Mais de duas décadas de histórias

Hoje o Téla Nón convida-te a saber mais sobre o quotidiano do maior viveiro de futebol santomense, Academia de Futebol de São Tomé e Príncipe, onde as dificuldades, os projectos e os sonhos são revelados nesta reportagem.

Chegamos ao “quartel” dos miúdos quando eram 15h00. E com muito respeito por parte do responsável, Gustavo Clemente, fomos convidados para assentar no último degrau das“obsoletas” bancadas do Centro de Estagio da Federação para a nossa conversa.

Em seguida, indagámos. Como tem sido o dia-a-dia da escola e quais são as dificuldades?

Gustavo (sorridente) respondeu “é uma honra para nós, receber-vos aqui no nosso humilde centro. É uma alegria sempre, mas sempre mesmo, receber à visita de um órgão de comunicação social, neste caso, o Télanón.

Quanto a vossa pergunta, o nossodia-a-diatem sido de muita luta e sacrifício. Nesta altura estamos com o projecto de desenvolvimento do jogador santomense, que visa potenciar o jovem jogador e aspirar a colocaçãode um ou outro numa grande equipa ao nível mundial”.

Não obstante daquilo que já frisaste, nesta altura o que figura como o mais importante para a vossa academia?

“O mais relevante para nós nesta altura,é alterar a tendência que se instalou no futebol santomense”.

Qual é essa tendência?

“É a abnegação total no investimento ao nível do futebol e do desporto. Isso só faz com que o país em vez de aproveitar o que tem como potencial humano se atrasa ainda mais”.

O que o futebol poderá representar para o país ou mesmo para as famílias, se for bem explorado?

“Hoje em dia, o futebol representa uma fonte de renda para muitas famílias no mundo e queremos fazer com que possa também ser para a família santomense”.

Esta tarefa não tem sido fácil, sublinhou Clemente, revelando que para a manutenção da academia, têm gasto no mínimo anualmente 14 mil dólares (300milhões de dobras), despesa que foi minimizada nos últimos dois anos com a verba arrecadadado patrocíniocom a operadora de telecomunicação UNITEL.

“Felizmente nos últimos dois anos conseguimos cobrir 30% dogasto e com o trabalho de formação dos miúdos que residem fora da capital, graça ao protocolo de cooperação rubricado com a UNITEL. Serviu também para assegurar o acompanhamento escolar, uma vez que estamos a falar de um projecto que não está somente virado para a dimensão futebolística, mas também social”.

Para além destas preocupações, o centro tem-se ocupado com a inclusão social da rapaziada, fazendo o acompanhamento escolar dos mesmos, comprando os materiais e pagando passe para transporte escolar.

Quanto aos pais e encarregado de educação, Gustavo sublinhou que é preciso proporcioná-los e toda a sociedade um projecto educativo visando alavancar a cultura desportiva, que lhes permitem percebero bem que o desporto faz numa sociedade, não só no aspecto lúdico, criativo e desportivo,mas também na saúde mental, equilíbrio e ajuda enaltecer a capacidade intelectual dos seus educandos.

A tarefa não tem sido fácil, começou por dizer, mas alguns pais já começaram a perceber a valia da formação e tem trazido os seus filhos.

Neste momento estão em formação no centro mais de duas centenas de miúdos, desde os iniciados até o sénior, pontualizou-o.

“O número é grande. Por isso precisamos de mais treinadores para colaborar no projecto. A academia é mista”.

Qual o apelo que fazes nesta ponta final da nossa conversa?

“O apelo que faço é para os pais encorajarem as suas meninas desde os cinco anos, para buscarem a escola e receberem a sua parte de formação desportiva e intelectual. Também espero que toda a sociedade possa entender o nosso projecto”- salientou o responsável.

Já no final fomos convidados para assistir um pouco de treino (20 minutos), lá do “camarote” do Centro, onde ficamos encantados com a qualidade técnica desses futuros representantes nacionais.

O nosso fotógrafo pasmo confidenciou: “eu não sabia que em STP pudessem existir miúdos com estas qualidades, estou estupefacto. Vou colocar o meu filho neste centro”.

Em seguida agradecemos pela cortesia que teve em nos receber, e desejamo-lo tudo de bom, na promessa de poder regressar no futuro próximo.

A academia que completa no mês de Dezembro do ano em curso,23 anos, tem às suas portas abertas de segunda a domingo.

Gil Vaz

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    Alberto Helder Responder

    Parabéns a Gustave Clement, meu nobre amigo, que consegue fazer omoletes quase sem ovos! A pequenada santomense direi que, se se aplicar na aprendizagem que lhe é colocada à disposição, poderá, em breve, ver uma saída para um futuro mais risonho, optando pela carreira de futebolista profissional. Professor qualificado não lhes falta. Abração a todo o povo de São Tomé e Príncipe que muito admiro e muito me ajudou a crescer. Saudações de amizade, apreço e respeito. Alberto Helder

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