-Independência e o Peso do Tempo nas Infraestruturas Deixadas pelos Colonos, 50 Anos Depois Neste 12 de Julho, celebramos mais um ano de independência.
Um marco histórico que trouxe consigo a esperança de autodeterminação, progresso e desenvolvimento para o nosso povo. Contudo, passados quase 50 anos, somos forçados a fazer uma reflexão sincera: o que realmente conquistámos com a independência? E, mais importante ainda, porque é que muitos dos símbolos da presença colonial resistem melhor ao tempo do que as estruturas erguidas por nós mesmos?
Em 1915, os portugueses construíram o Hospital Ayres de Menezes em São Tomé e, no mesmo período, também realizaram obras de infraestrutura em Portugal, como hospitais e ramais ferroviários. Hospital Ayres de Menezes, São Tomé O Hospital Ayres de Menezes foi construído durante a administração colonial portuguesa e inaugurado em 1915 (Imagem 1) Hospital Infante D. Pedro, Aveiro A Santa Casa da Misericórdia de Aveiro iniciou a construção de vários blocos do hospital entre 1901 e 1915. (Imagem 2) Hoje, esses hospitais e caminhos-de-ferro em Portugal permanecem funcionais, modernizados e em pleno uso. Em contraste, o Hospital Ayres de Menezes apresenta sinais de degradação profunda, paredes a cair, equipamentos obsoletos e uma estrutura em ruínas. O caso do caminho-de-ferro é ainda mais simbólico.

Construído em 1913, ligando a cidade de São Tomé à Trindade, e estendido até Milagrosa em 1924, o caminho-de-ferro desapareceu completamente. Nem vestígios restaram. Em Portugal, no entanto, muitas das linhas construídas naquela época continuam ativas, transportando pessoas e mercadorias todos os dias.
CAMINHOS‑DE‑FERRO em São Tomé e Príncipe
O Caminho‑de‑Ferro de São Tomé, linha pública que ligava São Tomé a Trinidade, foi inaugurado em 3 de junho de 1913, com extensão até Milagrosa em 1924. (Imagem 3) Em Portugal A primeira linha de caminho‑de‑ferro foi Lisboa–Carregado, inaugurada em 28 de outubro de 1856. A Linha do Norte (Lisboa–Porto), completada com a ponte Maria Pia, foi inaugurada em 4 de novembro de 1877 (Imagem 4) Existe coincidência aproximada: em 1924–1928, ambos os países registaram obras ferroviárias, extensão até Milagrosa em 1924, e o ramal até Tomar em 1928. Contudo, não é exatamente no mesmo ano. Não há coincidência exata ano a ano.
A pergunta que muitos evitam fazer, mas que precisa ser enfrentada, é: Porque é que Portugal conseguiu preservar e modernizar o seu património histórico e nós não? Será apenas uma questão de falta de recursos? Ou será que enfrentamos um problema mais profundo de liderança e manutenção? É verdade que São Tomé e Príncipe já teve vários líderes eleitos democraticamente. No entanto, a rotatividade de rostos não garante a mudança de mentalidade.
Temos visto administrações que ignoram a importância da manutenção preventiva, da preservação histórica e do investimento sério em infraestruturas de saúde, educação e transporte. Em Portugal, mesmo num contexto económico difícil, há um sistema que valoriza a continuidade, a conservação e a responsabilidade intergeracional. Existe uma consciência nacional de que o património público não pertence a um governo, mas ao povo.
Em São Tomé, muitas vezes parece que cada governo começa do zero, abandona o que foi feito anteriormente e entrega à próxima geração não legados, mas ruínas. A independência deve ser celebrada, sim.
Mas também deve ser repensada. Porque a verdadeira independência não se mede apenas pelo afastamento do domínio colonial mede-se pela capacidade de governar com visão, cuidar com zelo e construir com responsabilidade.
Neste 12 de Julho, que este seja mais do que um feriado. Que seja um momento de despertar. De exigir mais dos nossos líderes, e mais de nós mesmos.
Por Edmar Machado

António Nilson
9 de Julho de 2025 at 2:40
Oi Edmar,
O senhor ainda está muito verde.
Gostaria de expressar a minha profunda preocupação com o estado atual de São Tomé e Príncipe e acredito que uma discussão mais aprofundada seja necessária.
Sua perspectiva parece carecer de uma compreensão crítica do impacto histórico e contínuo do colonialismo e do neocolonialismo em nossa nação. O legado do domínio português em Angola, e de fato em toda a África, é de profundos danos sobretudo nos países onde Portugal e França colonizaram – exploração económica, instabilidade política e a supressão sistemática de lideranças capazes. A instabilidade resultante permitiu a corrupção generalizada, facilitada por atores externos e elites internas cúmplices. Essa corrupção sistêmica, envolvendo figuras que todos sabemos (Trovoadas, Pinto Costa, Rafael Branco, Guilherme Posser, Fradique de Menezes, e outros cães como o Gabdulo e outros bandidos gatunos corruptos ladrões), não é simplesmente uma questão de ganância individual; é um sintoma de um problema muito mais profundo.
