O senhor primeiro ministro Américo Ramos é um homem bom, um patriota, pessoa de fortes convicções e de boas intenções. A conjugação destas características num governante é benéfico para a nação, porém tendem a ser explorados por malfeitores, e é precisamente isto que estamos prestes a assistir.
A convocação da paralisação geral do pessoal docente e não docente afetos a universidade pública, marcada para o dia 6 de Abril, é um claro exemplo do acima referido.
Tenho serias dúvidas que haveria um envolvimento claro e efetivo do governo na pessoa do senhor primeiro-ministro se soubesse que a razão principal desta falsa-greve centra se no concurso público, aberto há 2 anos, promovido pela reitoria que pela primeira vez, nos 30 anos da abertura do ensino superior no nosso país, abriu vagas para Professores em números largos, atitude que assustou os fundadores. Tenho , também, dúvidas do real envolvimento do senhor primeiro-ministro, ou de alguém do seu elenco, se tivessem informações que os verdadeiros mentores desta agitação são os Professores já reformados. Que legitimidade, que moral, têm os reformados para fazerem greve? Não se deixem enganar os ,rapazes, jovens que dão a cara, na pessoa de Homildo Fortes, Dossavi Freitas entre outros são meras marionetas.
Continuo a ter dúvidas se houvesse o empenho e o zelo do governo se fossem informados que o terceiro grande objetivo desta empreitada é o de assaltar a atual direção antes que a mesma efetive a entrada de novos docentes admitidos no concurso público, pois o intuito é de inviabilizar a ação.
Alegam sobre a questão da politica monetária como um dos pontos da greve. Aceita se. A pergunta que não quer calar é: que culpa tem a atual direção da reitoria se a politica monetária vem desde o tempo da extinta ISP(Instituto Superior Politécnico) substituída pela USTP(Universidade de São Tomé e Príncipe) há mais de 10 anos? De referir que o antigo reitor, pessoa com simplesmente o grau de mestrado, o auto denominado patrono do ensino superior em São Tomé, Peregrino Costa, hoje na posição de mentor-mor do motim , entenda se greve, foi chefe máximo do organismo entre 2019-2023, sem nada ter feito para a respeito.
A outra questão que não quer calar é: O que poderá fazer a reitoria se a reforma é para todos sem exceção? O que mais poderá querer os reformados se o tempo não perdoa ninguém e a lei da reforma é transversal e para todos ? Sabe se que a maior frustração, dos verdadeiros cérebros desta greve, reside no facto de muitos terem chegado, a idade máxima tolerável no aparelho de estado como funcionário, mantendo o desejo de continuar em plenas funções em desrespeito a lei da administração pública. É de realçar que o atual estatuto compensa os professores reformados com 8 horas de lecionação por semana. Horas estas que adicionadas à pensão, embora pequena, reconhece se perfaz uma renda aceitável para alguém já na velhice dentro dos nossos padrões de vida.
Que culpas podem ser atribuídas a atual reitoria se as antigas administrações descuidaram propositadamente no essencial: a composição de um corpo docente sólido capaz de pensar, criar, dinamizar novos paradigmas e novos dinamismos científicos, e ser hoje imperativo contratar novos professores para o pessoal do quadro docente em quantidade elevada para compensar o vácuo deixado pelas antigas chefias? O porquê de tanto ódio, tanta revolta?
Em continuidade da questão acima colocada, que culpa pode ter a reitoria se a mesma contou com a abertura e sensibilidade do anterior governo que engajou na causa, entendendo de pronto que a ciência é desenvolvimento, e abriu caminho para a democratização do sistema?
Olhando para os dois lados, percebe se logo que a reitoria, na pessoa da reitora, envaideceu se, deixou se facilitar, tornando se cada vez menos comunicativa, feixando se a quatro chaves na casa pré fabricada, transformada em escritório de uma reitoria da universidade , e por excesso de confiança subestimou os revoltosos, que unidos para amordaça-la hoje a tem na mesa como iguaria preferida prestes a devorar. Enfim!
Este pedido de demissão é deveras desafiante para o XIX governo constitucional, pois coloca o num verdadeiro dilema quase que existencial, que presume se ser o último antes das eleições de outubro. Dele perceberemos a real visão, a real intenção deste elenco para o ensino superior nas ilhas. Que o governo entenda de uma vez por todas: este exercício trata se de um ato de desespero de pessoas que na sua maioria vêm desde 1996 liderando o ensino superior em São Tomé e Príncipe sem grandes ambições e sem grandes êxitos, em contraste com o dinamismo a força de vontade e querer, pese embora com algumas falhas, de uma jovem académica e do seu elenco que ousou fazer a diferença e pela primeira vez lançou o desafio a todos os intervenientes na universidade para juntos pensarem em ciência, conhecimento , valores, e no equilíbrio do sistema, e não no monopólio do ensino superior como era da praxe dos Peregrinos, dos Lúcios Pintos, das Nazarés Ceitas, das Alziras Xavieres e companhia limitada, aonde o pensamento exclusivo era lecionar por lecionar, horas e mais horas sem compromisso com a mudança e a transformação, a investigação e a ciência eram tabus e só os afilhados eram recrutados para o quadro do pessoal docente.
Entre demitir por pressão, dos ressabiados, a magnifica reitora da universidade pública de São Tomé e Príncipe, a senhora Eurídice Aguiar, abrindo caminho e precedentes para a restauração de velhos hábitos nocivos a ciência e a formação de novos quadros, e pautar pela continuidade da reitora, acompanhando o seu trabalho de perto, trabalhando com a mesma para a melhoria da sua performance, rumo ao desejável a escolha é sua, senhor primeiro-ministro, pois pese embora não pareça é o futuro do país que está em causa, ou não trata se da educação nas vestes do ensino superior.
Luís Costa Andrade.