo inteiramente esta sua explanação sobre a problemática da vacinação covil-19.Tudo bem! Mas,meus caros amigos,o que estamos ouvindo e assistindo sobre a ofensiva contra a covil-19,no mundo em geral e emSTP em particular, fica-se com a impressão que estamos a lutar ao mesmo tempo contra dois inimigos mortais: a pandemia e o pandemónio.Ainda não estamos no país devidamente conscienssalizados e muito menos mobilizados para enfrentar um inimigo de tamanha envergadura.Nenhum país do mundo ganha uma guerra sem unir com a sociedade.Aproveitar a situação actual em que o país se encontra á cata de dividendos políticos é CRIME. UNIDOS VENCEREMOS,nas condições actuais de uma guerra contra um inimigo invisível, será obrigatoriamente o nosso hino nacional

  5. Credo

    20 de Março de 2021 as 12:23

    O Abel Veiga não públicas as notícias sobre a polémica da criança vítima de abuso sexual que o médico recusa fazer exame?
    Esse assunto de abuso sexual pelos vistos não é importante para o país…

  6. Andorinha

    20 de Março de 2021 as 16:40

    Os comissários e Ponta de lança do MLSTP nas redes sociais não brincam em serviço quando o ADI se pronuncia ou os camaradas olham a imagem do governo beliscado vem logo com esses artigos que serve só e unicamente para criticar o ADI.
    Ah porque o ADI comportou-se como um partido irresponsável então os mais de uma dezena de Países Europeus desenvolvidos que suspenderam esta vacina é são todos irresponsável? Senhor e o MLSTP só que são responsáveis vocês andam a 45 anos a defender os vossos partidos por isso S.tomé esta assim desgraçado e pedintes crônicos.

  7. Matabala

    20 de Março de 2021 as 19:13

    Caro cidadão, na minha opinião mais valia na altura prevenir que remediar. Se vários países (e foram muitos além de Portugal) decidiram dessa forma na altura, achava normal que São Tomé tivesse feito o mesmo… não fizeram e tiveram sorte na decisão tomada. Apenas isso. Fica mal a meu ver tomar como vitória ou sucesso a atitude/posição por parte do Governo (até parece pelo seu texto que sabiam mais e melhor que todos os outros Governos que suspenderam ) pois também essa decisão de não suspensão careceu de fundamentação científica. A arrogância não fica bem, sobretudo quando assenta na ignorância pois ninguém nessa altura sabia que decisão a OMS iria acabar por tomar. Tiveram/tivemos todos sorte…o resto é falácia. Sigamos em frente e continuemos com a vacinação…

  8. Pascoal Carvalho

    21 de Março de 2021 as 18:28

    com muita pena o COVID-19 tem feito diferentes vitimas.
    Umas são fruto consequente da própria infeção, outros vitima indireta da doença com desemprego baixas do rendimento, depressões, angustias, suicídios, homicídios , etc outras por perdas irreparáveis com o desaparecimento físico dos seus ante queridos.
    Quanto ao resto, só especulações, avanços e recuos, dramas, receios, incertezas, desleixo, contestações etc.
    Pena o ADI ter embarcado nessa tumultuosa onda, louvado o governo não ter acompanhado tais polémicas.
    Agora no que toca ao futuro, só ele mesmo para dissipar as duvidas e receios.

  9. vacinas feitas a pressa para uma doença enigmática e perigosa

    21 de Março de 2021 as 19:16

    Caro amigo vc é do grupo de risco devido as 6 décadas e 0,5 que já pesam de passagem neste planeta irmão de Marte. cuida-te e evita as picadas de injecções de vacinas fabricadas a pressa, porque na tua idade as picadas pode mesmo dar-te uma trombose ligeira e andares por ai a maldizer dos médicos. Fica sossegado…

  10. Ralph

    22 de Março de 2021 as 5:01

    Em relação a este assunto, todos os países que suspenderam a implementação da vacina AstraZeneca agiram com demasiada pressa, sendo provado subsequentemente que as coagulações de sangue não foram, de facto, causadas pela vacina. Por isso, a vacina AstraZeneca parece ser tão segura como as outras opções mais eficazes (a Pfizer e a Moderna). Segundo a pesquisa médica que já li, a eficácia da vacina AstraZeneca é dos 81% quando a segunda dose for tomada 3 meses após a primeira dose. Se a 2ª dose for tomada apenas 6 semanas ou menos depois a primeira, a eficácia é pior (pelos 55%). Para mim, ficaria feliz por tomar a vacina AstraZeneca porque todos nós queremos que a pandemia acabe tão cedo quanto possível.

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