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A caminho da conservação das aves de São Tomé e Príncipe

Graças aos esforços da ABS – Associação de Biólogos Sãotomense- em parceria com a BirdLife Internacional, permitiu que uma equipa de seus investigadores, liderada por Hugulay Maia, em 2010, descrevesse a fase de reprodução de uma das aves endémicas de São Tomé e Príncipe, ameaçada de extinção e classificada como criticamente em perigo pela União Internacional da Conservação da Natureza (UICN).

Esta ave, é localmente conhecida como galinhola ou Galinha de Mato (Bostrychia bocagei). Esta pequena descoberta, mas com impacto importante para a sobrevivência da espécie, tendo em conta que a ciência desconhecia a fase de reprodução da Galinhola, acontece quando a desflorestação volta ao palco das florestas santomense, a causa, que provavelmente esteve na base da extinção da sua irmã da ilha de Príncipe.


A referida pesquisa culminou com uma publicação feita na revista africana de ornitologia – Bull ABC Vol 21 No 2 (2014) em 7/20/14. O estudo foi realizado em Monte Carmo, zona sul da ilha de São Tomé, onde actualmente foi instalada a maior área de palmar do País.


402779_407686229323461_967387972_nA grande descoberta foi feita quase por acaso, segundo o investigador principal, durante uma missão de pesquisa no terreno com seus colaboradores, num dia de intensa chuva, como é habitual na zona, por um mero acaso, depararam com uma ave empoleirada num ninho observando-os, o que nunca tinha ocorrido antes tendo em conta que conheciam muito bem cada detalhe da parcela onde faziam visitas sistemáticas de monitorização das espécies em ameaça de extinção incluindo o anjôlo e o picanço.


Os autores revelam que a descoberta deveu-se inteiramente a população de EMOLVE, Ribeira Peixe, pelos seus bons desempenhos na preservação das aves, considerando que a ABS tem vindo a realizar junto a comunidade local um programa desde 2005.


Hoje acredita-se que o ornitólogo Correia ficaria feliz em saber que estava certo quando tinha observado em Novembro da década de 80, uma fêmea, com indício de que se encontrava na fase de reprodução (Jones & Tye 2006). No entanto, este fato só se confirmou duas décadas mais tarde, com a descoberta da ABS que ocorreu em 29 de Novembro, mostrando que o período de reprodução da galinhola é entre Novembro a Janeiro.

A ABS verificou também que a ave coloca dois ovos por ninho e que tanto o macho como a fêmea participam na encubação (Maia et al.2014).

Além da investigação relacionada com a ecologia das aves endémicas ameaçadas de extinção, a ABS, vem desenvolvendo com as comunidades próximas da área de distribuição das espécies (Angolares, EMOLVE, Ribeira Peixe, Malanza, Dona Augusta, Ió Grande), campanhas de sensibilização em prol da conservação das mesmas.


Recentemente, foi aprovado no País, um plano estratégico para a conservação das aves endémicas ameaçadas de extinção, em Fevereiro de 2014 onde estiveram presentes membros da BirdLife Internacional, a Direção Geral do Ambiente, Direcção Geral das florestas, directores (do Parque Natural Ôbô, de São Tomé e do Príncipe), ABS, outras ONGs e as comunidades envolvidas.


Mas tudo isso só fará sentido se o maior problema que pode por em causa a sobrevivência da espécie for resolvido que é a destruição de habitat e a caça desordenada. Estes dois, constituem atualmente a maior ameaça: a destruição do habitat em primeiro plano, devido ao abate excessivo das árvores, o que põe em perigo a floresta e consequentemente as espécies que nela habitam e ao mesmo tempo possibilita a entrada de caçadores a região.

Associação dos Biólogos de São Tomé e Príncipe

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