A visão ESTRATÉGICA de Cabo Verde na cooperação com São Tomé e Príncipe

jose-maria-neves.jpgO reforço da cooperação bilateral entre São Tomé e Príncipe e Cabo Verde marcado pela assinatura de dois acordos entre os dois estados, e mais um acordo empresarial, no fecho da visita de 5 dias do Primeiro-ministro cabo-verdiano José Maria Neves a São Tomé e Príncipe, prova que Cabo Verde tem uma visão estratégica sustentada para o desenvolvimento da sua economia, e com benefícios directos para São Tomé e Príncipe.

Não é uma visão estratégica que alimenta apenas os discursos políticos. É uma visão estratégica sustentada, com cabeça tronco e membros. O Primeiro-ministro cabo-verdiano José Maria Neves, que anunciou recentemente a prioridade estratégica do seu governo em transformar Cabo Verde num centro de prestação de serviços na África Ocidental, para além de promover acções concertadas na sub-região da África Ocidental, na Europa e na América, veio a São Tomé e Príncipe lançar as sementes que deverão alimentar também a visão estratégica para o crescimento económico de Cabo Verde.

No caso concreto de São Tomé e Príncipe, Cabo Verde de forma inteligente pretende envolver a sua expressiva comunidade residente no arquipélago, nessa visão estratégica. Conhecedor da grande potencialidade agrícola de São Tomé e Príncipe, e mais importante ainda, tendo consciência que desde a era colonial até os dias de hoje, a sua comunidade e os seus descendentes, representam a principal força de trabalho agrícola de São Tomé e Príncipe, Cabo Verde pretende matar dois coelhos com uma só cajadada.

Através dos projectos de apoio ao desenvolvimento da agricultura, incluindo acesso a linha de crédito, o executivo de José Maria Neves em parceria com o governo são-tomense, pretende reanimar a vida laboral nas comunidades agrícolas que foram abandonadas nos últimos 20 anos. Nestas comunidades habitadas na sua maioria por Cabo Verdianos e seus descendentes o nível de pobreza é chocante. A visão estratégica de Cabo Verde, pode ajudar São Tomé e Príncipe a abrir mais uma frente de luta contra a pobreza.

Os antigos contratados e seus descendentes deverão encontrar alento para reavivar o seu tradicional gosto pelo trabalho agrícola. E a produção não vai estragar como tem sido hábito nos últimos anos. Empresários Cabo Verdianos e São-tomenses já assinaram acordo para abertura de uma linha de transporte marítimo entre as duas ilhas. Cabo Verde vai comprar directamente dos agricultores a produção de frutas e hortaliças, para alimentar a sua crescente indústria turística.

O rendimento dos antigos contratados e seus descendentes, principal mão-de-obra do trabalho agrícola, deverá subir, diminuindo a pobreza. Ao mesmo tempo o mercado Cabo Verdiano ganha mais produtos em quantidade e qualidade. Limão, matabala, goiaba, são exemplos de produtos que São Tomé e Príncipe produz em abundância e que pelo que o Téla Nón apurou têm grande aceitação e procura no mercado Cabo Verdiano.

Uma visão estratégica de Cabo Verde que desta forma pretende aliviar a pobreza que castiga a sua comunidade, trazida em condições especiais para São Tomé e Príncipe pelo regime colonial português. Condições especiais porque a comunidade cabo-verdiana em São Tomé e Príncipe, não é resultado de um processo migratório normal, como acontece nos dias de hoje. A nova estratégia de combate a pobreza apoiada por Cabo Verde, deverá incentivar o trabalho e fomentar o crescimento económico de São Tomé e Príncipe e ao mesmo tempo, reforçar a posição do arquipélago cabo – verdiano, como centro de prestação de serviços na África Ocidental, com realce para o turismo crescente, como disse o Primeiro-ministro José Maria Neves.

Uma visão sustentada que segundo o acordo assinado entre as duas partes, nos próximos dois anos deverá produzir muitos frutos. A ligação marítima entre os dois arquipélagos, vai ter passagem obrigatória pela ilha do Príncipe onde cerca de 90% da população é de origem Cabo Verdiana.

O habitual excedente de produção de ananás da ilha do Príncipe, pode assim ter mercado de escoamento. A mão-de-obra barata que o regime colonial português, trouxe de Cabo Verde para São Tomé e Príncipe desde o início do século XX, gerou milhares de braços jovens e fortes, também amantes do trabalho agrícola e que no século XXI, vão marchar de braços dados com São Tomé e Príncipe e Cabo Verde, rumo ao progresso.

Visão Estratégica de um país seco, onde o homem é o principal recurso. Por isso vê a sua terra, a sua sub-região e o mundo e pensa, agi e conquista. São Tomé e Príncipe, também tem anunciado a sua visão estratégica de se transformar num centro de prestação de serviços na sub-região da África Central. No entanto apesar de ter uma grande comunidade radicada na região, nomeadamente em Angola, Gabão e na Guiné Equatorial, ainda não se vislumbra qualquer acção concreta de envolvimento de tais comunidades na sempre anunciada visão estratégica, nem tão pouco a promoção desta visão no seio dos países da sub-região.

Abel Veiga

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    Santana Barros Responder

    Assim é que se fala senhor primeiro ministro. É preciso relançar a agricultura para erradicar a fome e a pobreza dos dois povos. Mesmo em Angola há oportunidades para Cabo Verde desenvolver a agricultura e ensinar os Angolanos á deixarem de ser preguiçosos.

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