Opinião

O silêncio das lideranças marionetes africanas perante a selvageria dos sul-sfricanos

Por: Bacar Camará, Jornalista & Docente

A África do Sul, outrora símbolo da luta contra a opressão racial e berço do pan-africanismo, transformou-se,  agora, no palco de uma das maiores contradições do nosso tempo. Enquanto o mundo vê o fim do Apartheid como uma vitória, assistimos hoje, duma forma entrestecida  onda de violência xenófoba na África do Sul contra os irmãos negros que tanto sofreram com Apartheid.

E o pior de tudo, diante de massacre de irmãos negros, oriundos de Moçambique, Zimbabwe, Malawi, Nigéria , Gana, e outros países, as lideranças africanas optam por um silêncio total, revelando-se meras marionetes de interesses que nada têm a ver com os seus cidadãos.

Não se trata de violências isoladas. Os ataques xenófobos na África do Sul são sistemáticos, e, o que é mais grave, contam com a conivência tácita do Estado de África do Sul. Além disso, a inércia das forças de segurança e as declarações ambíguas do Presidente Cyril Ramaphosa que abre o caminho a estes atos hediondos.

O governo sul-africano é cúmplice de toda esta situação, ou seja, principal patrocinador de toda esta violência, e finge desviar o foco da verdadeira questão.  A perseguição deliberada a estrangeiros, alimentada por um discurso ultranacionalista que culpa o migrante pelos males económicos do país é totalmente falso.

Este silêncio repugnante das nossas lideranças, desde a União Africana até aos governos nacionais, não é apenas uma falha diplomática, é uma incapacidade nítida de governar com visão de futuro. Falhar na proteção dos cidadãos africanos nos seus solos é abdicar da soberania e do princípio basilar da nossa unidade.

Como é possível que os governos se calem enquanto os seus cidadãos são assassinados, espancados e humilhados na África Sul sem quaisquer motivos, tendo os seus bens saqueados sob olhar dos líderes falhados africanos?

É chegada a hora de os próprios povos africanos se levantarem contra estas lideranças que se curvam perante o ocidente. A passividade diante da barbárie é um atestado de incompetência. Urge que os povos africanos tomem medidas concretas e imediatas.

Não podemos contentar-nos com meros comunicados de pesar. É imperativo que se convoquem os embaixadores sul-africanos para consultas e que se exija o regresso imediato de todos os nossos diplomatas sediados na África do Sul, como forma de protesto veemente.

Isolar diplomaticamente a África do Sul é o primeiro passo para mostrar que o continente não tolera a violência contra os seus cidadãos.

A verdade é dura, mas precisa ser dita: a África do Sul, neste contexto, transforma-se numa ameaça séria à Unidade Africana. Pois, enquanto a liderança sul-africana não demonstrar firmeza para punir os actores desta violência, o país deve ser tratado como pária no seio da família continental.

O silêncio dos líderes africanos é cúmplice da selvajaria, e é nosso dever, como cidadãos, denunciarem esta covardia.

A África precisa de líderes com audácia, não de marionetes ao serviço do ocidente. Ou agimos agora, ou seremos eternamente coniventes com esta selvajaria sul-africanas.

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