Intensificam-se as buscas dos passageiros que desapareceram após o naufrágio do navio Therese na noite de terça-feira

Publicado em 17 Set 2008
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Dois picarlos-gomes.JPGlotos da companhia aérea são-tomense, STP-Airways, disseram ao Téla Nón, que vão realizar voos de reconhecimento na zona do sinistro para tentar encontrar os passageiros dados como desaparecidos. São cerca de 14 pessoas que não foram resgatadas na operação de socorro da última noite. O Téla Nón registou também no porto de São Tomé, o lançamento ao mar de uma vedeta privada contratada pelo estado são-tomense para reforçar a busca. Por sua vez o Governo regional do Príncipe, pela voz de Carlos Gomes(na foto) já reagiu ao acidente, tendo responsabilizado os sucessivos governos da república como sendo os responsáveis por mais este desastre.

O governo regional da ilha do Príncipe, pela voz do Presidente Interino Carlos Gomes, disse a rádio nacional de São Tomé e Príncipe, que vai ser movido um processo judicial contra todas as instituições responsáveis pela navegação marítima.

Carlos Gomes, que lamentou mais este acidente marítimo, responsabilizou os sucessos governos por esta crise permanente na ligação entre as duas ilhas, e a consequente perda de vidas humanas. «Se estamos a recordar, este é o quinto barco a ter este tipo de acidente. Os sucessivos governos centrais impavidamente têm assistido a essa situação e nada têm feito para ultrapassar isto. E quem é prejudicado em toda esta situação é a população da ilha do Príncipe. Perguntamos até quando iremos ter este tipo de situação?», interrogou.

Tristeza, angústia e revolta, tomam conta da população da ilha do Príncipe, principal vítima dos sucessivos naufrágios de embarcações, num país que após 33 anos de independência ainda não conseguiu comprar um barco para assegurar a ligação inter-ilhas. «Acho que já é o momento do governo regional e a população da ilha do Príncipe dizer um basta a este comportamento do governo central porque com vida humanas não se pode adiar soluções. Não se pode e estamos fartos desta situação. Somos um país uma nação e acho que o governo central deve também ter preocupações para com a região do Príncipe», acrescentou o Presidente Interino do Governo Regional.

A embarcação superlotada que sucumbiu no fundo do mar, transportava grande quantidade de combustível para a região do Príncipe, assim como equipamentos para o desenvolvimento da região. «De facto o barco trazia mercadorias que são necessárias para a região como combustível, como materiais para a electrificação do hospital. Há muito tempo que estamos a espera da electrificação do hospital, para que alguns equipamentos que já se conseguiu através do projecto saúde para todos, fossem instalados e agora chega a altura em que tudo isto vai a PIK», reclamou.

Enquanto isso dos 31 sobreviventes do naufrágio, que estavam a receber tratamento médico no hospital Ayres de Menezes, a maioria já teve alta. O médico de serviço no hospital garantiu que não há vítimas mortais.

No entanto mais de uma dezena de passageiros são dados como desaparecidos. O esforço de busca e salvamento prossegubarco-socorro.jpge, o Téla Nón sabe que a STP-Airways decidiu fazer voos de reconhecimento no espaço marítimo nacional, enquanto a unidade da guarda costeira, recorreu a uma embarcação privada tendo iniciado esta tarde mais uma tentativa de resgate dos passageiros desaparecidos.

Um dos passageiros resgatado na noite de terça-feira, disse a Rádio nacional, que o barco estava superlotado ao ponto de alguns passageiros terem-se abrigado na casa de banho do naufragado Therese. «As pessoas estavam apertadas, tínhamos que desenrascar lugar para estar no barco. Eu por exemplo estava na casa de banho do barco», confessou o passageiro de nome Michel.

A dança do barril de combustível dentro do barco, foi indicado pelo sobrevivente como sendo a causa do naufrágio. A uma dada altura o tombo do depósito de combustível, acabou por forçar o mergulho do barco para o fundo do mar.

Abel Veiga

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