A presença contínua de indivíduos no poder por cinquenta anos, impedindo ativamente o progresso e enriquecendo-se às custas de nossa nação, representa uma profunda falha de governança. A falta de investimento em infraestrutura essencial, como assistência médica adequada e um sistema ferroviário funcional, é uma consequência direta dessa corrupção sistêmica e da falha em priorizar as necessidades do nosso povo.
Embora eu compreenda a sua frustração, defender a violência ou uma segunda “independência” pela força não é uma solução viável ou construtiva. Tais ações correm o risco de gerar mais instabilidade e derramamento de sangue. Uma abordagem mais eficaz exige uma estratégia multifacetada com foco em:
– Transparência e responsabilização: Devemos exigir maior transparência nos gastos públicos e responsabilizar os responsáveis pela corrupção. Isso requer o fortalecimento das instituições, a promoção da boa governança e o apoio ativo a órgãos de supervisão independentes.
– Engajamento cívico: Precisamos de participação cívica ativa e informada para responsabilizar nossos líderes e exigir uma melhor governança. Isso requer o empoderamento das organizações da sociedade civil e o fomento de uma cultura de transparência e diálogo.
– Cooperação internacional: Precisamos buscar apoio de organizações internacionais e aliados para combater a corrupção e promover o desenvolvimento sustentável. Isso deve envolver mecanismos transparentes de ajuda e investimento para garantir que os fundos cheguem aos seus alvos.
Peço que o senhor considere estes pontos. Os problemas que São Tomé e Príncipe enfrenta são complexos e sua solução requer uma abordagem estratégica e diferenciada. Vamos nos envolver em um diálogo construtivo com o objetivo de encontrar soluções que priorizem o bem-estar do nosso povo e o futuro da nossa nação.
Zé Cangolo
9 de Julho de 2025 at 9:37
Comparando o comparacel…
A facilidade intelectual, leva-nos a comparar osbefeitos sem interrogarmos asbcausas.
Hoje, 50 anos passados é de bom tom termos uma nostalgia dos tempos coloniais. Como se o escravo quisesse voltar as plantacões pelo amor ao chicote simplesmente por ter a certeza de ter o teto da sanzala na cabeça e a tijela de fuba depois de 15 horas de labor diário.
Por amor de Deus, comparemos o comparavel.
1. As infrastruturas coloniais : a zona comninfrastruturas basicas eram destinadas aos colonos. Ex a cidade capital, as casas grandes das rocas. Onde viviam os nativos tinham zero infrastructuras excepção feita asbestradas quebligavam as rocas a capital paravevacuar a materia prima, e não para beneficiar toda a população. Onde viviam os nativos as casas eram e ainda é de madeira improvisada, sem nenhum saneamento.
Caminhos de ferros : obcaminho de ferro em são Tomé não era para transporte de pessoas. Simplesmente era destinado para evacuar as materias primas.
Os hospitais : não foram construídos a pensar no bem estar dos são tomenses. Mas sim derivado do boycote pelos ingleses do cacau de são Tomé pela pratica de trabalho escravo apezar da abolição da escravatura então os colonos tinham que fazer os hospitais, escolas…para os “ingeses verem” para os colonos fugirem o boycote.
Hohe é facil dizer ” tempo de branco era melhor” mas esquecemos que o preço do cacau era e é estabelecido nas bolsas de materia prima no ocidende, e os preços eram mais altos na era colonial, para punirem os paises africanos pela independência, baixaram artificialmente o preço internacional de cacau e outros produtos.
Como podemos falar da decadécia da exonomia de são Tomé sem nem se quer mensionar o Banco Mundial e FMI, essas armas de criação de pobreza em massa. Quem pode esquecer a politica de reajustamento extrutural que nos foi imposta a privatização do nosso aparelho productivo. Que nos foi imposta o encerramento dos nossos hospitais, a precarização das nossas escolas.
Muito me extranha os intelectuais actuais nostalgicos da colonização, mas que vivem na neo colonização e nem se apercebe que é um colonisado, que é um escravo sem correntes. Os nossos dirigentes são corruptos, claro! Mas quem se esqueceu que apos a colonização contava se nos dedos os quadros licenciados ? Que mais de 80% da população não sabia nem ler nem escrever?
O nosso pessimismo leva o nosso pais estar como está. Toda gente so critica. Ninguém ve factos positivos. Que de uma população com 80% da população analfabeta a 50 anos, hoje temos universidades que formam varios quadros em diversas áreas. Que hoje nao so exportamos cacau mas produzimos chocolate. Parabens CECAB.
Portugal paralem do dinheiro herdado da escravatura e colonialismo, beneficia de fundos europeus, e outras facilidades que não temos. Cada passaro contenta com sua asa. Vamos mais é continuar a trabalhar, porque ninguém impede-te dê criar comércio îndustria… ja que és melhor que os dirigentes, prova o que ja fizestes para criar riquezas em São Tomé.
Por fim vou parafrasear Sir Marcus Garvey e Bob Marley, “libera te da mentalidade de escravo”.